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28 Novembro 2012

Está previsto para esta semana um encontro entre as presidentes do Brasil e da Argentina em Buenos Aires, em razão da conferência que celebrará a União Industrial Argentina (UIA) na terça (27) e quarta-feira (28). O encontro oferece uma ocasião oportuna para comparar as duas líderes que compartilham a obsessão por conseguir a “inclusão social” dos mais pobres e a aversão pelas políticas de austeridade que estão sendo implementadas no sul da Europa. Mas, ao mesmo tempo, possuem um estilo muito diferente de governar. E, acima de tudo, uma maneira muito diferente de enfrentar o combate à corrupção.

A reportagem é de Francisco Peregil, publicada pelo jornal El País e reproduzida pelo Portal Uol, 28-11-2012.

Enquanto Cristina Fernández, 60, acaba de passar uma semana exaltando as conquistas do governo de seu marido (2003-2007) Néstor Kirchner, morto em 2010, Dilma Rousseff, 65, vem conseguindo, desde janeiro de 2011, criar independência da enorme sombra de seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva. Agora não somente brilha com luz própria, como superou o mesmíssimo Lula nas pesquisas sobre quem seria o candidato ideal para as eleições presidenciais de 2014. Enquanto isso, a popularidade que levou Cristina Fernández a ganhar as presidenciais de 2011 com 36 pontos de diferença sobre o segundo colocado caiu para os níveis mais baixos. Nas três últimas semanas, Fernández sofreu o maior panelaço registrado desde 2003 e a primeira greve-geral convocada desde então.

No que diz respeito à corrupção, as diferenças persistem. A luta de Rousseff contra as improbidades na política está sendo recebida muito bem nas pesquisas. O último caso ocorreu neste fim de semana, quando a Polícia Federal deteve seis pessoas que fraudavam pareceres técnicos para favorecer interesses particulares. Em dois anos de governo, demitiram sete ministros associados a casos de corrupção. Já na Argentina, o vice-presidente do governo, Amado Boudou, processado por enriquecimento ilícito e tráfico de influência, goza da confiança de Fernández. A presidente não só não o destituiu, como permitiu que ele demitisse o procurador-geral na época, Esteban Righi, a quem Boudou acusou, entre outras questões, de pertencer a uma “rede mafiosa dentro da Justiça”. Boudou também conseguiu com que fossem afastados o juiz e o procurador que investigavam o caso.

O tratamento dado pelo governo argentino à imprensa mais crítica também é muito diferente. Os ataques do governo ao grupo Clarín são frequentes desde 2008. Fernández prometeu que a partir do próximo dia 7 de dezembro as coisas mudarão. Essa é a data que, segundo a interpretação que o governo faz da Lei da Mídia, o grupo Clarín tem como prazo para se desfazer de licenças de seu braço audiovisual. Fernández ordenou que se até esse dia o Clarín não as tiver vendido, o governo abrirá licitação para algumas de suas concessões televisivas.

Rousseff aproveitou a comemoração em Brasília, no dia 7 de novembro, da 15ª Conferência Internacional Anticorrupção, assistida por membros de 160 países, para defender com entusiasmo a liberdade de imprensa. “O ruído da imprensa é sempre preferível ao ruído do túmulo das ditaduras”, disse.

Mas essas diferenças todas não impedirão que Rousseff e Fernández continuem alimentando as boas relações que vêm mantendo até agora.

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