Welby, um arcebispo ''antiglobal'' à frente da Igreja da Inglaterra

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12 Novembro 2012

Foi possível entender de que é feito o novo líder espiritual dos anglicanos em um dia do último verão, quando o presidente da Barclays, Sir David Walker, apresentando-se com uma certa ousadia diante dos Lordes, encontrou-se investido por uma pergunta que era uma espadada no coração: "Mas por que vocês, banqueiros, são tão ávidos? Por que vocês se enriquecem especulando o dinheiro dos outros?". Justin Welby, à época, era o bispo da diocese de Durham e também era um dos representantes na Câmara Alta em Westminster da Igreja da Inglaterra. Todos sabiam que o filho de 56 anos de um comerciante de uísque e amigo da família Kennedy e de Jane Portal, uma das secretárias de Winston Churchill, tinha (e tem) rancor dos patrões e dos padrinhos da City, o centro financeiro de Londres.

A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada no jornal La Repubblica, 09-11-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Mas poucos pensavam que alguém assim, apesar dos estudos em Eton e em Cambridge (história), apesar da alta educação, apesar do seu passado de perfeito "homem de negócios", pudesse lançar publicamente o seu desafio ao número um de um gigante do crédito como o Barclays. E menos ainda eram aqueles que, estando vaga a cadeira de arcebispo de Canterbury depois da saída de Rowan Williams, apontavam para a ascensão desse senhor ao sólio máximo anglicano. E, ao invés, a Crown Nominations Commission, após muito debate na cristandade inglesa, no fim, chamou justamente ele: portanto, será "o fustigador" da City que irá comandar (depois de sua majestade, que é a sua máxima autoridade simbólica) o rebanho dos fiéis.

Quem arriscaria, naquele dia de verão, tal previsão? Deboche do destino. Na capital mundial das finanças, a Igreja da Inglaterra escolhe ser governada por um homem (casado e pai de cinco filhos) e por um bispo-lorde que, da reforma bancária e da necessidade de controles rígidos sobre o que os "magos" das taxas e dos mercados combinam no segredo das suas "salas de guerra", faz o seu moderno evangelho.

E não por inspiração divina súbita, mas porque Justin Welby conhece bem a City e conhece bem os "pecados (palavras suas) que as grande companhias cometem". Ele trabalhou na Square Mile e serviu ao capitalismo internacional.

Sim, história interessante a do novo arcebispo de Canterbury. Ele percebeu tarde o "chamado de Deus" (mais uma vez palavras suas). Depois da graduação e dos doutorados de pesquisa, Justin Welby, não ainda prelado, havia encontrado emprego nas companhias petrolíferas (na Elf francesa e na Enterprise Oil PLC). Tornara-se seu gerente, viajava entre Londres, Paris e África, nas áreas de extração no Níger ("Vi muitos colegas presos por corrupção"), tornara-se um apreciado "trader" dos famigerados títulos derivados. Depois, em 1987, a tragédia que mudou a sua vida: a morte de sua filha. A dor, a reflexão, a ordenação na Igreja da Inglaterra.

Justin Welby imediatamente começou a pregar contra os ávidos desejos das finanças alegres e ladronas, observadas tão de perto: em um artigo de 1997, intitulado "A ética dos derivados” ele já explicava a estrutura e o engano dos futures, dos swaps, dos contratos "prontos antes do término", e concluía: "São instrumentos poderosos, precisam de monitorias severas". Uma voz que nunca chegou aos andares superiores da City: nada menos do que 10 anos antes de que as finanças fossem sacudidas pelas suas próprias criaturas diabólicas.

O novo arcebispo de Canterbury agora desembainha novamente os seus ensinamentos. Pode fazê-lo: top managers e top bankers sem escrúpulos estão na mira. Ele elogia o movimento Occupy London, os antagonistas que acamparam na frente de St Paul: "Eles têm razão. Nessas finanças, realmente há muita coisa que não vai bem". A City encontra seu censor mais perigoso dentro de casa. E não pode subestimá-lo.

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