Desafios da era pós-PC

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21 Agosto 2012

"Cabe, então, às empresas acompanhar de perto os avanços que ocorrem a cada dia nas novas técnicas de interface de usuário (como toque, áudio, vídeo, gestos, busca, social e contexto) e criar um novo caminho para o futuro", escreve Ethevaldo Siqueira, jornalista, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, 19-08-2012.

Eis o artigo.

O mundo vive a era pós-PC. São tempos marcados pela mobilidade e pelo uso crescente de dispositivos móveis, como tablets e smartphones, para acessar conteúdos e aplicações. As mudanças são, na realidade, resultado da ação de quatro forças que atuam ao mesmo tempo no cenário de tecnologia da informação (TI): mobilidade, redes sociais, computação em nuvem e internet, chamadas, no jargão internacional: mobile, social, cloud & information.

No conceito elaborado pelo Grupo Gartner, denominado "nexo das forças" (The Nexus of Forces), esses fatores funcionam como quatro alavancas, cada uma com seu papel e sua função. Assim, o papel da mobilidade, por exemplo, é ampliar as possibilidades de acesso às pessoas. As redes sociais, por sua vez, estimulam novos comportamentos e novas aspirações. A computação em nuvem nos dá novas formas de entrega ou de obtenção de serviços e aplicações. E a informação universalizada pela internet fornece novos contextos às empresas e às pessoas.

Em passado recente, essas quatro forças atuavam quase isoladamente. Atualmente, elas convergem e atuam em conjunto, com grande sinergia. Vale a pena rever esse tema, focalizado na semana passada na Conferência sobre Arquitetura de Aplicações, Desenvolvimento e Integração em TI, realizada em São Paulo pelo grupo Gartner.

O PC hoje. A era pós-PC não significa, necessariamente, que o desktop ou o laptop tenham morrido. Nem que estejam em vias de desaparecer no curto prazo. O computador pessoal, embora tenha perdido a hegemonia do passado e a maior parte do espaço que ocupava nas empresas, ainda deverá ter seu lugar por muito tempo. O fato extraordinário é que dele nasce uma longa cadeia de subprodutos e dispositivos móveis.

Na era pós-PC, o número de dispositivos móveis nas empresas passa a ser muito maior do que o de desktops. E, em 2015, essa proporção será ainda mais desequilibrada. Segundo preveem os especialistas, para cada PC, haverá quatro dispositivos móveis (tablets ou smartphones) nas corporações.

Novos desafios. Um problema sério para muitas empresas é não compreender a importância da mobilidade nem o significado da mudança de paradigmas. Embora a mobilidade nas comunicações tenha praticamente começado com o celular há mais de 30 anos, a grande convergência de tecnologias é bem mais recente.

O mais surpreendente nessa evolução é comprovar os poderosos recursos acrescentados às redes, bem como a cada dispositivo, hoje transformado em poderoso terminal de comunicação e de computação, graças à microeletrônica, à banda larga, à multiplicidade de interfaces, à computação em nuvem, à internet e às redes sociais. Mas torna, também, o novo ecossistema muito mais complexo.
"O lançamento do iPhone, há cinco anos, marca uma mudança rumo a um futuro dominado pelos dispositivos móveis. Smartphones e tablets deixam, então, de ser simples ferramentas de comunicação para se transformar em plataformas de aplicações e de acesso a informações" - afirma David Smith, analista de pesquisa e vice-presidente de pesquisa do Gartner Group.

Na visão desse pesquisador, as mudanças ocorridas com a mobilidade no comportamento humano vieram para ficar. "As pessoas já não executam programas apenas em desktops e notebooks, mas, sim, em dispositivos móveis, que acompanham o usuário onde ele estiver e quando necessitar. Essa revolução da mobilidade cria um novo ecossistema e, daqui para frente, são os dispositivos móveis que vão reinar".

Smartphones e tablets assumem, então, com vantagens, a função que era dos desktops e laptops na maioria dos serviços e aplicações, não apenas para atender às necessidades do usuário individual, mas, em especial, como ferramentas essenciais à computação corporativa.

Nova estratégia. Nesse novo cenário, dizem os especialistas, empresas de TI e corporações em geral devem mudar de estratégia, aprimorar suas aplicações e interfaces para responder ao grande crescimento da demanda por novos canais - como, por exemplo, transação entre empresas (B2B ou business-to-business); entre empresa e empregados (B2E ou business-to-employees) e entre empresa e consumidor (B2C ou business-to-consumer).

Com a universalização da comunicação móvel, torna-se conveniente, em muitos casos, que os empregados tragam sempre seus equipamentos de uso pessoal - estratégia conhecida pela sigla Byod (de Bring your own device). Mas é essencial que esses dispositivos móveis estejam sempre tecnologicamente atualizados.

Novas interfaces. Um dos maiores avanços que a tecnologia oferece nos últimos anos e revoluciona os dispositivos móveis é a interface muito mais amigável e intuitiva proporcionada pelas telas de toque (touchscreen) e pelo comando por gestos.

Além disso, a relação homem-máquina é enriquecida pelos canais de áudio e vídeo. Imagine o valor que assumem a cada dia os comandos de voz nas buscas e ações das aplicações. Por sua vez, o emergente canal de vídeo começa a viabilizar o reconhecimento facial e de gestos.

Cabe, então, às empresas acompanhar de perto os avanços que ocorrem a cada dia nas novas técnicas de interface de usuário (como toque, áudio, vídeo, gestos, busca, social e contexto) e criar um novo caminho para o futuro.

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