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28 Novembro 2012

Durante mais de quatro décadas, a psicóloga Maria Beatriz Paiva Keller, 52 anos, não teve qualquer notícia sobre a circunstância do desaparecimento do pai, o ex-deputado federal, engenheiro e empresário paulista Rubens Paiva.

Ontem, ela teve acesso aos primeiros documentos que ajudam a elucidar o mistério e lançam luzes sobre um dos episódios mais sombrios da repressão.

A reportagem é de Fábio Prikladnicki e José Luís Costa e publicada pelo jornal Zero Hora, 28-11-2012.

Os papéis que Maria Beatriz recebeu, em solenidade no Palácio Piratini, na Capital, registram a entrada de seu pai no Destacamento de Operações e Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no Rio, em 1971, e descrevem documentos apreendidos no veículo de Paiva.

Até então, havia apenas relatos verbais sobre o ingresso de Rubens Paiva no DOI-Codi e as circunstâncias em que ele teria permanecido no quartel-símbolo da repressão. Os documentos vieram à tona porque eram mantidos pelo coronel Julio Miguel Molinas Dias, ex-comandante do DOI-Codi, no Rio. Molinas Dias foi morto no dia 1º de novembro, em Porto Alegre, em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Emocionada, a filha caçula de Rubens Paiva recebeu o material das mãos do governador Tarso Genro. Após um abraço demorado, voltou para sua cadeira à mesa de autoridades. Colocou o registro de entrada do pai no DOI-Codi sobre a mesa e começou a ler. Ao chegar à última linha, chorou. Esfregou os olhos, por dentro dos óculos e, antes de fazer seu pronunciamento, disse:

– Preciso respirar fundo.

Recomposta, falou:

– Faz 40 anos que meu pai foi tirado de casa daquele jeito. Se compararmos com outros países, por que tanta demora? Por que essa morosidade aqui no Brasil? Por que será que as pessoas não encaram de frente essa história que é trágica, dolorida, mas que precisa ser contada?

Além da prisão de Paiva, as 200 páginas de documentos guardados pelo coronel versam sobre uma estratégia dos militares para acobertar o envolvimento de militares no atentado do Riocentro, em 1981.

O governador Tarso Genro destacou a importância do esclarecimento de episódios nebulosos do período da ditadura.

– Os jovens precisam saber o que aconteceu, precisam estabelecer suas identidades perante a história do país para que a democracia se firme cada vez mais.

O governador também destacou a atuação da Polícia Civil:

– Se fosse em outros tempos, quem sabe esses documentos não viriam para as mãos do governador, do secretário de Segurança. O delegado que fez o inquérito (Luis Fernando Martins de Oliveira) teve uma atitude exemplar, discernimento para perceber o tipo de documento tinha em mãos.

Ao final da cerimônia, Maria Beatriz afirmou que sua primeira medida será compartilhar os documentos com os familiares:

– Gostaríamos de saber o que aconteceu (com Rubens Paiva). Não só para minha família, mas para todas as outras famílias que passaram por uma história parecida.

“Desmontou-se essa farsa”

Ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles, cuja trajetória está associada à defesa dos direitos humanos, coordena a Comissão Nacional da Verdade (CNV). Ontem, ele conversou após receber o acervo das mãos do governador Tarso Genro

Eis a entrevista.

Qual é a importância da revelação destes documentos?

Fundamental. Significa um ato concreto de colaboração com as comissões nacional e estadual da verdade. Inclusive faço um convite para os brasileiros e brasileiras que tenham em suas casas arquivos particulares que os entreguem. É um processo de reconstrução da história do seu país. Não precisa nem se identificar. Basta telefonar e dizer que tem um documento.

Que procedimento será dado ao documento mantido pelo coronel Molinas?

Vamos ler ver em que contexto (da história) vai se encaixar. Depois, vamos apresentá-los (ao público). A Comissão Nacional da Verdade já publicou em seu site (www.cnv.gov.br) 80 páginas escritas. Esse documento certamente vai ter o mesmo caminho.

O episódio Rubens Paiva é um dos mais simbólicos dos tempos da ditadura militar?

É um dos mais (simbólicos). Mas são tantos. O Estado ditatorial militar sempre negou isso (a prisão de Rubens Paiva). Essa é a importância do documento, é a quebra dessa mentira brutal. Refiro-me a essas pessoas que o Estado ditatorial disse que eram foragidas. Desmontou-se essa farsa.

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