Um retrato do Brasil indígena: muito além do senso comum

Revista ihu on-line

“Raízes do Brasil” – 80 anos. Perguntas sobre a nossa sanidade e saúde democráticas

Edição: 498

Leia mais

Desmilitarização. O Brasil precisa debater a herança da ditadura no sistema policial

Edição: 497

Leia mais

Morte. Uma experiência cada vez mais hermética e pasteurizada

Edição: 496

Leia mais

Mais Lidos

  • “As ‘dúvidas’ dos quatro cardeais são uma bofetada na cara do Papa”

    LER MAIS
  • Viver o Advento. Artigo de Goffredo Boselli

    LER MAIS
  • Menos de 1% das propriedades agrícolas detém 45% da área rural no país

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

11 Agosto 2012

"Os índios amazônicos têm à sua disposição, hoje, mais de 98% das terras indígenas existentes. Já os indígenas não amazônicos, pouco mais de 50% do total, têm menos de 2% das terras. Em algumas regiões, como a Bahia ou Mato Grosso do Sul, o processo de demarcação de terras é conflituoso e se encontra indefinido até hoje", escreve Spensy Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da USP, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 11-08-2012.

Segundo ele,"não surpreende, assim, que o IBGE agora mostre que 379.534 indígenas moram fora das terras indígenas".

Eis o artigo.

Os números do Censo 2010 consolidam o retrato de um Brasil indígena que está muito além de certos chavões e mostram que o país precisa repensar as imagens que representam de forma mais fiel a realidade desses povos.

Desde que o instituto divulgou, há alguns meses, os primeiros dados sobre esse levantamento já se percebia que o Brasil tem, hoje, mais indígenas no Centro-Sul e no Nordeste do que na Amazônia Legal. Dos cinco Estados com maior população indígena, três estão fora da Amazônia: Mato Grosso do Sul, Bahia e Pernambuco.

Ainda assim, para boa parte da população urbana de São Paulo ou Rio, a imagem mental do que seja um índio "de verdade" está muito mais próxima de um xinguano ou um yanomami do que de um guarani ou um pataxó.

Ocorre que os índios amazônicos têm à sua disposição, hoje, mais de 98% das terras indígenas existentes. Já os indígenas não amazônicos, pouco mais de 50% do total, têm menos de 2% das terras. Em algumas regiões, como a Bahia ou Mato Grosso do Sul, o processo de demarcação de terras é conflituoso e se encontra indefinido até hoje.

Não surpreende, assim, que o IBGE agora mostre que 379.534 indígenas moram fora das terras indígenas. No Centro-Sul e no Nordeste, milhares migram ou residem temporariamente nas cidades por absoluta falta de condições de sobrevivência nas exíguas terras disponíveis.

No Norte também é significativa a presença de indígenas nas cidades. Muitas vezes, essa mobilidade está relacionada à busca pelo acesso a serviços públicos.

O critério da autoidentificação, considerado "soberano" pelo IBGE, sem que se buscasse enquadramento em listas pré-existentes, fez com que a pesquisa chegasse a números surpreendentes de etnias, 305, e línguas, 274.

O resultado deve ser visto como a prova de que continua vigorosa e desafiadora a sociodiversidade brasileira. Ainda há muito para ser pesquisado. Que mais pessoas se identifiquem como indígenas é um dos efeitos do fato de que, hoje, declarar essa herança cultural é motivo de orgulho, e não de vergonha ou temor, como décadas atrás, em tempos de autoritarismo.

Que o Brasil tenha nobreza suficiente para dar condições de sobrevivência a toda essa riqueza humana.

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Instituto Humanitas Unisinos - IHU - Um retrato do Brasil indígena: muito além do senso comum