"Marighella - O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo" . Anatomia de um mito

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27 Outubro 2012

Marighella morreu atirando. Marighella sofreu torturas mais de dez vezes.

Marighella fez uma prova de física em versos no colégio e tirou nota dez.

Marighella é homenageado por Gilberto Gil no final da música "Alfômega" (1969), ao grunhir seu nome ("iê-ma-ma-Marighella").

Quando começou a pesquisa que resultaria no livro "Marighella - O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo", em 2002, o jornalista Mário Magalhães, 48, sabia que tinha como matéria-prima um mito coberto por névoas criadas à direita e à esquerda.

A reportagem é de Mario Cesar Carvalho e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 27-10-2012.

O comunista e guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969) é uma figura onipresente na história da esquerda brasileira por quatro décadas -de 1932, quando participou das primeiras agitações estudantis em Salvador à sua morte, em São Paulo, em 1969, quando era considerado o inimigo número um da ditadura, graças às ações de guerrilha da ALN (Aliança Libertadora Nacional).

Após nove anos e meio de pesquisa, Magalhães descobriu que todas as afirmativas acima são falsas.

1) Marighella não estava armado em 4 de novembro de 1969, quando foi alvejado por quatro disparos de policiais comandados pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury;

2) Ele sofreu torturas uma única vez, em 1935;

3) Não sobrou o registro da nota da prova em verso;

4) Gilberto Gil diz que só repetia onomatopeias em "Alfômega".

Mário Magalhães desfez os mitos em torno do guerrilheiro por uma razão aparentemente simples, segundo ele: só escreve o que pode ser provado por documento ou depoimento.

"A vida real de Marighella é muito mais espetacular do que a mitologia criada por aliados ou inimigos", afirma o autor.

Raio-X - Carlos Marighella

VIDA

Nasceu em Salvador em 5/12/1911. Seus pais eram um imigrante italiano e uma filha de escravo. Morreu em 4/11/1969, em São Paulo, em uma emboscada policial

MILITÂNCIA POLÍTICA

Em 1932 ligou-se ao Partido Comunista. Elegeu-se deputado em 1946. Fundou em 1967 o grupo armado Ação Libertadora Nacional

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