''O Mali é o novo Afeganistão''. Entrevista com Andrea Riccardi

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18 Julho 2012

"Há 18 milhões de pessoas atingidas pela fome no Sahel, que corre risco de morte, e 400 mil desalojados do Mali, em grande parte que passaram para países vizinhos. Temos um novo Afeganistão que está prestes a explodir sob os nossos pés justamente com a islamização do Mali. E ainda nos perguntamos se podemos nos permitir a cooperação?". É um duplo alerta, humanitário e político, lançado por Andrea Riccardi, ministro italiano para a Integração e a Cooperação Internacional, que colocou novamente em marcha a máquina das ajudas ao desenvolvimento.

A reportagem é de Virginia Piccolillo, publicada no jornal Corriere della Sera, 15-07-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

E, convicto de que é um "dever", mas, acima de tudo, "uma oportunidade", ele antecipa a sua batalha cultural e política, e o novo desafio do governo Monti a ser lançado em outubro com o primeiro Fórum sobre a Cooperação: transformar a solidariedade com as áreas de crise por ocasião do desenvolvimento.

Eis a entrevista.

Ministro, mas não são tempos difíceis também para nós, italianos?


Esse é o ponto principal. A cooperação não é um luxo. Eu sei que parece, mas é um erro.

Por quê?

É preciso sair da ótica de que ela é uma atividade apenas para pessoas de bom coração e entender que ela é o índice de extroversão de um país.

Ou seja?

Um país que se projeta na globalização deve fazer cooperação, que não é só solidariedade, mas também conexão robusta do sistema-Itália com os outros. Quando eu viajo pela África, me pedem ajuda ao desenvolvimento, mas também inteligências e empresas italianas: isso significa desenvolvimento para eles, mas também para nós.

Como podemos nos permitir esse desafio ambicioso?

Concentrar-se sobre nós mesmos e dentro das nossas fronteiras nos condena ao declínio. Os italianos que trabalham nesses países, seja empregados das ONGs quanto do Estado, nos ensinam isto: eles não heróis solitários, mas sim construtores do futuro italiano na globalização.

E os cortes?

Nós tentamos freá-los e redistribuir os poucos recursos, fixando novamente as prioridades de intervenção. É preciso olhar longe. E não fechar os olhos para o que pode acontecer.

O que pode acontecer?

Pensemos no Sahel. Parece distante, mas a capital de Burkina Faso fica a 3.500 quilômetros de distância das costas italianas. Helsinki fica a 2.200. As rotas dos traficantes passam por aí. Além disso, a terrível seca cria uma situação explosiva.

O governo vai intervir?

Sim. Demos 3 milhões de euros e meio, e decidimos reabrir o escritório de cooperação no Níger. Eu mesmo irei em dez dias ao Níger para presidir a distribuição de uma parte das ajudas italianas. É uma grave questão humanitária. Há 8 milhões de pessoas necessitadas da ajuda de emergência e, principalmente, mais de um milhão de crianças afetadas pela grave desnutrição. Um verdadeiro drama. Mas atenção: há outras coisas também.

O quê?

É lá que passam as rotas do tráfico de armas e de seres humanos. É necessário intervir onde a emergência se cria. O Níger e Burkina não estão tão distantes das nossas fronteiras. E agora há um perigo que se soma a tudo isso.

Qual?

A Al-Qaeda global está desestruturada, mas realiza políticas territoriais alarmantes. E o Norte do Mali tornou-se um país islâmico liderado pelo Aqmi (Al-Qaeda do Magrebe Islâmico), que, unidos aos tuaregues independentistas, corre o risco de ser o novo Afeganistão. Percebemos isso?

Como ajudar a estabilidade?

Apoiando os países como o Níger, onde estamos presentes com projetos de luta à desertificação e temos parceiros disponíveis.

Que outras prioridades o senhor identifica?

Os países do Chifre da África, como a Eritreia e a Etiópia. Também de lá os migrantes enfrentam viagens loucas. É inútil chorar pelos afogados se não se intervém antes: há 13 anos que um ministro não visitava a Eritreia. E depois há a Somália. No dia 20 de agosto, haverá a conferência que deverá marcar o fim do período de transição. Mas o Quênia está "adoecendo" por causa da desestabilização somali. Embora lá haja haja terrorismo islamista.

Estamos intervindo na Síria?

Sim. Lá, depois de tantas vidas humanas desperdiçadas, há o risco do transbordamento da instabilidade para os vizinhos. Segundo a ONU, são 95 mil os sírios entre o Líbano, a Turquia e a Jordânia. Como o frágil equilíbrio do Líbano irá suportar o impacto? Temos diante dos nossos olhos o perigo do Iraque. É por isso que temos que repensar a cooperação como um elemento que ajuda a estabilidade.

Ela ganhou a fama de buraco negro dos fundos públicos.

Houve erros no passado. Mas hoje existem controles muito sérios. Eu vejo coisas feitas com pouco dinheiro e muita qualidade. Quem trabalha nisso está preparado e é sério. É preciso utilizar o pouco que temos com inteligência. Por isso, no dias 1º e 2 de outubro, promoveremos, junto com a prefeitura de Milão, o primeiro Fórum da Cooperação, no qual também discursará o presidente Monti. O dinheiro também pode ser encontrado com a intervenção dos entes privados. A sociedade pode se mobilizar. Haverá grandes empresas, ONGs, entidades locais, e todos juntos vamos demonstrar que a cooperação é um dever, mas convém à Itália.

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