Amazônia o outro Brasil. Revisitando o Documento de Santarém

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07 Julho 2012

"Não Somos nem colônia nem periferia do Brasil”, afirmou D. Moacyr Grechi, externando sua indignação por sentir uma política de neocolonização da Amazônia, agora pelo grande capital, promovida pelo governo", informa Egon Heck, CIMI-MS, relatando e comentando o Encontro de Santarém, realizado nesta semana, reunindo dezenas de bispos e agentes de pastoral da Amazônia.

E ele descreve: "Chamou atenção quando a comitiva de bispos e agentes de pastoral deixaram o aeroporto de Santarém, o fato de irmos escoltado por policiais em viaturas e motos, com a sirene ligada. Não se tratava de privilégio de autoridades, mas porque na comitiva se encontravam um bispo (Dom Erwin, Ir. Henriqueta... ) que estão sob proteção policial. E assim continua ocorrendo durante todos os deslocamentos do local da hospedagem, até o Seminário Pio X, onde acontecem as atividades. Vamos e voltamos escoltados".

Eis o artigo.

40 anos depois novamente em Santarém se reúnem  os bispos da Amazônia (CNBB Regionais Norte 1, Norte 2 e Noroeste) , para fazer a memória da caminhada, avaliar os erros e acertos e traçar novas estratégias de atuação na região.

“O episcopado do Brasil está esperando muito desse encontro na Amazônia. O documento que será produzido vai ajudar muito a Igreja do Brasil”. Com essas palavras o Secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich, expressou a expectativa quanto esse encontro. Afirmou ainda que há quarenta anos atrás vivíamos numa ditadura militar e hoje vivemos numa ditadura econômica.

À semelhança do Encontro de Santarém, de 1972, que foi apoiado e prestigiado com a presença do então Secretário Geral da CNBB D. Ivo Lorscheiter, novamente a CNBB deposita grande esperança Nesse momento em que “Cristo aponta para a Amazônia’ (Encontro de Santarém-1972) e nela armou sua tenda (Encontro de Manaus 1997).

Muita água rolou nos milhares de rios e igarapés da Amazônia, nestes 40 anos. Porém existe muita semelhança entre os dois períodos, ambos marcados pelo desenvolvimentismo, dos  acelerados milagres econômicos. Constatou-se, que além dos gigantescos impactos destruidores dos grandes projetos, a Amazônia continua sendo tratada como uma espécie de quintal do grado capital protegido e estimulado pelo governo. “Não Somos nem colônia nem periferia do Brasil”, afirmou D. Moacyr Grecchi, externando sua indignação por sentir uma política de neocolonização da Amazônia, agora pelo grande capital, promovida pelo governo.

Chegada escoltada

O pequeno aeroporto de Santarém estava apinhado de chegantes, no dia 2 de julho à tarde. É que de Belém e de Manaus chegavam dezenas de participantes para o encontro dos Bispos da Amazônia. Chamou atenção quando a comitiva de bispos e agentes de pastoral deixaram o aeroporto, o fato de irmos escoltado por  policiais em viaturas e motos, com a sirene ligada. Não se tratava de privilégio de autoridades, mas porque na comitiva se encontravam um bispo (Dom Erwin, Ir. Henriqueta... ) que estão sob proteção policial. E assim continua ocorrendo durante todos os deslocamentos do local da hospedagem, até o Seminário Pio X, onde acontecem as atividades. Vamos e voltamos escoltados.

Há quarenta anos era um grupo de um pouco mais de vinte pessoas, hoje os participantes chegam a quase uma centena, dentro os quais aproximadamente quarenta bispos. A Amazônia Legal passou de menos de 10 milhões para 25 milhões de habitantes. A população que morava majoritariamente no interior, nas beiras dos rios, é hoje  eminentemente urbana, em torno de 72%. A falta de condições dignas de sobrevivência em meio às florestas e rios, deixou o caminho aberto ao grande capital nacional e internacional, para satisfazer sua voracidade. As mineradoras lotaram o subsolo para a exploração de minérios. As serrarias avançam sobre as florestas com seus afiados dentes de ferro e potentes máquinas. O boi e a soja avançam sobre a última fronteira agrícola,  como é considerada a Amazônia para o expansionismo (neocolonialista) do capital, com o estímulo e proteção do Estado brasileiro.

Santarém a partir dos povos indígenas

Conforme D. Pedro Casaldáliga, o único dos participantes de 1972, que está entre nós, o Documento de Santarém foi a primeira carinhosa acolhida  do Cimi, que recém tinha sido criado. A Pastoral Indigenista foi assumida como uma das quatro prioridades. “Apraz-nos apoiar decididamente esse órgão providencial (o Cimi) que já está trabalhando eficazmente a serviço do índio e das missões indígenas...A nova perspectiva surgida com a criação do Cimi, por mais alvissareira que seja não pode dispensar a nossa co-responsabilidade, pelo contrário, além do nosso trabalho rotineiro , teremos que colaborar com o mesmo Conselho assumindo uma estreita comunhão com seus membros...”

Esse assumir da pastoral indigenista-Cimi pelas Prelazias e Dioceses da Amazônia, representou para os povos da região uma um apoio decisivo na luta por seus direitos. Graças a esse trabalho articulado e incentivado pelo Cimi, através da encarnação e solidariedade com os povos originários da região, vários direitos, especialmente da terra, foram conquistados, consolidando-se um esperançoso processo de articulação e organização  que está permitindo uma significativo avanço na conquista de seus direitos e sua autonomia.

Porém grandes desafios continuam. Os mais de 70 grupos que vivem em situação de isolamento voluntário correm sério risco de serem extintos. Várias comunidades lutam pelo seu reconhecimento e garantia de suas terras.  O atendimento à saúde pela Secretaria Especial de Saúde Indígena-SESAI está caótico, com proporções alarmantes como é o caso do Vale do Javari, onde a grande maioria da população (87%) está afetada pela hepatite, já tendo acarretado várias mortes nos últimos tempos.

D. Erwin tem insistido que não seja esquecida a questão indígena no documento que está sendo elaborado e será assumido pelos Bispos das Prelazias e Dioceses da Amazônia. É uma das dimensões importantes da presença solidária e transformadora da Igreja na Amazonia.

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