Sem Paraguai, Mercosul pode absorver Venezuela

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27 Junho 2012

A suspensão do Paraguai no Mercosul levará Brasil, Uruguai e Argentina a aprovar, na reunião de cúpula, que começa amanhã, uma resolução para permitir a entrada em vigor de decisões aprovadas apenas pelos três sócios restantes no bloco. A medida, a ser tomada para evitar a paralisação do grupo, pode resultar na aprovação definitiva da entrada da Venezuela como sócio pleno do Mercosul. O tema foi discutido durante a preparação do encontro de ministros a se realizar na quinta-feira. Segundo informações vindas da Argentina, o governo brasileiro parece disposto a sancionar a medida.

A reportagem é publicada pelo jornal Valor, 27-06-2012.

A decisão de aprovar medidas sem a anuência do Paraguai é defendida com o argumento de que, sem ela, quem seria punido seria o Mercosul, impedido de tomar decisões enquanto durar a crise com os paraguaios, provocada pela deposição do presidente Fernando Lugo, por "mau desempenho" no governo.

Na cúpula, em Mendoza, Argentina, deve entrar em vigor a nova lista de 100 produtos em cada país com tarifas mais altas que a Tarifa Externa Comum, autorizada na última reunião de cúpula do bloco, em dezembro. A entrada da Venezuela no Mercosul, aprovada há seis anos em uma cúpula presidencial, foi uma proposta original do Uruguai e Argentina, para contrabalançar o peso do Brasil. Aprovada nos Congressos dos três países, aguardava a decisão do Senado paraguaio, que resistia à medida.

A decisão dos senadores paraguaios, na sexta-feira, de depor o presidente Fernando Lugo em rito sumário e a consequente reação dos sócios, expulsando o Paraguai do bloco, levou os sócios a decidiram suspender O Paraguai do bloco. Há autoridades até no governo brasileiro defendendo que a entrada da Venezuela seria uma resposta à falta de atenção dos senadores paraguaios aos apelos por mais cuidados no processo de impeachment de Lugo.

No fim de semana, diplomatas brasileiros argumentavam que avançar no processo de incorporação da Venezuela nesse momento seria misturar assuntos e prejudicar a clareza da mensagem em favor da democracia no continente, que se pretendia dar com a suspensão do Paraguai. O impulso dado à medida, nas negociações desta semana em Mendoza, indicam que essa preocupação não é compartilhada em outras esferas do governo.

A antecipação das eleições do Paraguai, marcadas para março, seria a solução preferida entre sócios do Mercosul para o impasse com os paraguaios, na avaliação de integrantes do governo brasileiro. A ideia, defendida pelo presidente do Uruguai, José Mujica, ganhou força ontem com a manifestação do presidente da Colômbia, o conservador Juan Manuel Santos, também em defesa da antecipação das eleições.

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, na presidência temporária do Mercosul, tem sido uma das maiores defensoras do isolamento político do Paraguai em reação ao impeachment de Lugo. A iniciativa argentina, na segunda-feira, de televisionar uma teleconferência entre Cristina, Dilma, Mujica e o presidente da China, Wen Jiabao, foi entendida no Brasil como um alerta ao Paraguai - um dos entusiastas do acordo de livre comércio com a China - sobre os prejuízos ao país com a suspensão do bloco.

A Argentina, apesar de promover medidas protecionistas, como a retenção na fronteira de mercadorias do próprios sócios do Mercosul, é entusiasta de um acordo com a China. seria uma forma de mostrar que tem parceiros de peso no cenário internacional, segundo avalia um diplomata brasileiro.

Os chineses queriam até iniciar negociações para um tratado de livre comércio. Enfrentaram resistência velada do Brasil, que prefere tratar com o país em discussões bilaterais e rejeita iniciativas para um acordo comercial - visto como ameaça por associações industriais brasileiras.

Sem decisões de muita importância a tomar, a cúpula em Mendoza caminhava para ter como destaque as tratativas com os chineses, que, por influência brasileira, transformaram-se em acordo de aliança estratégica, jargão diplomático de poucos efeitos práticos. A deposição de Lugo, às pressas e a poucos meses das eleições no Paraguai, alterou as prioridades e impôs aos governos do Mercosul a discussão sobre como lidar com um bloco que, pela primeira vez, terá suspenso um de seus sócios originais. Temas mais delicados, como o fim da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum, que enfrenta posição do governo paraguaio, devem ser adiados. Mas a movimentação para entrada da Venezuela mostra que a suspensão não será inócua para o Paraguai.

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