Erdogan, da Turquia, sonha com uma “São Pedro” própria

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Por: André | 25 Setembro 2012

Tayyp Erdogan quer passar para a história e deixar uma recordação perene de sua fé no Islã. Anunciou a construção de “sua” grande mesquita sobre o Bósforo, muito mais visível que a de Suleiman: uma obra que mudará a “skyline” de Istambul. O lugar em que será erguido o complexo será a grande colina de Camlica (Buyuk Camlica Tepesi), sobre a orla asiática do Bósforo, a 268 metros acima do nível do mar. É um dos lugares mais altos da metrópole, razão pela qual a “mesquita de Erdogan” será absolutamente visível.

A reportagem é de Marco Tosatti e está publicada no Vatican Insider, 22-09-2012. A tradução é do Cepat.

Como se não bastasse, seus seis minaretes (somente a Mesquita Azul tem este número; a de Suleiman, ao contrário, contenta-se com quatro) serão mais altos que os da mesquita do Profeta em Meca, que são muito altos, com seus quase 115 metros. “Construiremos uma cúpula maior do que a que fizeram os nossos antepassados”, anunciou um dos arquitetos que trabalham no projeto. E explicou que o complexo será construído em “estilo clássico”. O anúncio provocou algumas críticas e discussões naquele que era o país islâmico mais laico do mundo. Um professor universitário disse temer que a sala de oração se pareça a um estádio olímpico. Erdogan suscitou críticas e algumas zombarias quando manifestou que está em construção, também em Istambul, outra mesquita “selatin”. Selatin é o adjetivo usado para descrever as instituições religiosas que se faziam em nome do sultão otomano. Um editorialista turco se pergunta: “Acaba Erdogan de declarar seu sultanato?”.

Deixando de lado as polêmicas e o folclore, o que interessa a todos (muçulmanos ou não) é o aspecto religioso da iniciativa. Quando Ataturk chegou ao poder nos anos 20 aboliu o califado (que a Al Qaeda queria retomar) e fechou as “madrasas”. Em março deste ano, o Parlamento aprovou uma lei com a qual se pretende a expansão da educação islâmica; desde então, somente em Istambul, foram abertas 60 novas escolas.

É uma mudança em relação ao passado que se pode sentir também na moda. O véu, para as mulheres, foi conquistando pouco a pouco espaço inclusive nos bairros “europeus”, onde até há pouco tempo era raro, embora, claro, talvez como “véu fashion”. Os edifícios religiosos do passado da cidade, que foram se arruinando com o passar do tempo, agora são restaurados a custos substanciais. E também, recentemente instauraram algumas restrições em relação às bebidas alcoólicas.

Erdogan está certo de ter um grande apoio popular, embora tenha lhe permitido marginalizar um pouco os defensores do laicismo: os militares. Desta maneira, os que se perguntam se Erdogan decidiu reviver o sultanato otomano não ignoram o marcado caráter sunita do Islã de Erdogan; os vínculos cada vez mais estreitos com o Hamas e a fratura com um aliado histórico como Israel; o papel ativo contra a Síria de Assad (alauita, e os alauitas sempre foram vistos com suspeita pelos sunitas, do ponto de vista religioso); a consequência seria um enfrentamento à distância com os “hereges” de sempre, os xiitas, sobretudo iranianos. Além da consolidação de maiores e mais intensas relações com os sunitas mais integrais, os wahabitas da Arábia Saudita e a Irmandade Muçulmana do Egito. Todos territórios que formavam parte do Império Otomano.

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