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02 Agosto 2012

O problema teórico máximo do capitalismo nasceu da observação de um destino de miséria e de injustiças e, ao mesmo tempo, da imaginação de um futuro diferente da humanidade.

A análise é do historiador italiano Lucio Villari, ex-professor da Università degli Studi Roma Tre, em artigo publicado no jornal La Repubblica, 28-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Raramente a prática da economia, a proliferação de objetos e a sua venda foram associadas a uma produção e a uma circulação igualmente prolífica de um pensamento ou de uma teoria que, do uso e da troca, explicasse, além dos objetivos, também os procedimentos, os métodos e as razões. Durante séculos, a economia, mesmo a mais minuciosamente regulamentada – por exemplo, a economia feudal – caminhou por si só, sem "se explicar" nem a si mesma.

Para se ter uma ideia desse ativo não pensamento, basta recordar os longuíssimos tempos do trabalho dos escravos. A escravidão do mundo clássico, com a sucessiva variante dos servos da gleba que durou na Rússia até 1861, foi o input fundamental da produção e da circulação da riqueza (até então principalmente agrícola), mas suscitou apenas poucas e prudentes reflexões filosóficas ou lamentosas consolações religiosas. E, neste último caso, até com muitas considerações com relação ao sistema social que continha a escravidão. Seria preciso chegar até o Iluminismo para ter uma percepção exata do problema, daquele Iluminismo que acompanhou na Europa o surgimento dos "operários", ou seja, do trabalho assalariado, e o declínio econômico do trabalho gratuito dos escravos.

Mesmo entre os "revolucionários" industriais havia uma escassa educação teórico-econômica acerca do que estava acontecendo. O nascimento do pensamento econômico é, portanto, uma derivação, a consequência de um fato: enquanto o pensamento progredia cada vez mais, a ignorância de muitos produtores (sobretudo banqueiros e financistas) permanecia invencível. Ou, melhor, à luz do que acontece, ainda o é. Confirmando, assim, uma opinião pouco conhecida de John Kenneth Galbraith, que, ainda nos últimos anos, alertava contra a imbecilidade dos capitalistas. Imbecilidade perigosa, visível a olho nu, que leva o economista Jeffrey D. Sachs (entrevistado por Federico Rampini no jornal La Repubblica do dia 4 de julho) a dizer: "Por toda a parte vemos uma epidemia de comportamentos criminosos e corruptos nas cúpulas do capitalismo. Os escândalos bancários não são exceções nem erros. São o fruto de fraudes sistêmicas, de uma avidez e de uma arrogância cada vez mais difundidas. Mesmo na Europa, os bancos já contam mais do que os governos. No mundo, impõem-se métodos cínicos à la Rupert Murdoch". E pouco antes revelara: "Em 25 anos de docência universitária, vi uma piora ética também nas grandes faculdades de elite dos EUA: o poder das grandes empresas enfraqueceu o sentido ético entre muitos professores".

Eu pensava nisso folheando o livro de uma jornalista norte-americana, Sylvia Nasar, durante anos correspondente econômica do New York Times. O livro, publicado no ano passado, agora pode (e talvez deve) ser lido na tradução italiana (L'immaginazione economica. I geni che hanno creato l’economia moderna e hanno cambiato la storia del mondo, Ed. Garzanti, 613 páginas).

Na verdade, o subtítulo original é menos pomposo do que o italiano (The Story of Economic Genius), e o título (GrandPursuit) alude a uma "perseguição", a uma "caça", mais do que a uma "imaginação". Mas também é verdade que a imaginação e a fantasia para entender em que tipo de mundo se entrou não faltaram nem a Marx e Engels (com eles é que o livro começa), nem a outros economistas e estudiosos da era industrial do século XIX até os nossos tempos (não só Alfred Marshall e Keynes, mas também Paul Samuelson, Joan Robinson, Galbraith, Gunnar Myrdal, Friedrich von Hayek – autor em 1944 de La via della schiavitù –, Amartya Sen e tantos outros. Agora, acrescentaria justamente o último trabalho de Sachs, Il prezzo della civiltà).

No fundo, as motivações deste e do anterior e extraordinário livro de Nasar, Uma mente brilhante, é de "afugentar", justamente, das sombras e de pôr em grande evidência o problema teórico máximo do capitalismo, no auge do sucesso. Problema nascido da observação de um destino de miséria e de injustiças e, ao mesmo tempo, da imaginação de um futuro diferente da humanidade.

Não era preciso ser anticapitalista para ver ainda no século XIX que ideias diferentes daquelas puramente liberais "podiam ser usadas para promover sociedades caracterizadas pela liberdade individual e pela abundância, em vez da ruína moral e material". Refletindo por um momento, todo o volume de Sylvia Nasar, que é um conjunto muito vivo de narrações, de relatos de vida dos protagonistas, de debates históricos, de ações políticas, de escolhas de governo em paz e guerra, de curiosidades intelectuais e de fortes sentimentos individuais, gira em torno de uma visão, eu diria, "idealista", que, neste caso, corresponde à história verdadeira, isto é, não ideológica, mas sim crítica do capitalismo norte-americano e europeu. No sentido de que aquela que Nasar chama de "inteligência econômica" da realidade capitalista foi, escreve ela, "muito mais importante para os objetivos do sucesso do que o território, a população, os recursos naturais ou a liderança tecnocrática. As ideias são importantes. Ou, melhor, citando uma famosa frase pronunciada por Keynes durante a Grande Crise (de 1929), 'o mundo é governado quase que exclusivamente por elas'".

Uma economia unicamente de fatos leva, definitivamente, ao pior, e não ao melhor. O idealismo neste caso tem uma razão produtiva. Marx demonstrou isso, aparentemente não idealista, mas justamente Keynes o confirmou, convencido de que "as ideias econômicas haviam transformado o mundo mais do que o motor a vapor". Por isso, é necessário imaginar o futuro, pensá-lo antes que os seus rudes ou corruptos construtores o destruam em nome do seu chamado progresso material e da sua chamada civilização do bem-estar.

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