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O crescimento e a distribuição progressiva na América Latina

A classe média argentina aumentou de 9,3 para 18,6 milhões de pessoas, entre 2003 e 2009, uma ascensão que em termos relativos à população total é a mais importante da região, seguida por Brasil, Uruguai e Colômbia, informou o Banco Mundial.

A reportagem é publicada no jornal Página/12, 15-11-2012. A tradução é do Cepat.

Segundo detalhou para o jornal Página/12, o economista chefe para a América Latina, desta entidade, Augusto de la Torre, em 1995 a classe média representava 38% da população argentina, em 2003 baixou para 24% e na atualidade representa 46%. A tendência de crescimento dos setores médios se repete na região, onde se registrou, desde 2000, uma ascensão de 103 para 152 milhões de pessoas nessa condição. O que explica a destacada evolução do caso nacional (Argentina) são as políticas de redistribuição de renda, o crescimento econômico e a inusitada destruição das camadas médias que produziu a crise de 1998-2001, o que determinou que o “ponto inicial” fosse muito baixo.

Para o Banco Mundial, 30% da população da América Latina pertence aos setores pobres, 38% aos vulneráveis, 30% à classe média e os 2% restantes são ricos. De 1995 a 2010, a pobreza baixou de 44% para 30%. Portanto, 40% dos lares ascenderam de “classe socioeconômica”. A maioria dos pobres que ascendeu não se integrou diretamente à classe média, mas passaram a fazer parte dos “vulneráveis”, que atualmente é o setor social mais numeroso da região. A porcentagem de pobres igualou ao da classe média, sendo que há dez anos era 2,5 vezes maior. Os dados derivam do relatório “A mobilidade econômica e o crescimento da classe média na América Latina”, que foi apresentado ontem.

Para o Banco Mundial, para uma família, de quatro membros, pertencer à classe média seu rendimento deve estar entre o equivalente a 14.600 dólares e/até 73.000 (entre 10 e 50 dólares por dia per capita). Este nível de rendimento proporciona “uma maior capacidade de recuperação diante de eventos inesperados e reflete uma menor probabilidade de voltar a cair na pobreza”, indica o organismo multilateral. Os setores “vulneráveis” recebem por dia entre 4 e 10 dólares per capita e os segmentos pobres, menos de quatro dólares diários.

A classe média cresceu de 103 para 152 milhões de pessoas na região, e de 9,3 para 18,6 milhões na Argentina. A melhora de 9,3 milhões de pessoas representa 25% da população total. O avanço que é produzido no Brasil é de 22%, seguido pelo Uruguai (20%) e Colômbia, com 16%. O desempenho destacado no caso local se explica porque o crescimento econômico e a redistribuição de renda, por meio de impostos e subsídios, contribuíram quase em partes iguais para gerar esse resultado. Em outros países, o peso do crescimento resultou muito maior, sem ter tanta importância a ação redistributiva. A melhoria argentina também tem a ver com o piso muito baixo, do qual se parte, depois da forte deterioração que os setores médios sofreram na crise de 1998-2001, que significou o fim da convertibilidade.

“A experiência recente na América Latina e Caribe mostra ao mundo que se pode oferecer prosperidade para milhões de pessoas por meio de políticas que encontrem um equilíbrio entre o crescimento econômico e a ampliação de oportunidades para os mais vulneráveis. Representa uma mudança estrutural histórica”, destacou Yong Kim, e acrescentou que isto “se deve às políticas implementadas pelos governos”.

Outro resultado destacado pelo Banco Mundial é verificado no Brasil, que é responsável por 40% do crescimento da classe média na região. Na Colômbia, 54% da população melhorou seu nível econômico, entre 1992 e 2008, e no México 17% da população se uniu à classe média, entre 2000 e 2010. Ao contrário disto, a instituição advertiu que o avanço foi muito menor na Guatemala e Paraguai.

“Lamentavelmente, apesar do movimento ascendente dos rendimentos ao longo da vida de uma geração, a mobilidade intergeracional continua sendo limitada na América Latina”, adverte o relatório, o que implica que a origem econômica e social dos pais continua tendo um papel substancial para definir o futuro econômico dos filhos.

Em nível qualitativo, o Banco Mundial explica que na América Latina os donos e donas de casa, da classe média, têm mais anos de escolaridade que os setores pobres, tendem a viver em áreas urbanas e é mais provável que sejam empregados formais do que autônomos, desempregados ou empregados. Em termos setoriais, a classe média encontra-se com maior frequência nos serviços como saúde, educação, serviços públicos e na produção. O tamanho médio da família é de 2,9 indivíduos.

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