Sucessão põe em xeque o 'petropatrocínio' de Chávez

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17 Janeiro 2013

O mau estado da economia venezuelana coloca um dilema para Nicolás Maduro, vice-presidente e apontado por Hugo Chávez como seu sucessor: como realizar um amargo e, segundo analistas, inevitável ajuste fiscal e, ao mesmo tempo, manter a ajuda externa a aliados que, beneficiados pelo petróleo subsidiado que recebem do governo venezuelano, ajudam a conferir legitimidade ao regime?

A reportagem é de Fabio Murakawa e publicada pelo jornal Valor, 17-01-2013.

Internado em Cuba desde dezembro para o tratamento de um câncer, Chávez tem se utilizado de instrumentos como a Petrocaribe - acordo de cooperação energética assinado por 14 países - para fornecer petróleo a preços subsidiados e em condições favoráveis de financiamento a países aliados, como Cuba e Nicarágua.

Não há dados precisos sobre o tamanho da ajuda venezuelana, mas analistas afirmam que ela pode chegar a US$ 7 bilhões ao ano. Há ainda convênios para projetos de armazenamento e transporte do petróleo e construção e melhoramento de refinarias em países como Jamaica e República Dominicana, além de Cuba e Nicarágua.

Essa ajuda foi um dos principais alvos de ataques do líder oposicionista Henrique Capriles durante a campanha para a eleição presidencial de outubro, vencida por Chávez. Para analistas, quando vier o esperado ajuste fiscal, provavelmente exigindo sacrifícios da população, o desafio de Maduro será convencer os venezuelanos de que a ajuda externa deve continuar.

Segundo Nicholas Watson, diretor-geral de Análise para a América Latina da consultoria Control Risks, o ajuste fiscal deve vir somente após uma eventual nova eleição, caso Chávez não retorne ao cargo. "Será difícil postergar muito esses ajustes econômicos, e eles devem ter um impacto sobre a ajuda financeira [a outros países]", disse ele ao Valor. "Mas será igualmente difícil justificar essa ajuda ao eleitorado, se a economia estiver em situação difícil. O governo vai postergar todas as decisões difíceis até que Maduro ganhe uma eventual eleição."

Outros analistas afirmam que, sem o carisma de Chávez, será igualmente difícil para o próximo presidente a tarefa de promover um ajuste fiscal, com alta de impostos, cortes de gastos e desvalorização da moeda, ao mesmo tempo em que mantém a ajuda aos países aliados.

Em um e-mail enviado nesta semana a jornalistas, Christopher Sabatini, diretor da área política do Council of Americas, um centro de estudos nos EUA, afirma que, apesar das preocupações de países como Cuba e Jamaica, a política externa venezuelana não deve mudar num pós-Chávez. "Ela apenas vai perder sua face e inspiração mais virulenta e identificável."

Segundo ele, o "petropatrocínio da Venezuela" sobreviverá, porque "é um peça central da política externa" do país.

O brasileiro Pedro Silva Barros, titular da missão do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) na Venezuela, também crê na continuidade dos programas. Para ele, os ajustes na economia podem reduzir a margem para essa ajuda, mas ela não será extinta. "A legitimidade do processo político da Venezuela se constrói com base no apoio regional", afirmou. "Nos próximos seis anos, essa necessidade de legitimidade vai permanecer, e a Venezuela continuará com sua política de cooperação."

Rumores sobre um ajuste fiscal na Venezuela vêm desde o ano passado, quando Chávez inflou o gasto público às vésperas da eleição presidencial. Segundo o banco Morgan Stanley, o déficit fiscal venezuelano saltou de 8,7%, em 2009, para 11,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em outubro. Sabatini, do Council of Americas, estima que já tenha chegado a 15%.

O dólar no país, cuja cotação oficial controlada é de 4,3 bolívares, já é vendido a 18 bolívares no mercado negro venezuelano. Analistas esperam uma desvalorização, que reduziria o endividamento em bolívares, mas geraria mais inflação.

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