Barack Obama. Ruim, mas não o pior

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Por: Jonas | 09 Novembro 2012

Para o cientista político Atilio A. Boron, “se Obama era a opção ruim, Romney era muito pior. O primeiro é um representante do capital, mas o segundo é o capital em suas versões mais degradadas e delinquentes”. Seu artigo é publicado no jornal Página/12, 08-11-2012. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Escassamente, a metade da população maior de 18 anos (longe do recorde da eleição de John F. Kennedy, em 1960: 62,8%) se aproximou, na terça-feira, das máquinas de votação para enfrentar um cruel dilema: a quem eleger? Colocando de um lado a retórica dos dois candidatos, e as inverossímeis promessas reiteradas por seus comandos de campanha, a eleição era entre o ruim e o pior. E ruim porque, como as estatísticas oficiais demonstram cerradamente, a situação dos assalariados que constituem a vasta maioria da população dos Estados Unidos não só não melhorou, mas, em comparação com seus concidadãos mais ricos, piorou sensivelmente. Um exemplo basta e sobra: segundo o Escritório do Censo, em 2010, o rendimento médio de uma família foi de 49.445 dólares, ou seja, 7,1% abaixo da média de 1999. E, devido ao aprofundamento da crise econômica geral, nos dois anos posteriores esta tendência, longe de se reverter, se acentuou.

Caso essa família, como fizeram em gerações anteriores, quisesse enviar um de seus filhos para cursar um mestrado, por exemplo, na Harvard Kennedy School, teria que encarar um custo total (matrícula mais seguro médico, mais alojamento e alimentação) de 70.802 dólares anuais, o que explica o fenomenal endividamento da família padrão, nos Estados Unidos, e o fato de que cada vez restem menos estudantes norte-americanos nas universidades de elite desse país. Porém, aquela média é enganosa, porque a família padrão afro-americana tem, segundo o mesmo organismo oficial, um rendimento médio de 32.068 dólares, e os latinos de 37.595. Se uns e outros esperavam mais de um presidente afro-americano, suas esperanças se esvaeceram durante o primeiro turno de Obama.

Por isso, dizemos que elegeram o mal que resgatou bancos, fundos de investimento e grandes monopólios – cujos CEO continuaram cobrando dezenas de milhões de dólares ao ano, por salários, prêmios, compensações, bônus e outras tramoias do estilo – enquanto que o salário-hora dos trabalhadores permanecia ajustado pela inflação, em níveis de fins da década de 1970. Em termos práticos: mais de trinta anos sem um aumento efetivo da remuneração horária! Sem falar de outras ações do insólito Prêmio Nobel da Paz, tais como escalar até o inimaginável a política traçada por George W. Bush de assassinatos seletivos mediante a utilização de drones (em países com os quais os Estados Unidos nem sequer está em guerra, como o Paquistão, Palestina e Iêmen); o vil linchamento de Khadafi; o mafioso assassinato de Osama Bin Laden diante de sua família, ao estilo de massacre perpetrado por Al Capone e seus rapazes, na noite de São Valentim de 1929, em Chicago; a desenfreada espionagem interna e externa e a intercepção de correios, mensagens de texto e telefonemas sem nenhuma ordem judicial, denunciada pela American Civil Liberties Union, entre outras belezas nesse estilo.

Contudo, se Obama era a opção ruim, Romney era muito pior. O primeiro é um representante do capital, mas o segundo é o capital em suas versões mais degradadas e delinquentes. Suas ligações com os fundos abutres, entre eles um que assombra a Argentina, são bem conhecidas; seu absoluto desprezo pela sorte dos trabalhadores de seu país foi inocultável. Com uma crítica racista e classista, fulminou 47% da população que “não paga impostos” e acredita que o governo deve lhes oferecer saúde grátis, educação, moradia e comida. Este comentário, tão absurdo como incorreto, empiricamente falando, foi agravado por Paul Ryan, seu candidato à vice-presidente, imposto pelo Tea Party. Em seu delírio reacionário, Ryan chegou a dizer que a “rede de segurança social”, que há nos Estados Unidos, se converteu numa cômoda rede onde os pobres dormiam uma tranquila sesta, confiando que o Big Government viria satisfazer suas necessidades.

Como se o dito anterior não fosse suficiente, Romney se encarregou de dizer que reduziria ainda mais o imposto dos ricos (apesar de que vários deles, como o multimilionário Warren Buffet, confessaram que era ridículo e imoral pagar, em proporção, menos impostos que seus empregados) e que apoiaria sem titubear as forças do mercado, ao passo que fez reiteradas declarações que evidenciavam um desbordante belicismo no plano internacional. A Rússia foi caracterizada como “inimigo número um” dos Estados Unidos. Insinuou que lançaria uma guerra comercial com a China (o que teria provocado uma verdadeira crise em seu país) e ameaçava promover ações militares mais enérgicas contra o Irã, Síria, Cuba e Venezuela. Enfim, diante do que disse um verdadeiro monstro político, o qual o reticente eleitorado norte-americano optou, mesmo a contragosto, pelo ruim, convencido de que o outro representava o pior em sua forma quimicamente pura.

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