Consumo de energia sobe mais que PIB em 2012

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10 Janeiro 2013

As medidas de estímulo à demanda adotadas pelo governo no último biênio e a retomada do poder aquisitivo da população mudaram o perfil do consumo de energia no país e provocaram um descolamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).

Em 2012, os segmentos de comércio e serviços e as residências puxaram a demanda por energia, que cresceu muito acima do ritmo do PIB. Enquanto a estimativa para o PIB é de crescimento de no máximo 1% no ano passado, o país consumiu 3,6% mais energia até novembro, em relação aos mesmos meses de 2011. Antes de 2010, dizem analistas, a relação entre PIB e energia era menos díspar.

A reportagem é de Rodrigo Pedroso e publicada pelo jornal Valor, 10-01-2013.

O descolamento, contudo, também atinge a indústria, que passou a usar muito mais energia para uma mesma quantidade produzida. No ano passado, o setor (que responde por 41% do consumo de energia do país) demandou apenas 0,3% a mais de energia até novembro do que em igual período do ano anterior. Na mesma comparação, segundo o IBGE, a produção industrial brasileira registrou recuo de 2,6%.

Enquanto a indústria piorou seu padrão de consumo de energia, os outros setores aumentaram a demanda. O comércio (que engloba parte do setor de serviços na estatística da EPE) aumentou o consumo em 7,8%. A última vez em que registrou-se um aumento maior foi em 2000, quando a demanda do setor pelo insumo cresceu 9,3%. Com o incremento, o setor comercial consumiu 62 mil gigawatts-hora (GWh), aumentando a participação na demanda energética total para 17,5%. Essa fatia era de 15%, 12 anos antes.

O consumo das residências atingiu 107 mil GWh no acumulado de 2012, uma alta de 4,8%. As moradias, incrementadas com novas máquinas de lavar, computadores e outros bens, só perderam para a indústria no total consumido.

O setor "outros", que compreende principalmente os setores rural e público, cresceu 6,4% e consumiu 72 mil GWh até novembro. Com isso, o consumo de energia elétrica no Brasil ano passado até novembro foi de 410 mil GWh, volume 3,6% maior do que em 2011.

Para Fernando Umbria, da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia Elétrica (Abrace), o aumento significativo do consumo do comércio e das residências, e da quase estabilidade da demanda da indústria, aponta para o descolamento na relação entre alta do consumo de eletricidade e crescimento da economia.

"Em 2011, já ocorre um pouco esse descolamento, com PIB de 2,7% e consumo crescendo 4,2%. No ano passado, isso ficou mais evidente, já que a economia deve crescer 1%, ou 1,5%. Isso mostra um comportamento atípico, pois foge da elasticidade padrão entre os dois fatores", diz Umbria.

Antes de 2011, um ponto percentual de aumento no PIB levava a aumento entre 1 ponto e 1,5 ponto percentual no consumo de energia elétrica no Brasil. Em 2007, enquanto o PIB cresceu 6,1%, o consumo elétrico aumentou 5,9%. Nos dois anos seguintes, a relação ficou entre 5,2% e 3% e recuo de 0,3% e recuo de 1,1%, respectivamente. Em 2010, a atividade econômica cresceu 7,5% e o consumo 8,2%.

"Os anos mais fortes da crise, 2009 e 2010, são um pouco difíceis de se medir, mas os dois últimos anos mostram um momento específico da economia do país", afirma Umbria.

Os dados do consumo setorial de energia no ano passado mostram duas orientações distintas, segundo Virginia Parente, professora do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP. Enquanto as famílias projetam o consumo atual pensando nas condições de vida no ano anterior, a indústria olha para o futuro. Além disso, com o consumo puxando a economia nos últimos dois anos, e a existência de espaço para o aumento da demanda por energia de famílias que ainda estão comprando os primeiros bens eletrônicos, os números mostram um "descasamento entre os setores."

"Um fator importante é que o consumo médio das famílias brasileiras é menor do que o de economias desenvolvidas. Mesmo sem o PIB crescer muito, há espaços para grandes aumentos no consumo de energia em comércio, serviços e residências, já que ainda estamos passando por um processo de aumento de acesso a geladeiras, micro-ondas, ventiladores etc.", afirma Virginia.

Com a perda da participação da indústria no crescimento do consumo interno verificada no último biênio, a ampliação da economia brasileira é puxada mais pelo setor de serviços, que engloba o comércio. A professora da USP diz que isso ajuda também no descolamento, verificado no ano passado, da demanda de energia da indústria em relação aos outros setores.

"Quanto menos peso da indústria, menos consumo de energia é demandada no crescimento do PIB, pois usa-se mais energia em atividade industrial do que em serviços", diz Virginia.

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