''Por muitos'': uma mudança que poderia criar confusão junto aos mais simples

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22 Janeiro 2013

Se a mudança não é indispensável, por que criar problemas? É melhor que tudo permaneça como antes e que não sejam mudadas as grandes palavras que proclamam que o sangue de Cristo foi "derramado por todos".

A opinião é de Severino Dianich, teólogo italiano e vigário-episcopal de Pisa para a Pastoral da Cultura e da Universidade, em artigo publicado no jornal dos bispos italianos, Avvenire, 19-01-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Sobre o projeto para modificar na nova edição do Missal em italiano as palavras da consagração eucarística, mudando aquele "derramado por todos" pela expressão "por muitos", desenvolve-se um fecundo debate.

Ninguém contestou, como se fosse incorreta ou desviante da fé da Igreja, a velha fórmula "por todos". Ao mesmo tempo, a ninguém escapou o perigo de que a fórmula "por muitos", da forma como soa em italiano, possa levar a pensar que a salvação de Cristo seja destinada a muitos, mas não a todos. No debate, também se propôs que se dissesse "pela multidão", tradução também reconhecida por todos como correta.

Neste ponto, pergunto-me se – dado que um exame atento e douto tão aprofundado deixa em aberto a questão, do ponto de vista da exegese bíblica e da fidelidade dogmática, sobre todas as três soluções – não é justo se preocupar com uma coisa só, ou seja, com uma eventual mudança para os fiéis, sobretudo para os menos doutos, para os mais pobres, para aqueles que acolhem as coisas mais com a sensibilidade do que com o raciocínio, que inevitavelmente permaneceriam perturbados com a mudança.

Se ela não é indispensável, por que criar problemas? Diversos bispos captaram muito bem a questão pastoral, propondo com bom senso que tudo permaneça como antes e que não sejam mudadas as grandes palavras, que há 40 anos ressoam nas nossas igrejas, proclamando que o sangue de Cristo foi "derramado por todos".

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