FMI alerta para riscos da forte expansão do crédito

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10 Outubro 2012

O Brasil é um dos países emergentes com risco de crédito mais sensíveis às turbulências na Itália, Portugal, Irlanda e Espanha, aponta o Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado em Tóquio. Só as economias do Leste Europeu estão numa situação menos confortável.

O FMI, que realiza seu encontro anual em Tóquio nesta semana, calculou o quanto o prêmio de risco de um conjunto de 24 economias emergentes é sensível à deterioração do prêmio de risco desses quatro países da periferia da zona do euro. O Brasil aparece como o quarto mais vulnerável, atrás apenas de Bulgária, Polônia e Hungria.

A reportagem é de Alex Ribeiro e publicada pelo jornal Valor,10-10-2012.

Uma alta de um ponto percentual no spread de risco de crédito dos países da periferia europeia - medido pelos "credit default swaps" (CDS), contratos de derivativos que agem como seguro contra a inadimplência - leva a uma alta de cerca de 0,45 ponto percentual no spread de risco do Brasil. No caso de Bulgária, Polônia e Hungria, a alta fica em um pouco mais de 0,5 ponto percentual.

Outros dois países latino-americanos, Colômbia e México, não estão muito melhores do que o Brasil. Seus spreads de riscos de crédito sofrem uma elevação de cerca de 0,4 ponto percentual quando o CDS dos países da periferia da Europa são pressionados. A Ásia, em geral, se mostra menos sensível, segundo o documento do FMI. Hong Kong, por exemplo, sofreria um impacto de cerca de apenas 0,05 ponto.

O relatório do FMI mostra, porém, que o Brasil está relativamente menos vulnerável a uma fuga de capitais estrangeiros de sua dívida soberana, comparado com outros países emergentes. O principal risco que ronda o Brasil é a sua rápida expansão de crédito, que pode se tornar o epicentro de uma crise no caso de uma desaceleração econômica mais forte que leve ao aumento da inadimplência.

Num dos exercícios apresentados no relatório, o FMI investiga o que ocorreria se todo o capital investido por estrangeiros desde a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, nos mercados locais de dívida em nove economias emergentes batesse em retirada de uma só vez.

No caso do Brasil, isso representaria uma fuga de US$ 62 bilhões. Uma das conclusões é que esse movimento dificilmente provocaria uma crise cambial, já que o volume de recursos em questão representa aproximadamente 17% das reservas internacionais brasileiras. No caso do México e da África do Sul, o volume representa cerca de metade das reservas.

Os exercícios do FMI mostram que investidores domésticos brasileiros, como fundos de pensão, fundos de investimentos e bancos, teriam boa capacidade para ocupar o espaço dos estrangeiros no financiamento da dívida pública. No caso de México, Polônia e Indonésia, os bancos teriam que aumentar sensivelmente suas carteiras de títulos públicos, possivelmente reduzindo a oferta de crédito ao setor privado.

Nesta edição do relatório, o FMI volta a expressar preocupação com o rápido avanço de crédito bancário e com a elevação no preço dos imóveis no Brasil e outras economias emergentes. "O crédito bancário se expandiu a uma média anual de 15% nos últimos anos na Ásia e na América Latina, com crescimento particularmente rápido em Brasil, China, Hong Kong, Cingapura e Vietnã", afirma o relatório.

"Nos quatro anos seguintes a 2007, os preços de imóveis subiram perto de 100% acima da inflação nas maiores cidades do Brasil", diz o relatório de estabilidade financeira. O Fundo também volta a chamar atenção para o recente aumento da inadimplência bancária no Brasil. E assinala que as empresas estão mais alavancadas, com dívidas que superam 100% do seu capital em ações.

"Episódios passados de crises indicam claramente que alta alavancagem e queda de lucratividade aumentam a probabilidade de inadimplência de empresas numa desaceleração econômica", afirma trecho do relatório.

O FMI pondera que, para lidar com sinais de superaquecimento de sua economia, o Brasil subiu seus juros básicos e implementou medidas prudenciais mais rígidas. Embora ainda existam riscos e parte desse aperto regulatório tenha sido revertido recentemente, diz o Fundo, a estratégia está se mostrando eficaz. Mesmo assim, o organismo recomenda vigilância redobrada dos supervisores bancários e medidas anticíclicas para preservar a resistência do sistema financeiro.