Rio+20 tem desafio de banir explorações contra os oceanos

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15 Junho 2012

"Em um relatório redigido em 1987, uma comissão independente a serviço das Nações Unidas definiu desenvolvimento sustentável da seguinte forma: 'Suprir as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de suprir as suas próprias necessidades'. Se nós não descobrirmos como fazer isso agora, as baleias, os golfinhos, os tubarões e os recifes de coral vão se transformar em tópicos das lições de história dos filhos dos nossos filhos", escreve Richard Branson, fundador do Virgin Group, em artigo reproduzido pelo Portal Uol, 14-06-2012.

Richard Bronson , megaempresário inglês, é criador do grupo Virgin, que tem 200 companhias em mais de 30 países, incluindo a empresa aérea de baixo custo de mesmo nome.

Eis o artigo.

Os oceanos são a nova fronteira do nosso planeta, com uma área enorme que foi apenas parcialmente explorada e que é pouco regulamentada, e onde tanto os bandidos quanto os cidadãos que respeitam a lei estão saqueando legalmente os recursos planetários. Enquanto entre 15% e 20% da área terrestre do planeta é classificada como "protegida", tendo o status de parques nacionais ou de áreas de preservação ambiental, menos de 1% dos oceanos – que cobrem 70% da superfície da Terra – gozam das mesmas proteções. Essa situação precisa mudar rapidamente porque os nossos oceanos estão morrendo.

Na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá no Brasil no dia 20 de junho, os "Ocean Elders", ou Anciões do Oceano, um grupo de líderes globais que se reuniram para usar a sua influência para promover a preservação ambiental oceânica, rogarão aos chefes de Estado e aos representantes governamentais graduados que elaborem uma legislação internacional que obrigue todos os países a assumir um nível de responsabilidade bem maior em relação à saúde dos nossos oceanos. A conferência é conhecida como Rio+20, em reconhecimento ao fato de que passaram-se 20 anos desde a primeira Conferência da Terra no Rio de Janeiro. É chegado o momento de, nesta conferência, os líderes procurarem implementar mudanças reais.

Como a maior parte da área de alto-mar encontra-se inteiramente aberta para a pesca irrestrita, os oceanos estão sendo saqueados. Uma das piores técnicas utilizadas envolve as redes de arrasto de fundo, que consiste em arrastar redes enormes e pesadas pelo fundo do mar, destruindo corais e esponjas que são vitais para os ecossistemas – aniquilando assim efetivamente a vida marinha. Essa utilização indiscriminada de redes de arrasto é tão ineficiente quanto destrutiva: para cada quilograma de uma espécie de peixe desejada que é capturada por tais redes, cerca de 10 quilogramas de peixes indesejados (chamados em inglês de "by-kill") são desnecessariamente mortos. Não é de se surpreender que estudos conduzidos pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação tenham revelado em 2012 que cerca de 33% das reservas de pescado encontram-se superexploradas, esgotadas ou em recuperação.

Quando mais ficamos sabendo a respeito desse desastre marinho, mais assustador se torna o quadro. A WildAid estima que um total incrível de 1,5 milhão de tubarões estão sendo mortos por semana apenas para a extração das suas barbatanas. Esse comércio está ocorrendo em parte devido ao forte desempenho econômico da China, onde certas pessoas pagam até US$ 100 por um prato de sopa de barbatana de tubarão. Segundo o Grupo Especialista em Tubarões da União para a Preservação da Natureza, mais de 30% das espécies de tubarão encontram-se atualmente ameaçadas de extinção. A WildAid deve ser elogiada pelo fato de os seus esforços incansáveis terem resultado na proibição de vendas de produtos derivados de tubarões em diversas cidades, mais isso não modifica o problema básico.

E a sobrepesca – a atividade pesqueira excessiva e insustentável – e a destruição maciça de ecossistemas marinhos não são as únicas ameaças aos oceanos provocadas pelo ser humano. Nós geralmente só prestamos atenção ao lixo que podemos ver e reconhecer, como o cais de 21 metros de comprimento oriundo do Japão que recentemente apareceu em uma praia do Estado de Oregon, nos Estados Unidos, 15 meses após o tsunami que atingiu a costa japonesa. Mas na verdade são as partículas flutuantes muito menores que provocam danos bem mais graves. Com o passar do tempo, as milhões de toneladas de plástico que são despejadas nos nossos oceanos são fragmentadas pela ação das ondas e pela luz do sol, formando uma mistura de plástico semelhante ao plâncton e que os peixes confundem com a sua alimentação. Peixes comem o plástico e, caso eles sobrevivam, em alguns casos nós acabamos depois comendo esses peixes.

Para fazer frente a esse problema, Doug Woodring, um morador de Hong Kong, inspirou-se no bem sucedido Projeto de Revelação de Carbono, do qual atualmente participam 3.000 empresas, e lançou o Projeto de Revelação de Plástico, com o objetivo de fazer com que haja maior responsabilidade por parte das corporações, das comunidades e dos indivíduos no que se refere à fabricação, ao uso e à eliminação de materiais feitos de plástico.

Organizações como a WildAid e indivíduos como Woodring estão fazendo corajosamente a parte deles para chamar atenção para essa múltiplas ameaças aos nossos oceanos, mas todos nós precisamos ajudar, obrigando os nossos representantes eleitos a tomar medidas urgentes e concretas. Existe uma área enorme de oceano que se encontra vulnerável, e será necessária muita vigilância coordenada para que possamos protegê-la da forma recomendável.

Em um relatório redigido em 1987, uma comissão independente a serviço das Nações Unidas definiu desenvolvimento sustentável da seguinte forma: "Suprir as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de suprir as suas próprias necessidades". Se nós não descobrirmos como fazer isso agora, as baleias, os golfinhos, os tubarões e os recifes de coral vão se transformar em tópicos das lições de história dos filhos dos nossos filhos.

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