Alvo de uma série de denúncias de corrupção, Renan deve ser eleito presidente do Senado

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Por: Cesar Sanson | 01 Fevereiro 2013

PMDB dá demonstração de união em torno da eleição do alagoano. José Dirceu defende Calheiros da “ofensiva midiática” e do “falso moralismo”.

A reportagem é de André Gonçalves e publicada pela Gazeta do Povo, 01-02-2013.

Alvo de uma série de denúncias de corrupção, o líder do PMDB do Senado, Renan Calheiros (AL), deve ser eleito hoje presidente da Casa. Contando com o apoio da base da presidente Dilma Rousseff, Renan irá enfrentar Pedro Taques (PDT-MT), lançado pelos senadores indepententes mais para marcar posição contra a eleição do peemedebista do que como um nome com real chance de vitória.

Ontem, Renan foi oficializado como candidato do PMDB, o maior partido do Senado. Ele recebeu o apoio de todos os 19 senadores da legenda presentes em uma reunião da bancada. Foi uma demonstração de união em torno do peemedebista.

Senadores do PT, segundo maior partido da Casa, não deram demonstrações públicas de apoio a Renan. Porém, coube ao ex-ministro José Dirceu, ainda influente na cúpula petista, expressar de que lado o partido está. Em seu blog, Dirceu defendeu Renan contra a “ofensiva midiática”. Para o ex-ministro, o peemedebista é alvo de um “falso moralismo”.

Agenda positiva

Logo após a reunião da bancada do PMDB no Senado, Renan não apareceu para falar com a imprensa. Foi o senador e presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), quem anunciou a indicação. “A candidatura não pertence até este presente momento ao senador Renan e sim ao partido. Pertence à bancada e ao partido”, justificou Raupp.

O presidente do PMDB buscou desviar o foco sobre as denúncias que envolvem Renan anunciando uma “agenda positiva” para o Senado. Raupp disse que Renan, nos dois anos em que vai comandar o Senado, irá colocar em votação projetos de lei que mudam o pacto federativo – uma antiga reivindicação de prefeitos e governadores. Num sinal claro de combinação com o atual presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), Raupp disse ainda que Renan irá reduzir os gastos da Casa – projeto apresentado ontem pela atual Mesa Diretora.

Raupp negou ainda que a indicação de Renan cause constrangimento para o partido. Na semana passada, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, denunciou o candidato peemedebista por ter usado notas frias para justificar os pagamentos da pensão da filha que teve fora do casamento. Na ocasião, Renan era acusado de ter essa despesa paga por um lobista. O caso levou Renan a renunciar à presidência do Senado em 2007.

“Em absoluto [há constrangimento]. O senador Renan não tem julgamento, nenhuma condenação. É um líder nato, construiu dentro da bancada e fora dela [o apoio à candidatura]. Portanto, deve ser eleito na manhã de sexta-feira para a presidência do Senado”, afirmou Raupp. Porém, o líder do PSDB no Senado, o paranaense Alvaro Dias, disse acreditar que há chance de o cenário de instabilidade política de 2007 se repetir com Renan na presidência da Casa. “Será uma agonia que não vai terminar cedo.”

Resistência cresce, mas ainda é fraca para impedir vitória

Na véspera da eleição para a presidência do Senado, aumentou a resistência contra a eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência do Senado. Mas ainda assim, os insatisfeitos com o peemedebista não devem ter força para barrar o peemedebista, o candidato da base da presidente Dilma Rousseff.

Ontem, a bancada do PSDB no Senado anunciou que vai apoiar o senador Pedro Taques (PDT-MT) para a disputa da presidência da Casa. Após uma reunião de pouco mais de uma hora, o partido, como era esperado, rejeitou o apoio de uma candidatura do PMDB e, assim, abriu mão de indicar um nome para compor a Mesa Diretora que possivelmente será comandada por Renan.

“Facilitaria se o PMDB colocasse um candidato que tivesse o apoio de todo mundo”, disse Aécio Neves (PSDB-MG). “O Senado precisa respirar e o senador Renan não é nome que representa esse sentimento de independência e renovação. Não é nada pessoal, mas acima de tudo está a instituição.”

Na quarta-feira, o PSB já havia pressionado o PMDB a mudar de candidato, ameaçando votar em outro nome. Com isso, Taques ganhou mais força – inclusive porque ontem o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP), do grupo dos independentes, retirou sua candidatura em prol do pedetista. Outro que declarou apoio a Taques foi o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).

Apesar desses apoios, a vitória da Taques é muito improvável. O senador paranaense Alvaro Dias (PSDB) prevê que o pedetista conseguirá de 22 a 23 votos. Do outro lado, Renan terá pelo menos 50 votos, bem acima dos 41 necessários (o Senado tem 81 parlamentares). “É o que temos, mas pode ser que os números mudem porque a votação é secreta”, disse Alvaro.

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