Colômbia mede lucros com pacto de paz

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30 Agosto 2012

A negociação entre o governo de Juan Manuel Santos e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), anunciada segunda-feira, levou economistas a tentar mensurar o quanto a paz, depois de quase meio século de conflito, representaria para a economia de um país cujo maior investimento é em defesa - o orçamento para 2013 prevê US$ 11,8 bilhões para o setor.

"A perspectiva de crescimento pode ser tremendamente mais favorável se analisarmos o fato de que, na verdade, temos gasto 5% do PIB com a guerra e podemos cortar uma parte importante dessa despesa, o que resolveria a parte fiscal do governo", diz o consultor independente Daniel Niño.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, 30-08-2012.

O gasto militar foi fundamental para que na última década o país reduzisse o problema da insegurança pública. A redução do conflito se traduziu numa multiplicação por 10 do investimento estrangeiro direto no período, que alcançou no ano passado US$ 13,2 bilhões.

"Uma situação institucional sólida, uma economia em paz e um ambiente em que as regras do jogo são observadas, de respeito à vida, são elementos centrais para o crescimento econômico e a geração de emprego", afirma o gerente do Banco Central, José Darío Uribe.

De acordo com analistas, a guerra subtrai cerca de 1 ponto porcentual do crescimento anual da economia colombiana, que no ano passado chegou a 5,9%, seu maior patamar nos últimos quatro anos. "O impacto é positivo porque consolida a noção de que o risco de violência vai diminuir, reduzindo o custo do investimento", afirmou Pedro Tuesta, estrategista da consultora 4Cast Inc., em Washington.

Cautela

Os mercados não reagiram imediatamente ao anúncio do governo, uma prudência comum nos últimos anos. Na terça-feira, o mercado secundário da dívida pública interna - os títulos de referência TES com vencimento em julho de 2024 - fechou sem mudanças, com um rendimento de 6,62%. Os índices das ações subiram em média 0,6% e o peso perdeu 0,29% do seu valor frente ao dólar, em razão de fatores externos e não de política interna. "Não temos observado nenhum impacto sobre a tendência ou o movimento das ações e, neste sentido, as pessoas não estão preocupadas com o assunto", afirmou Katherine Ortiz, analista de bolsa da empresa Corredores Associados.

A calmaria nos mercados contrasta com a volatilidade que se verificava havia uma década, quando somente o som das ambulâncias na capital já despertava o temor de um atentado

Para Pedro Tuesta, a reação dos mercados pode ser sido ofuscada pelos assuntos do dia a dia, como a persistente intervenção do Banco Central colombiano, adquirindo dólares no mercado de câmbio, e um ambiente externo atento às possíveis medidas de reativação dos grandes bancos centrais mundiais.

As questões ligadas à economia somam-se ao ceticismo com relação às conversações de paz, que no passado deram pouco resultado. "É um ponto de partida de algo que pode durar anos e cujo resultado é incerto. Neste momento realmente não há nada", disse um economista de um banco.

A bolsa, o peso e a dívida não se alteraram com o anúncio do presidente Juan Manuel Santos, quando afirmou que seu governo mantém conversações exploratórias com os rebeldes das Farc. O presidente acrescentou ainda que um processo semelhante poderá ser iniciado com o Exército de Libertação Nacional (ELN), depois de o comandante Nicolás Rodríguez, líder do grupo, declarar que está disposto a conversar com vistas a um fim do conflito.