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22 Setembro 2012

Confrontado com as biotecnologias e as novas técnicas médicas, o filósofo Hans Jonas convida a levar em consideração, de forma responsável, as possibilidades oferecidas pela ciência.

A reportagem é de Alice Lemaire, publicada na revista Témoignage Chrétien, 14-09-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O filósofo Hans Jonas é um dos maiores pensadores da ética contemporânea. Prova disso é a tradução francesa de quatro capítulos de um livro de 1985 sobre as questões levantadas pelas biotecnologias e pelos poderes sobre a vida e sobre a morte. Hans Jonas aplica as ideias desenvolvidas na sua obra fundamental sobre o "princípio responsabilidade".

As biotecnologias e as tecnologias médicas aumentaram notavelmente o poder humano; podem se impôr  como uma necessidade vital e nos dominar, condicionar com o nosso desconhecimento as gerações futuras e ter repercussões sobre toda a biosfera.

Então, é preciso censurar a pesquisa? Não, responde Hans Jonas. Seria ilusório. A própria ciência é "indiferente aos valores". Os valores estão no sujeito. Os potenciais utilizadores dessas técnicas – e particularmente os médicos – são, portanto, remetidos à sua consciência e devem assumir conflitos de responsabilidade.

O poder médico sobre o início e o fim da vida, por exemplo, deve ser avaliado em função do que poderá derivar de mais grave se o médico recusar o ato necessário para a pessoa, mas também para o ambiente global (demografia, peso de determinados atos sobre o equilíbrio global...).

Mais difíceis ainda serão as decisões quando se puder substituir órgãos e expandir os limites da vida. Poderemos deter "a vassoura do aprendiz de feiticeiro" quando criarmos novos seres vivos que poderão se desenvolver e provocar mutações em si mesmos?

"Tentemos aliviar e curar, mas não tentemos ser os criadores da raiz da nossa existência, da sede original do seu segredo", recomenda Hans Jonas, cujo reflexão é caracterizada por um rigor livre de qualquer ideologia.

  • Hans Jonas, L'art médical e la responsabilité humaine. Ed. Cerf, 76 páginas.

 

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