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29 Outubro 2012

Encerrado o 2.º turno das eleições municipais, a presidente Dilma Rousseff (PT), o vice Michel Temer (PMDB), o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) descem dos palanques e se movimentam para tirar o melhor proveito dos resultados das urnas. No horizonte de cada um, por menos que admitam, está a sucessão presidencial de 2014.

A reportagem é de Luciana Nunes Leal e João Domingos e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 29-10-2012.

Dilma quer apagar ressentimentos provocados pelas disputas entre partidos da base, diante da hipótese concreta de uma candidatura de Eduardo Campos à Presidência, que poderia dividir os aliados. A presidente também está preocupada em desatar alguns nós do Congresso, para cumprir promessas como a redução nas contas de luz. A medida provisória que trata do tema recebeu 400 emendas de parlamentares e virou uma dor de cabeça para o Ministério de Minas e Energia.

Antecipada a discussão sobre seus possíveis concorrentes em 2014, Dilma tenta desfazer a imagem de inoperância em áreas cruciais, em especial a infraestrutura, prato cheio para os presidenciáveis. Com os prazos apertados para a Copa e para a Olimpíada, o governo corre para lançar o novo modelo de concessão de portos e aeroportos, empurrado para depois do 2.º turno.

Os temas nacionais entraram, nos últimos dias, no discurso de Eduardo Campos, fortalecido desde o 1.º turno por vitórias no Recife e em Belo Horizonte. Em entrevista ao Estado na semana passada, Campos pediu mobilização "de quem é e quem não é da base do governo" e cobrou ações mais efetivas do governo para enfrentar a crise econômica internacional.

O governador e presidente do PSB lembrou a medida provisória da redução do preço da energia emperrada no Congresso. "Se ficarmos discutindo 2014, a energia continuará cara, vai tirar a competitividade da empresa brasileira. Com isso, pode afetar o mercado de trabalho", disse.

Campos elogiou medidas como a redução do IPI dos automóveis, prorrogada pela presidente Dilma, mas pede mais. "Ninguém de bom senso acha que é possível abrir mão desse receituário. Mas todo mundo sabe que é preciso ir além dessas medidas. Como vamos seguir protegendo o mercado de trabalho no Brasil? Como vamos fazer para não importar essa crise com a intensidade que ela chegou a outras nações? Como os prefeitos eleitos agora vão financiar o que foi prometido ao povo?", questionou o governador.

Apesar da redução do número de prefeituras do PSDB entre 2008 e 2012, o tucano Aécio Neves se fortaleceu internamente com a derrota de José Serra e aprofundou a aliança com Eduardo Campos. Aécio endureceu o discurso contra Dilma e o governo, o que deve se manter depois da eleição. O senador tucano pega carona no discurso do "novo", que funcionou na capital paulista com Fernando Haddad, e comemora que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenha falado ontem em "renovação" do PSDB. O mesmo discurso tem sido feito pelo prefeito eleito de Manaus, o ex-senador tucano Artur Virgílio.

Para Aécio, as vitórias de tucanos como Virgílio e Rui Palmeira, em Maceió, ajudam a tirar o caráter "paulista" do PSDB. O mineiro sabe, no entanto, que terá de ganhar visibilidade no mais importante Estado do País, se quiser construir uma candidatura competitiva à Presidência da República. O mesmo vale para Eduardo Campos, que fez campanha para candidatos de seu partido em várias cidades do Sul e do Sudeste, no 2.º turno.

Embora muitos partidos da base da presidente Dilma tenham se enfrentado nas eleições municipais, inclusive o PT e o PMDB, Temer defende a tese de que os dois partidos estão mais próximos. "A aliança PMDB-PT se solidificou nesta eleição", afirmou o vice-presidente, no Rio, semana passada. Com isso, o peemedebista procura afastar novos arranjos eleitorais para 2014, como uma possível oferta da vice-presidência ao PSB de Eduardo Campos.

