Bachelet é favorita para novo mandato

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26 Julho 2012

A volta ao poder nas próximas eleições presidenciais chilenas de Michelle Bachelet poderá ser a principal consequência da mobilização social que marca o país desde o início do governo do atual presidente, Sebastián Piñera. A ex-presidente socialista, hoje chefe do secretariado para mulheres da ONU, lidera as pesquisas de opinião com percentuais entre 42% e 51%. Do lado governista, o nome mais bem colocado é o do ministro de Obras Públicas, Lawrence Golborne, que oscila entre 7% e 17%.

A reportagem é de César Felício e publicada pelo jornal Valor, 26-07-2012.

Longe do Chile há um ano e meio, Bachelet só deve definir a sua participação no pleito entre novembro e dezembro, segundo o ex-subsecretário-geral da Presidência na gestão de Ricardo Lagos (2000-2006), Jorge Navarrete, da Democracia Cristã, partido coligado aos socialistas, mas a dianteira a empurra para a disputa. "Ninguém trabalha com outro cenário. Nosso problema no Chile é de oferta eleitoral. O sistema está paralisado", afirmou Navarrete. A eleição deve acontecer no final de 2013.

A eleição chilena terá um perfil inédito na história do país. Uma reforma fez com que o eleitorado passasse de 8,1 milhões de votantes em 2009 para 13,4 milhões neste ano, um salto de 65%. Até as últimas eleições, vigorava uma norma introduzida ainda pela ditadura de Pinochet (1973-1990), pela qual o alistamento eleitoral era voluntário, mas o voto, obrigatório. Quem não votasse estava sujeito a punições severas, que poderiam chegar até mesmo à prisão.

O sistema fez com que as inscrições minguassem a cada eleição nos últimos anos e distorceu o eleitorado. A participação de eleitores com menos de 30 anos, por exemplo, caiu de 35% em 1988 para menos de 10% em 2009. Com a reforma, o alistamento tornou-se automático para todo chileno que atinja a maioridade, e o voto passou a ser facultativo. Em alguns distritos, como o de Cuncumen, na região litorânea de Valparaíso, houve um salto da ordem de 924%, passando de 850 para 8.704 eleitores.

O contingente atingido é composto em sua maioria por jovens, muitos deles envolvidos nas mobilizações populares que atingiram o Chile no ano passado. O crescimento do PIB, de 6% no ano passado, um índice de pobreza de apenas 15%, desemprego de 7% e inflação de 3% não impediram o governo de Piñera de perder popularidade de modo acentuado.

Entre maio e novembro, aconteceram 39 atos em Santiago, de acordo com um levantamento divulgado pelo diplomata Carlos da Fonseca, da representação brasileira na capital chilena, em artigo publicado na revista "Política Externa" no início deste ano.

As mobilizações foram lideradas por estudantes. De acordo com o artigo de Fonseca, 85% dos estudantes universitários recorreram a financiamento para pagar seus estudos, e a dívida per capita chega a US$ 60 mil. O ensino universitário público no Chile deixou de ser gratuito por um decreto de Pinochet, dias antes do término de seu governo. A pesquisa do Latinobarômetro mostrou que apenas 16% da população considera justa a distribuição de renda no país, o menor percentual entre os 18 países pesquisados.

A oposição, contudo, terá dificuldades de tirar proveito do novo universo de votantes. Durante as manifestações, um dos lemas dos estudantes era "o povo unido avança sem partido", relata Fonseca. "Essa massa está nas ruas, mas profundamente decepcionada com a política. O quadro mais provável é que aumente muito a abstenção no processo eleitoral, sobretudo em uma eleição em que uma candidatura é claramente favorita", disse a cientista política Marta Lagos, que coordena o instituto de pesquisas Latinobarômetro, especializado em sondagens comparadas na América Latina.

O desestímulo do jovem chileno em participar do sistema eleitoral é o que garante a dianteira de Bachelet, que deixou o governo com índices de aprovação da ordem de 85%. "Ela paira acima dos partidos. Não é identificada como integrante das elites partidárias. A aprovação é dela, e não das forças que a apoiam", comenta o cientista político Claudio Fuentes, da Universidade Diego Portales.

Michelle Bachelet é filha de um brigadeiro que comandou a área de abastecimento no governo socialista de Salvador Allende (1970-1973) e que morreu sob tortura em 1974. Médica pediatra que se exilou na Alemanha Oriental, a ex-presidente ingressou na política como ministra da Saúde e de Defesa no governo de Lagos.

Sua vivência eleitoral praticamente se limita à eleição em que venceu o atual presidente Piñera por uma diferença de mais de vinte pontos percentuais no primeiro turno e de sete pontos no segundo turno. Nos anos 90, disputou e perdeu a eleição para a prefeitura de uma cidade na periferia de Santiago.

Seus potenciais adversários na eleição também procuraram adotar um perfil distante do universo partidário. Golborne é um ex-executivo do grupo de varejo Cencosud, tem perfil técnico e equidistante dos dois partidos da coligação de Piñera, a direitista UDI e a RN, de centro-direita. O terceiro colocado nas pesquisas, o senador Marco Enríquez Ominami, rompeu com a frente de socialistas e democratas-cristãos e fundou seu próprio partido, o progressista. O quarto colocado, o economista Franco Parisi, um independente, sobe nas pesquisas graças à popularidade conseguida na TV.

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