Direita francesa dividida sobre o casamento gay

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18 Agosto 2012

Enquanto os católicos eram chamados pelos seus bispos para rezar, na quarta-feira, 15 de agosto, por ocasião da Festa da Assunção de Maria, pelas famílias e para que seus filhos possam "se beneficiar plenamente do amor de um pai e de uma mãe", o governo estava certo de contar com a maioria no parlamento para adotar, em 2013, um projeto de lei que permite o casamento e a adoção por casais homossexuais. A esquerda, na realidade, está unanimemente a favor dessa reforma, que estava entre os compromissos de François Hollande, enquanto a direita e o centro estão divididos.

A reportagem é de Patrick Jarreau, publicada no jornal Le Monde, 16-08-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O jornal Le Figaro colocou na primeira página, na terça-feira, 14 de agosto, uma entrevista com o cardeal Philippe Barbarin, em que o arcebispo de Lyon declarava particularmente: "Sim, é um momento grave. Há uma ruptura de civilizações em querer desnaturalizar o casamento". Dom Barbarin contesta o fato de que a oração redigida pelo cardeal André Vingt-Trois, arcebispo de Paris, no dia 15 de agosto, pode ser rotulada de "homofóbica".

Nesse texto, que expressa os anseios dos católicos pela França, se pede a Deus que "aquelas e aqueles que foram recentemente eleitos para legislar e governar" façam prevalecer "o seu senso do bem comum (...) sobre as demandas particulares".

Uma pesquisa realizada pelo IFOP entre os dias 9 e 13 de agosto com 2.000 pessoas para a revista online La Lettre de l'Opinion, indica que 65% dos franceses são a favor do casamento homossexual, e 53% são a favor da adoção por parte de casais do mesmo sexo. Entre os católicos praticantes, essas proporções são respectivamente de 45% e de 36%.

Os partidos de esquerda, do PS ao PCF, passando pela Europe Ecologie-Les Verts, todos aprovam o casamento homossexual – o Partido Radical de Esquerda até se indignou com a atitude da Igreja Católica, que, segundo ele, não tem "nenhuma legitimidade democrática para interferir no debate político na França" –, enquanto no centro e na direita as opiniões divergem.

O Partido Radical, presidido por Jean-Louis Borloo, é a favor dessa reforma, mas o Nouveau Centre é majoritariamente contrário, assim como o UMP. Este último, no entanto, apresenta opiniões diferentes e está preocupado para evitar, com a aproximação do seu congresso, um choque interno sobre essa questão. Segundo Christian Jacob, que preside o grupo UMP da Assembleia Nacional francesa, o partido "é majoritariamente contrário ao casamento homossexual e possui reservas com relação ao texto que será proposto pelo governo".

O deputado de Seine-et-Marne acredita que "ainda há melhorias a fazer" na lei que introduziu o Pacto Civil de Solidariedade (PaCS), "por exemplo com relação à doação a quem sobrevive por último", mas o casamento "é outra coisa, porque abre o direito à filiação". Essa hostilidade à filiação homossexual, que leva Jacob a se pronunciar contra o casamento gay, inspira em Benoist Apparu uma distinção entre "o reconhecimento social dos amor homossexual", que ele defende, e o acesso à adoção, que ele rejeita. Para o deputado de Marne, é precisou ou "criar uma cerimônia específica para os casais homossexuais" no município, ou "dissociar casamento e filiação".

"A direita está dividida", constata Patrick Balkany (Hauts-de-Seine), que, "muito hostil à adoção por homossexuais", se opõe ao seu casamento, sem se perturbar com o fato de que sua esposa Isabelle se envolva na conversa tratando-o como "velho reacionário". Laurent Wauquiez (Haute-Loire), líder da direita social dentro do UMP, é contrário tanto ao casamento quanto à adoção, assim como a Direita Popular, mas enfatiza que ele luta "contra todas as discriminações".

Ao contrário, deputados como Luc Chatel (Haute-Marne) ou Franck Riester (Seine-et-Marne) são favoráveis ao casamento homossexual, assim como a senadora de Paris Chantal Jouanno, as ex-deputadas Nadine Morano, Roselyne Bachelot e Henriette Martines, e Benjamin Lancar, presidente dos Jeunes Populaires.

Secretário-Geral da UMP, Jean-François Copé, que também é contrário a essa reforma, espera principalmente que a divisão do seu partido sobre o assunto não exploda em praça pública.

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