Temer esteve no Rio para fazer campanha nas quatro cidades onde o PMDB disputou o 2.° turno e foi recebido em almoço oferecido pelo prefeito reeleito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). Paes havia lançado o governador Sérgio Cabral (PMDB) candidato a vice de Dilma, no lugar de Temer, e provocado uma rebelião entre os líderes nacionais do partido. O prefeito carioca recuou e o PMDB se uniu em torno da reedição da chapa Dilma-Temer.

Para os peemedebistas, passadas as eleições, dois assuntos são prioridade: a garantia do PMDB nas presidências da Câmara e do Senado e ministérios mais relevantes no governo Dilma.

Oposição

Os dirigentes dos partidos de oposição afirmaram que jamais na história do País houve uma carga tão forte do governo a favor dos candidatos do PT como no 2.º turno da eleição. A estratégia do governo, de acordo com os oposicionistas, foi esmagar qualquer oponente. Primeiro, os da oposição conhecida, que envolve PSDB, DEM e PPS. Em seguida, partidos da base que disputam com os petistas, a exemplo do PSB.

Nestas circunstâncias, segundo os partidos de oposição, o Palácio do Planalto e o PT adotaram uma "tática terrorista", ao "bombardear" o eleitor com a informação de que sem o alinhamento automático com o governo federal nenhum novo prefeito conseguiria governar.

"A presidente Dilma Rousseff tomou uma atitude muito arriscada, pela qual vai sofrer desgastes e pela qual vai ter de responder por toda a vida. Ela fez chegar ao eleitor a informação de que se não votasse no candidato afinado com o Palácio do Planalto o governo poderia levar as cidades a serem punidas com a suspensão do repasse de recursos", disse o presidente interino do PSDB, Alberto Goldman.

"Tudo isso é muito grave porque contraria o princípio constitucional da independência dos poderes e dos entes da federação. A presidente não pode querer penalizar o cidadão pelo seu ato de exercitar a democracia, que é o ato de votar, de escolher quem ele quer para ser o seu prefeito. Isso é desmoralizante para a própria presidente", continuou Goldman.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), afirmou que o governo federal, "a serviço do PT", trabalhou para exterminar os partidos de oposição, principalmente o Democratas. "Nunca vi nada semelhante ao que aconteceu em Salvador. Juntaram-se a presidente, o ex-presidente Lula e o governador Jaques Wagner para impor no eleitor a ideia de que uma vitória do DEM seria o fim de Salvador, porque sem o alinhamento nenhum recurso seria transferido ao município", afirmou ele.

"No caso do DEM, o que posso afirmar é que o PT agiu com o fígado e não com a razão que a política exige dos partidos que constituem a base de uma democracia. O PT trabalhou para exterminar o DEM. Onde nosso partido concorreu, o PT fez de tudo para acabar com ele. Não conseguiu. Mas, de Mossoró a Aracaju, de Vila Velha a Salvador, todo o trabalho do PT foi feito para nos limpar da face da terra. Sem contar que nós fomos o partido que sofreu o maior ataque dos últimos tempos, feito por dentro, com a ajuda do governo, que foi a criação do PSD a partir do DEM", disse o senador Agripino.

Outro dirigente de partido de oposição, o deputado Roberto Freire (PPS-SP) afirmou que a entrada da presidente Dilma, do ex-presidente Lula e dos ministros do governo na campanha só pode significar uma coisa: "Que o governo tinha medo de ser derrotado". Para ele, se não houvesse esse temor, não seria necessário mobilizar uma máquina tão poderosa para atacar a oposição. "Ficou provado que a oposição tem força. Posso dizer que a oposição cresceu, porque o eleitor cresceu com ela na conscientização de que o governo não pode tudo, não pode impedir as forças contrárias de funcionar."

Para Freire, "o desespero de Lula e de Dilma" ficou demonstrado no momento em que eles viram que não era só a oposição que ameaçava a hegemonia do governo, mas também o PSB do governador Eduardo Campos, aliado desde a eleição de 2002. "O governo e o PT foram derrotados. Não importa se acham que ganharam. No futuro vão perceber que a truculência não funcionou."

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