Eleito, Peña Nieto terá de governar México com minoria no Congresso

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03 Julho 2012

Antes mesmo de assumir o poder, em 1.º de dezembro, Enrique Peña Nieto, eleito no domingo presidente do México com 38% dos votos, terá de provar na prática que sua legenda, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), adaptou-se à democracia. Sem maioria no Congresso, ele terá de se aproximar da oposição para governar.

A reportagem é de Rodrigo Cavalheiro e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 03-07-2012.

Projeções indicam que o PRI perderá a maioria absoluta na Câmara dos Deputados, que detinha desde 2009, e não controlará o Senado. Por isso, o partido terá de fazer o que não se habituou entre 1929 e 2000, quando governou o país, e precisará da oposição para concretizar seus planos de combate à violência, de reforma dos sistemas fiscal, trabalhista, de energia e de previdência social.

Conforme a consultoria Mitofsky, a coligação de Peña Nieto teria entre 221 e 249 lugares na Câmara, composta por 500 membros. No Senado, teria entre 58 e 61 cadeiras de um total de 128. Os números coincidem com estimativas de jornais locais.

Em 20 minutos de discurso no Hotel Presidente, centro da Cidade do México, Peña Nieto, de 45 anos, afirmou que "não haverá trégua para o narcotráfico". Nas últimas semanas, ele rebateu acusações de que o PRI teria compactuado historicamente com os cartéis e, diante de escândalos recentes ligando governadores do partido a traficantes, continuaria com essa política.

"Nos dedicaremos a reduzir as mortes, extorsões e sequestros, que cresceram nos últimos anos", prometeu. Um dos compromissos de campanha de sua coligação com o Partido Verde é a pena perpétua para sequestradores. Outros são "remédios para todos", o "fim da pobreza" e do "sistema de cotas em colégios públicos".

Depois de descartar a possibilidade de uma trégua com o crime organizado, ele garantiu a manutenção do Exército em Estados como Veracruz, Tamaulipas e Michoacán. Peña Nieto disse ainda que governará para todos os mexicanos e elogiou seus adversários - todos admitiram a derrota, exceto Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), de esquerda, que, segundo o Instituto Federal Eleitoral (IFE), teve 31% dos votos. Obrador disse ontem à noite que não aceitará os resultados eleitorais preliminares e contestará judicialmente os resultados se for comprovado que houve fraudes nas eleições. Em 2006, Obrador perdeu por 0,56% e negou-se a admitir a derrota para Felipe Calderón. Nas redes sociais na internet, integrantes do movimento Yosoy132, que há dois meses iniciou uma campanha contra Peña Nieto, prometeram fiscalizar o futuro governo.

"É provável que tenhamos uma mistura entre o velho PRI e o PRI moderno, que Peña Nieto promete. O partido não renovou suas práticas, mas hoje há uma sociedade capaz de exercer um controle maior que há 12 anos", disse o cientista político José Antonio Crespo. Segundo ele, é provável que haja uma disputa interna entre a velha guarda, representada pelo presidente do partido, Pedro Coldwell, e a ala de Peña Nieto.

"Há escândalos envolvendo o PRI a todo o momento, não há razões para crer em mudança. O partido ganhou fazendo uso das estratégias de sempre", disse ao Estado o analista Sergio Aguayo, referindo-se a denúncias de compra de votos.

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