Três sedes da Copa não garantem água por 24h

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17 Agosto 2012

Cuiabá, Recife e Manaus, três das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, estão entre os municípios que não possuem abastecimento de água 24 horas por dia para toda a população. Nessas cidades, além de a rede não chegar a todas as residências, parte dos domicílios recebe água de forma intermitente, fazendo com que os moradores tenham que usar água de forma controlada. "São cidades que não conseguem ter água 24 horas para a população e não possuem compromisso de fazê-lo para a Copa do Mundo", diz o presidente do Trata Brasil, Édison Carlos, ressaltando que o saneamento foi esquecido como parte das obras de infraestrutura para o mundial. Recife e Manaus, contudo, contestam o executivo e dizem que terão 100% da população atendida até a Copa. Em Cuiabá, os planos avançam até 2015.

A reportagem é de Guilherme Soares Dias e publicada pelo jornal Valor, 17-08-2012.

Mesmo com os avanços no setor, 19% da população brasileira ainda não possui abastecimento de água, segundo dados de 2010 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SNIS), do Ministério das Cidades. Entre as capitais que sediarão a Copa, Recife é a que possui o menor índice de abastecimento: 82,9%. Desse total, 20% da população que vive em morros nas zonas sul, norte e oeste recebem água dia sim, dia não. Em algumas regiões, os moradores chegam a ficar 48 horas sem água. "Hoje 95% da cidade já possui abastecimento. Até 2014, vamos investir R$ 400 milhões para que toda a cidade receba água de forma plena", garante o diretor regional metropolitano da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Rômulo Aurélio.

Segundo a CAB Cuiabá, que assumiu a concessão dos serviços de água e esgoto em abril, serão investidos R$ 315 milhões nos próximos cinco anos. A meta da empresa é universalizar o acesso à água até abril de 2015. "Não há risco de desabastecimento de água em Cuiabá. As deficiências existentes no sistema de distribuição de água decorrem da precariedade das instalações físicas e da falta de investimentos nos últimos anos", justifica a empresa, por meio de nota. A CAB não informou, até o fechamento desta edição, a parcela da população que recebe água de forma intermitente.

Os problemas no abastecimento nos grandes centros são mostrados por dados da Agência Nacional de Saúde que apontam que 55% dos 5.565 municípios podem sofrer desabastecimento de água nos próximos quatro anos. "Isso correspondente a 73% da demanda de água no país", afirmou Carlos, durante a divulgação de ranking que mostra os avanços no saneamento entre as cem maiores cidades brasileiras. O presidente do Trata Brasil reforça que para evitar futuros desabastecimentos são necessários R$ 22 bilhões de investimentos até 2025 para ampliação e adequação de sistemas produtores ou no aproveitamento de novos mananciais.

Em Manaus, 5% da população, que vive na região leste da cidade, recebe água apenas 12 horas por dia, segundo o presidente da Manaus Ambiental, Alexandre Bianchini. Ele garante que até o fim de 2013 toda a população receberá água 24 horas por dia. "Estão sendo investidos R$ 85 milhões para universalizar o abastecimento de água na cidade. O risco de desabastecimento da cidade é zero. Temos o maior manancial do mundo", lembra Bianchini, ressaltando que a empresa assumiu os serviços da cidade há quatro meses.

Já a coleta de esgoto, só chega a todos os domicílios em cinco das cem maiores cidades brasileiras. São elas: Belo Horizonte, Santos (SP), Jundiaí (SP), Franca (SP) e Piracicaba (SP). O tratamento de esgoto, no entanto, não chega a todos os domicílios em nenhuma das cem maiores cidades. Os dados mostram ainda que 54% da população brasileira não possui coleta de esgoto e apenas 38% do esgoto é tratado.

Entre os destaques de cidades que mais avançaram nos últimos anos, Édison Carlos aponta Montes Claros (MG), que está próximo da universalização da água, da coleta e tratamento de esgoto; Maringá (PR), que avançou em redução de perdas e está próximo de universalização de água, coleta e tratamento de esgoto; e São Paulo que investiu R$ 3 bilhões no setor de saneamento nos últimos anos. Na outra ponta, entre as cidades que não acompanharam o ritmo de investimentos do setor nos últimos anos e perderam posições estão Olinda (PE), Maceió, Teresina e São Luís.

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