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06 Dezembro 2012

Com uma geração de velhas usinas elétricas se aproximando da desativação e metas mais duras de cortes de carbono se aproximando, o governo britânico está tentando estabelecer as bases para grandes mudanças no setor de eletricidade do país.

Uma gigantesca lei de energia que será publicada esta semana deverá remodelar a paisagem energética da Inglaterra, incentivando o crescimento do gás natural, uma nova geração de usinas nucleares e tecnologias renováveis como a eólica e solar.

A reportagem é de Beth Gardiner, publicada pelo International Herald Tribune e reproduzida pelo Portal Uol, 03-12-2012.

As autoridades dizem que 110 bilhões de libras, ou US$ 176 bilhões, de investimento serão necessários na próxima década. Muito disso servirá apenas para substituir velhas usinas de carvão e nucleares que chegam ao fim de sua vida útil. Além disso, a Lei da Mudança Climática de 2008 requer cortes mais drásticos nas emissões de carbono, enquanto as demandas de transporte e aquecimento das casas devem aumentar sobre o sistema de energia.

A Inglaterra “investiu pouco em sua infraestrutura de energia por muito tempo – 30 ou 40 anos – e chegou o momento de investir nela", disse Tom Murley, chefe da equipe de energia renovável na firma de investimento em energia renovável HgCapital. "Em grande parte estamos funcionando com muita coisa que foi construída há muito tempo."

Vários atrasos ao projeto de lei, e os sinais de divergências entre poderosos ministros da coalizão do governo quanto às energias renováveis, deixaram os investidores cautelosos em relação ao setor, dizem analistas.

Críticos viram o anúncio do governo na semana passada, de que os funcionários adiariam até 2016 a decisão de definir uma meta de descarbonização para o setor energético até 2030, como uma grande vitória para George Osborne, o chanceler do Tesouro, sobre os parceiros mais recentes da coligação do Partido Conservador, os Liberais Democratas, de mentalidade mais ambientalista.

Osborne é amplamente visto como o mais poderoso adversário de um forte sistema de apoio às energias renováveis. Segundo o noticiário, ele pressionou nos bastidores para renegar as metas de carbono, cortando subsídios à energia eólica e dependendo em peso do gás natural a longo prazo.

Adiar uma decisão sobre a exigência de que as emissões vindas da energia eléctrica caiam para quase zero até 2030 "arrisca criar um abismo de investimento no setor de energia renovável em 2020”, diz Nick Molho, chefe de política energética na Inglaterra para o grupo de conservação WWF.

Isso pode significar que a Inglaterra está perdendo a chance de construir uma base de produção no setor, diz Paul Ekins, professor de Recursos e Política Ambiental da University College London. Dúvidas sobre o compromisso de longo prazo do governo para cortes de emissões de carbono, diz ele, podem fazer com que investidores importem componentes para construir novos parques eólicos e usinas de energia solar em vez de abrir fábricas para fabricá-los na Inglaterra.

Funcionários também anunciaram antes da publicação do projeto de lei que as empresas de energia seriam autorizadas a cobrar 9,8 bilhões de libras dos consumidores para financiar a energia limpa até 2020, uma medida bem recebida pelos ambientalistas.

O primeiro-ministro David Cameron permaneceu em silêncio, mas alguns colegas conservadores se opuseram veementemente à ação sobre o carbono e conseguiram manter sua visão nas manchetes. "Estamos chegando a um ponto em que as pessoas estão segurando o investimento, à espera de ver quais serão as regras finais", disse Murley.

As apostas são altas. A Ofgem, a reguladora do gás e energia elétrica, advertiu no mês passado que o uso de energia na Inglaterra estará perigosamente perto dos limites de sua capacidade de geração em apenas três anos.

Com os preços da eletricidade e do gás subindo, também há temores de que o projeto de lei aumente mais ainda os custos dos lares”, por causa do investimento necessário em infra-estrutura.

Com o apoio de todos os três principais partidos políticos, a Inglaterra se comprometeu em 2008 a enfrentar o aquecimento global reduzindo a produção de carbono em 80% a partir dos níveis de 1990 até 2050. O projeto de lei de energia é a chave para determinar se essas reduções irão se materializar. É um documento complexo, mas a base é simples, dizem os especialistas. A Inglaterra precisa criar um quadro claro e confiável, que tornará o investimento em fontes de energia de baixa emissão de carbono tão atraente a ponto de fazer fluir o dinheiro privado.

A chave para atingir as metas de carbono “é que implantarmos uma usina de baixo carbono no solo ou no mar rapidamente, em grande escala", diz Ekins. "Isso precisa ter investimento privado, e o investimento privado tem de ser rentável. No momento não está claro que vai ser, e isso, naturalmente, está segurando as coisas.”

Ed Davey, o secretário de energia e mudança climática, disse que a aprovação do projeto de lei no ano que vem dará aos investidores a certeza de que necessitam.

Embora "sempre existam discussões entre os departamentos", os funcionários estão unidos em apoiar a legislação, disse um porta-voz do Departamento de Energia, que pediu para não ser identificado.

A Inglaterra já tem um sistema de subsídios para energia limpa, que expira em 2017. Mas quer substituir suas velhas usinas nucleares, e o novo projeto de lei criaria um sistema de subsídio para o baixo carbono que cobriria tanto a energia nuclear quanto a renovável.

Alguns ambientalistas temem que esta seja a abordagem errada. Molho, da WWF, afirma que o Partido Conservador de Cameron quer usar o projeto de lei para subsidiar a energia nuclear sem parecer que está fazendo isso.

No mês passado, os japoneses da gigante de engenharia Hitachi compraram a empresa Horizon Nuclear Power das companhias alemãs E.ON e RWE, que abandonaram os planos de construir usinas na Inglaterra. Cameron saudou o acordo como um voto de confiança.

Uma questão não resolvida é o nível de pagamentos que devem ser feitos para os fornecedores de diferentes tipos de energia.

O gás natural deverá ser uma parte central da mistura. O Departamento de Energia diz que novas usinas serão necessárias a curto prazo para substituir geradores que estão se aposentando. A longo prazo, com o país buscando depender mais de energias renováveis depois de 2030, o gás fornecerá uma alternativa quando as fontes solar e eólica produzirem menos, diz.

Para tornar o investimento atraente, o projeto de lei prevê um sistema de "pagamentos de capacidade" que garantam um fluxo de renda para os operadores mesmo quando as usinas não estejam gerando gás.

Dieter Helm, professor de política energética da Universidade de Oxford, disse que a lei, publicado em forma de projecto em maio, é muito complicada. Ele argumenta que o governo poderia atingir seus objetivos de forma mais direta, colocando um preço sobre as emissões de carbono e leiloando contratos de energia para a companhia que atender às metas de corte de carbono pelo melhor preço.

Ekins disse que o projeto ainda pode levar a Inglaterra a um futuro de baixo carbono, mas alertou que a prévia na semana passada levantou dúvidas sobre o compromisso do governo com esse objetivo.

"Ele deve melhorar a posição de carbono do país", diz Murley. "Se vai levar às metas é uma questão a ser debatida."

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