Romney busca tirar de Obama o voto dos católicos

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22 Agosto 2012

Em campanha em Ohio, em julho, o republicano Mitt Romney usou uma frase insólita para criticar o presidente Barack Obama. "Todos nós somos católicos agora", disse ele, que é mórmon. Duas semanas depois, Romney visitou o memorial ao papa João Paulo II, em Varsóvia. No dia 11, ele escolheu o católico Paul Ryan, deputado por Wisconsin, para ser vice em sua chapa.

A reportagem é de Denise Chrispim Marin e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 19-08-2012.

Os três atos de Romney tiveram o objetivo de agradar um eleitorado crucial nas eleições de novembro: uma minoria conservadora moderada, mas propensa a votar no Partido Democrata. Das últimas 15 eleições presidenciais, desde 1952, em apenas quatro os católicos deram mais votos aos republicanos, segundo estudo da Universidade Georgetown. Em 2008, 57% dos católicos apoiaram Barack Obama.

Nesta eleição, os dois candidatos a vice - o republicano Paul Ryan e o democrata Joe Biden - são católicos praticantes. Os religiosos americanos, porém, não se movem como uma massa uniforme em torno de questões essenciais para a Igreja, como a condenação do aborto, do casamento entre homossexuais e o combate à pobreza. Biden é a favor do direito de aborto, desde que não seja financiado pelo governo. Também é favorável ao casamento gay e de uma política de ajuste fiscal que preserve os gastos sociais. Ryan, no entanto, quer banir o casamento entre homossexuais, aceita o aborto apenas nos casos em que a mãe corre risco e sua proposta de orçamento para 2013 corta 62% dos gastos federais na área social.

Para Jeffrey Pugh, professor de estudos religiosos da Elon University, na Carolina do Norte, Ryan não foi escolhido por ser católico, mas pela necessidade de satisfazer a sede de um sério ajuste fiscal dos conservadores do partido. Sua presença, porém, pode suavizar a aversão de grupos evangélicos ao mormonismo de Romney.

Orçamento. Entre os católicos, as questões debatidas nas eleições provocam tensões. "A diversidade vai das freiras feministas a vinculados com a Opus Dei, com ênfases diferenciadas sobre questões centrais no debate político", disse. "O orçamento de Ryan tem implicações morais, dos quais a Igreja não pode se esquivar, mas os tradicionalistas equiparam as críticas a um apoio à Teologia da Libertação, à qual acusam Obama de abraçar."

A Conferência dos Bispos Católicos (USCCB, na sigla em inglês) já condenou o orçamento proposto por Ryan e apontou equívocos nos projetos de cortes de gastos elaborados pela Casa Branca, mas disse que se manterá neutra. A entidade convidou Romney e Obama para discursar no jantar de caridade realizado antes de cada eleição, apesar da resistência de setores católicos à presença de Obama.

"Os dois têm posições consideradas ruins pela USCCB", afirmou Kathy Saile, diretora da organização.
A Igreja comprou recentemente uma briga feroz com o governo Obama por causa de uma nova lei que determina que funcionárias de instituições católicas recebam contraceptivos de seus planos de saúde.

A USCCB considerou a medida uma violação da liberdade de religião e deu elementos para Romney, em Ohio, criticar a Casa Branca e declarar que "todos nós somos católicos agora".

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