Secretário-geral da ONU critica falta de ambição do resultado

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21 Junho 2012

A abertura da cúpula de chefes de Estado da Rio+20, ontem, foi marcada por críticas à falta de ambição do documento que resultou das negociações, "O Futuro que Queremos". O próprio secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que esperava um documento final menos tímido.

A informação é publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 21-06-2012.

Em discurso aos líderes de Estado, a presidente Dilma Rousseff culpou a crise pelos avanços limitados e listou as conquistas do texto, entre elas o destaque à erradicação da pobreza e à igualdade racial. O Rio viveu outro dia de protestos, que reuniram milhares contra o retrocesso ambiental.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou ontem que esperava um documento final "mais ambicioso" da conferência mundial sobre desenvolvimento sustentável.

Entretanto, ele relevou: "É preciso entender que as negociações foram difíceis e lentas, devido a ideias conflitantes". O secretário destacou que a conferência não é o fim, mas o início dos compromissos entre os países.

Outras críticas foram menos gentis. Como a da representante dos jovens, Karuna Rana, 24, das Ilhas Maurício: "Este não é o futuro que nós queremos. As crianças e os jovens estão fortemente frustrados com o documento".

"É uma vergonha que tenha sido preparado um texto tão tímido aqui", disse a egípcia Hala Yousry, representante do "major group" (grupo que representa a sociedade civil) das mulheres.

Entre os pontos criticados está a derrubada, por pressão do Vaticano e de países em desenvolvimento, de um parágrafo que falava dos direitos reprodutivos femininos.

O grupo das ONGs pediu que fosse retirada a menção à sociedade civil do texto, pois as ONGs "não endossam o documento final".

O presidente da França, François Hollande, um dos raros líderes de peso presentes, destacou duas deficiências: não transformou o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Ambiente) em uma agência autônoma e não decidiu sobre novos mecanismos de financiamento.

Hollande prometeu que continuará lutando pela mudança de status do Pnuma e defendeu a proposta de criação de uma taxa sobre transações financeiras para mobilizar dinheiro para a economia verde.

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