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03 Janeiro 2013

Hoje, não celebramos mais a criança na manjedoura, mas o Rei da glória que visita a humanidade. Para ele, a exemplo dos Magos, a Igreja leva os seus presentes: a sua fé, sua esperança e caridade. Mais que festa dos Reis magos, hoje é a festa do Rei do universo.

A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras do Domingo da Epifania. A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara, e José J. Lara.

Eis o texto.

Referências bíblicas:
1a leitura: Isaías 60, 1-6
2a leitura: Efésios 3, 2-3a.5-6
Evangelho: Mateus 2, 1-12

 

A casa aberta para todos

A terra de Israel foi espezinhada com frequência pelos invasores estrangeiros que, muitas vezes, vinham do Oriente. Israel, por seu lado, não se privou de absorver destes povos, com quem mantinha relações, muitos elementos de suas sabedorias, religiões e, até mesmo, de seus mitos. Osmose, portanto. Mas os sábios e profetas de Israel modificavam estes elementos estranhos e os ajustavam à sua própria visão de Deus, do homem e do mundo. Por seu lado, as "nações" também irão se apropriar da herança do povo eleito. E com o Cristo foi chegada a hora: "A luz verdadeira, que ilumina todo homem, fez a sua entrada no mundo" (João 1,9). É o que a seu modo nos quer dizer o episódio dos Magos. Magos que vieram do Oriente: não se poderia imaginar nada de mais estranho para a época; pela geografia, pela história das invasões, pela religião. Os Magos, na Bíblia, justamente por causa de sua magia, da sua cosmologia (ah, os nossos horóscopos!) e outras práticas divinatórias, gozavam de péssima reputação. Pois até mesmo eles obedecem agora à atração da Luz. É com certeza uma visão otimista, se nos atemos à nossa atualidade, mas uma visão escatológica, considerando o conjunto do projeto de Deus. De todo modo, o Evangelho nos vacina desde já contra toda exclusão de raça, cultura (primitiva ou evoluída), nacionalidade ou mentalidade. Para todos, uma noite ou outra, uma estrela se levantará em nossas escuridões.

Toda a história da salvação

Este relato evangélico, assim como vários outros, nos traça em poucas linhas os feitos todos do Cristo. O pânico de Herodes e, com ele, de toda Jerusalém; pânico que irá até ao morticínio das crianças, prenunciando já a Paixão. Não é sem razão que o texto menciona os escribas e, sobretudo, os chefes dos sacerdotes que, no futuro, irão constituir o tribunal do veredito de morte. Mas, sobretudo, a expressão "Rei dos judeus" posta na boca dos Magos só irá aparecer de novo no relato da Paixão. É uma alusão feita num piscar de olhos pelo evangelista. Uma concorrência entre dois reis: Herodes e este que acaba de nascer. Será Mateus também que dirá com precisão, em 27,18, que foi por inveja que Jesus foi entregue. Embora seja o texto carregado de um futuro que o evangelista já conhece (pois o escreveu no fim do século), ele assume também o passado: as alusões à primeira leitura são evidentes. Inspirado na volta de Israel à sua terra e na reconstrução do templo que está próxima, o profeta vê para Jerusalém um futuro luminoso e para o povo portador da salvação, a convergência de todas as nações (pode-se retomar com proveito a conversa de Jesus com a Samaritana, em João 4). Ao ler o relato da visita dos Magos, é preciso lembrar a profecia de Isaías, sobre a Paixão e a Ressurreição do Cristo e a entrada dos pagãos na Igreja nascente que resultou daí.

Por outro caminho

Os Magos devem ter ficado decepcionados: vieram em busca de uma criança real e acabaram encontrando apenas um menino nascido numa família pobre: o Rei dos Judeus não nasceu na casa do rei Herodes. Devemos notar que o evangelho não fala de manjedoura, mas de casa: é Lucas só que fala de manjedoura, mas não fala dos Magos. "Casa" é a palavra empregada com frequência para designar a "casa de Deus", o Templo: de agora em diante, Deus habitará ali onde estiver esta criança. Os Magos souberam reconhecer Deus na humildade, no quase nada deste casal e seu recém-nascido: eles se prostraram, prestaram a sua homenagem, abriram os seus tesouros. Não vamos insistir no simbolismo do ouro, do incenso e da mirra. De todo modo, o relato dos Magos antecipa o futuro glorioso da reunião universal no Corpo do Cristo. O grão minúsculo semeado na terra se tornará a grande árvore que abrigará todos os habitantes do céu sob os seus galhos (Mateus 13,32). Os Magos voltaram para sua casa: "Nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai…" (João 4,21). Não precisam mais de Belém nem de Herodes nem da estrela: a luz se lhes tornou interior. Voltaram para o seu país, reencontraram a sua civilização, as suas ocupações, mas nada será mais como antes: eles entraram "por outro caminho".

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