A dificuldade de se construir uma frente de esquerda no Brasil

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18 Setembro 2012

Em debate na USP, o historiador Valério Arcary, do PSTU, enfatizou a inexistência de paralelos entre a ação que levou à origem de uma frente anticapitalista na Argentina, no ano passado, e as tentativas ocorridas no Brasil. Segundo ele, há ritmos diferentes na reorganização da esquerda, e apesar de a situação política atual favorecer essa reorganização, por aqui tal processo ocorre de forma muito lenta.

A reportagem é de Rodrigo Giordano e publicada por Carta Maior, 17-09-2012.

Os desafios de se formar uma frente de esquerda no Brasil nos moldes da estabelecida no ano passado na Argentina foram tema de um dos debates do Seminário Internacional A Esquerda na América Latina, realizado entre os dias 11 e 13 na Universidade de São Paulo (USP). Pablo Rieznik, professor da Universidade de Buenos Aires e dirigente do Partido Operário (PO) do país vizinho, explicou a formação de uma frente unitária por lá, enquanto o historiador Valério Arcary, fundador do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), apontou a dificuldade de o mesmo ocorrer no Brasil.

Em 14 de abril de 2011, o PO se uniu ao Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) e à Esquerda Socialista para a construção da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (Frente de Izquierda y de los Trabajadores, ou FIT). Rieznik, explicou que tal engendramento aconteceu para enfrentar a cooptação dos partidos de esquerda pelos governos burgueses. Além disso, segundo ele, a FIT foi criada para driblar restrições legais que impedem alguns partidos de apresentarem candidatos. Na Argentina há uma lei eleitoral segundo a qual é necessário obter 1,5% do eleitorado nacional em eleição interna que cada partido é obrigado a realizar. Os três partidos sozinhos não teriam como cumprir essas exigências legais.

Elaborou-se um programa de urgência com dez pontos e lançou-se Jorge Altamira, do PO, como candidato à presidência da Argentina. As eleições ocorridas em outubro confirmaram a Frente como novidade política (obteve entre 15 e 20% de votos em Buenos Aires) e como um polo anticapitalista para os trabalhadores.

Valério Arcary enfatizou a inexistência de paralelos entre a ação que levou à origem da Frente de Esquerda Argentina e as tentativas ocorridas no Brasil. Além disso, a colocou como uma experiência muito mais consistente do que as vistas em países da Europa, como Portugal, Itália e Grécia. Segundo o historiador marxista, há ritmos diferentes na reorganização da esquerda, e apesar de a situação política atual favorecer essa reorganização, no Brasil tal processo ocorre de forma muito lenta. Sendo assim, diante de uma crise capitalista tão grave, o desafio das forças revolucionárias giraria em torno das ações a serem tomadas a fim de vencer o modelo neoliberal, ou seja, para sair da marginalidade e avançar no estabelecimento do socialismo.

As questões-chave, para Valério, são a elaboração de um programa e a correlação de forças. Ele exemplifica a dificuldade de avançar nessas questões a partir do fracasso de duas tentativas do PSTU em se juntar com o Psol (na fundação deste e nas eleições presidenciais de 2006) e critica a provável junção de Heloísa Helena e Marina Silva na fundação de um novo partido, o que “só traria mais turbulência à organização da esquerda, um novo obstáculo híbrido policlassista de política regressiva”, diz.

Questionados sobre a intervenção política da esquerda nas eleições, os palestrantes concordaram que esta é tão importante quanto a intervenção política nas ruas. “É necessário defender seu programa no terreno do inimigo, para disputar a consciência do operário médio com os partidos burgueses e partidos reformistas. A luta meramente reivindicativa não serve”, concluiu Arcary.

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