Índio morreu com três tiros, afirma polícia

Revista ihu on-line

Gauchismo - A tradição inventada e as disputas pela memória

Edição: 493

Leia mais

Financeirização, Crise Sistêmica e Políticas Públicas

Edição: 492

Leia mais

SUS por um fio. De sistema público e universal de saúde a simples negócio

Edição: 491

Leia mais

Mais Lidos

  • A Igreja precisa mudar a forma de escolher seus bispos

    LER MAIS
  • Após 11 anos, FMI ronda o Brasil a convite de Meirelles

    LER MAIS
  • Terceirização, uma solução de terceira para a economia

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

12 Novembro 2012

Um laudo feito a pedido da Polícia Civil do Pará atestou que o índio Adenílson Munduruku, 28, morreu em decorrência de três ferimentos provocados por arma de fogo.

Líderes da etnia apontam um delegado da Polícia Federal como responsável pelos disparos e dizem que Adenílson, enterrado ontem em Jacareacanga (PA), foi "executado" durante confronto com a PF na quarta-feira, na divisa entre Mato Grosso e Pará.

A reportagem é de Rodrigo Vargas e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 10-11-2012.

"Eles atiraram nas pernas, para que ele não pudesse fugir, e depois deram um tiro na cabeça para matar", afirmou Adonias Kaba, índio mundurucu que é vereador pelo PSDB em Jacareacanga.

Anteontem, Kaba integrou uma comissão que esteve na aldeia Teles Pires, onde Adenílson vivia. Segundo ele, o clima é de "medo e tristeza".

"Estão todos em choque, sem saber o que mais vai acontecer. A polícia invadiu a aldeia e atirou nas casas, jogou bomba", disse.

Segundo ele, o único gerador de energia e todas as canoas e embarcações a motor da comunidade foram inutilizadas. "Fuzilaram as canoas. Ninguém pode pescar."

O vereador disse que há na aldeia testemunhas da morte de Adenílson. "Eles viram quando o delegado atirou e o índio caiu no rio e afundou. Agora o que queremos é investigação séria e justiça."

Segundo a coordenação local da Funai (Fundação Nacional do Índio), um relatório sobre o episódio seria encaminhado ontem ao comando do órgão em Brasília.

"Além do laudo cadavérico, vamos encaminhar depoimentos de vários índios da etnia", disse o coordenador da Funai Raineri Quintino.

O confronto entre índios e PF ocorreu durante uma das ações previstas na decisão judicial que deflagrou a Operação Eldorado, que desarticulou um esquema de exploração ilegal de ouro na região.

Ontem, em nota, a PF disse ter sido vítima de uma "emboscada" dos índios, após uma reunião de quatro horas no dia anterior na qual haviam chegado a um acordo sobre a operação.

"O líder indígena atacou o coordenador da operação, dando golpe de borduna em seu ombro. Mais de cem índios 'pintados para a guerra' atacaram com armas de fogo e arcos e flechas cerca de 35 policiais", disse o texto.

Segundo a PF, um grampo telefônico "comprova que havia intenção do líder indígena em atacar os policiais".

No confronto, ainda segundo a nota, os policiais usaram bombas de gás para proteção pessoal e, em seguida, "a força necessária".

A PF nada disse sobre a morte do índio. Afirmou apenas que, até o momento, há um saldo de nove feridos: seis índios e três policiais. Em razão do conflito, 19 índios foram detidos e depois liberados. A PF diz que apreendeu 15 armas de calibres diversos, além de bordunas, arcos, flechas e facões.