Siglas de direita perdem 50% dos eleitores

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31 Outubro 2012

Na terceira eleição municipal depois da chegada do PT ao governo federal, a fatia de poder dos partidos mais à direita do espectro ideológico foi fortemente reduzida. O grupo de legendas formado pela trinca PP, PTB e PR (ex-PL), mais o DEM (ex-PFL), somado ao novato PSD, fundado pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab depois de um racha no DEM, governará apenas 13% do eleitorado composto pelas cidades com mais de 200 mil votantes. Em 2000, o bloco conquistou quase o dobro: 25,1%.

A reportagem é de Cristian Klein e publicada pelo jornal Valor, 31-10-2012.

A queda foi puxada pelo DEM, que caiu de 7,7% para 6,1%, mas principalmente pelo PTB, que detinha 13,7% do eleitorado e agora ficará sem nenhum. A sigla, que em 2000 chegou a emplacar a segunda maior prefeitura do país, a do Rio de Janeiro, com Cesar Maia, além de Osasco (SP) e Vila Velha (ES), foi varrida neste ano do grupo das maiores cidades.

A tendência de enfraquecimento destas siglas de direita é um pouco menor, mas ainda assim acentuada, no eleitorado total do país. No mesmo período, caiu de 33,3% para 22%. O DEM, que ganhou sobrevida nas maiores cidades, especialmente com as vitórias em Salvador e Aracaju, não conseguiu estancar a sangria nos municípios menores, e declinou de 13,9% para 4,6% no quadro geral. O PTB também se reduziu a quase um terço, passando de 9,3% do eleitorado brasileiro para 2,98%. O desempenho de PP e PR no período não sofreu grandes oscilações. E o surgimento do PSD, apesar de já nascer como a quarta maior legenda em número de prefeituras governadas, não ajudou a melhorar a performance do bloco. Com vitórias em municípios pequenos, o partido de Kassab impulsiona o grupo das cinco legendas de direita, com 6,2% do eleitorado nacional, mas o desempenho é incapaz de compensar a desidratação pela qual passa o DEM e o PTB.

Os petebistas perderam neste ano em São Paulo duas prefeituras emblemáticas, ambas na região do ABC: Santo André e São Caetano. Na primeira, o prefeito Aidan Ravin foi derrotado pelo petista Carlos Grana, no domingo, deixando escapar o eleitorado de 553.686 pessoas. Na segunda cidade, o partido praticamente perdeu para o próprio partido. Ex-filiado, Paulo Pinheiro, sem espaço na legenda, migrou para o PMDB e acabou impondo uma derrota à Regina Maura, candidata do prefeito José Auricchio Júnior, ambos do PTB. Embora São Caetano não tenha mais de 200 mil eleitores, o revés foi simbólico do enfraquecimento da sigla. Era a mais longeva hegemonia municipal de um partido desde a redemocratização: o PTB governava a cidade desde 1982.

O primeiro-secretário nacional do partido, Carlos Thadeo, afirma que o resultado deste ano preocupa os dirigentes, que já se mobilizam para uma reação ao processo de declínio. Várias são as explicações para o fracasso: o afastamento de postos importantes do governo federal; o impacto do escândalo do mensalão - detonado pelo presidente da sigla, o ex-deputado federal cassado, Roberto Jefferson -; a consequente perda de arrecadação no financiamento de campanha; a criação de novas siglas, como o PSD; além do investimento pesado na candidatura de Celso Russomanno (PRB), da qual o PTB participava com o vice, o advogado Luiz Flávio D'Urso, e que por fim deu em nada.

"Toda eleição é uma guerra, e quando você não tem seus generais em campo ou eles estão reprimidos, a situação complica", diz Carlos Thadeo. O dirigente refere-se às dificuldades de Jefferson, abalado pelo tratamento de um câncer de pâncreas, descoberto em julho, e a concentração de energia do deputado Campos Machado, líder da legenda em São Paulo, na campanha de Russomanno na capital. No Estado, por exemplo, o PTB que elegeu 61 prefeitos em 2008, fez apenas 52 agora.

Uma das principais causas para o esvaziamento do partido seria o impacto do escândalo do mensalão, que pôs a direção do PTB em rota de colisão com os petistas e tornaram a legenda mais visada na hora de arrecadar recursos de campanha. Enquanto o PT, no controle da máquina federal e com mais enraizamento social, teve condições de sobreviver ao episódio, o PTB teria sido alijado dos cargos e ficado ainda mais estigmatizado. "Se você não tem ministério, secretaria, diretoria, não desperta simpatias", diz Thadeo.

O êxodo e a falta de renovação também contribuem, a exemplo do caminho tomado pelos dois últimos ministros do partido: José Múcio Monteiro, titular das Relações Institucionais, entre 2007 e 2009, virou conselheiro do Tribunal de Contas da União, e Walfrido dos Mares Guia (que ocupou a Pasta do Turismo entre 2003 e 2007) rompeu com a direção e hoje é o presidente estadual do PSB de Minas Gerais.

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