Kivu do Norte: um jesuíta com os deslocados, debaixo das bombas

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26 Novembro 2012

"Definir como precária a vida dos deslocados no Kivu do Norte (província a leste da República Democrática do Congo) não dá uma ideia da situação. As pessoas são forçadas a fugir dos seus vilarejos para não serem envolvidas nos confrontos. E quando falamos de confrontos não nos referimos somente aos que ocorrem entre o movimento rebelde M23 e o exército congolês, mas também aos conflitos interétnicos".

A reportagem é de Enrico Casale, publicada na revista dos jesuítas italianos, Popoli, 20-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Danilo Giannese é o responsável pela promoção e pela comunicação do Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR) na região dos Grandes Lagos na África. Juntamente com os operadores dos SJR, ele trabalha em projetos de apoio aos deslocados em Masisi e Mweso (intervenções coordenadas pela equipe presente em Goma). Portanto, ele é uma testemunha direta do conflito em curso nestas semanas na região congolesa do Kivu do Norte.

"Desde o início de outubro – explica – me mudei de Bujumbura (Burundi) para Goma para acompanhar as nossas iniciativas em apoio ao sistema educacional congolês e às camadas mais vulneráveis dos deslocados (pessoas com deficiência, idosos, órfãos etc). No fim de semana, fui para Kigali (Ruanda) por motivos pessoais. Domingo de manhã, quando eu tentei voltar para Goma, fui detido na fronteira. Disseram-me que era melhor não voltar para o Congo, porque estava ocorrendo uma ofensiva do M23. Então, antes de voltar para Bujumbura (Burundi), parei por uma noite em Gisenyi, a cidade da fronteira. Ali percebi que todos os hotéis estavam lotados. Grande parte dos operadores das ONGs ativas no Kivu haviam cruzado a fronteira para se porem a salvo".

Na metade da semana passada, foi retomada a ofensiva do M23, um movimento rebelde que se opõe ao governo central de Kinshasa. Uma primeira ofensiva havia estourado no meio do ano para depois parar em setembro. Agora, o líder dos rebeldes, Bosco Ntaganda, pediu para entabular uma negociação com o governo congolês, pedido rejeitado.

Por trás dessa rebelião, estão Ruanda e Uganda, países que têm fortes interesses no Kivu do Norte, região rica em matérias-primas. A cumplicidade de Kampala e Kigali foram evidenciadas por dois relatórios sucessivos das Nações Unidas e confirmadas pela denúncia de inúmeras ONGs que operam na região.

Em pouco menos de uma semana, os rebeldes do M23, muito melhor armados e equipados do que o exército congolês, chegaram às portas de Goma, a principal cidade do Kivu do Norte. "Ontem à tarde – continua Giannese – exército e rebeldes se enfrentaram na periferia da cidade. O exército congolês também disparou vários tiros de artilharia contra as posições do exército ruandês (posicionado na fronteira). Disseram-me que houve vítimas. Mas é difícil dizer quantas".

Quem paga a conta, como sempre, é a população civil. Calcula-se que até a metade deste ano, no Kivu do Norte, havia 800 mil deslocados. A crise causada pelo M23 criou mais 260 mil refugiados aos quais se somam os 60 mil refugiados em Ruanda e Uganda. No Kivu do Sul, há outros 900 mil deslocados.

"O sonho de todos – conclui Giannese – é voltar a viver nos seus vilarejos, cultivar o seu campo bem e saciar a família. Ao contrário, nos campos de refugiados, eles dependem em tudo e para tudo das organizações humanitárias. Quem consegue, trabalha como operário braçal ganhando uma ninharia. As piores condições são as das camadas mais vulneráveis: idosos, deficientes, órfãos. Tentamos ajudá-los, fornecendo alimentos, roupas ou mesmo estando perto deles. Mas a situação é realmente difícil".

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