Situação dos cristãos na Síria é insustentável, diz jesuíta

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Por: André | 12 Junho 2012

Para o jesuíta italiano Paolo Dall'Oglio, morando há três décadas na Síria e fundador da Comunidade monástica de Mar Musa, norte de Damasco, em Homs a guerra civil já começou. O religioso, com ordens de expulsão, deixou seu mosteiro no final do mês de maio para morar na cidade de Quseir, nos arredores de Homs, onde sangrentas batalhas causam enormes estragos, para rezar em companhia dos poucos cristãos que permaneceram no local.

A reportagem está publicada no jornal francês La Croix, 11-06-2012. A tradução é do Cepat.

O padre falou do que "viu com os próprios olhos" na região oeste de Homs, entre o final de maio e o início de junho, tempo em que passou no território sob o controle dos rebeldes sunitas.

"Eu vim para ficar com as pessoas que foram removidas", disse. Trata-se aqui dos cristãos da região de Quseir, localizada entre a porosa fronteira sírio-libanesa e Homs, epicentro da revolta e da repressão. Sequestrado, um homem de 40 anos, voltou para casa depois de uma semana de captura graças aos esforços do Pe. Paolo. "Ele estava com hematomas espalhados pelo corpo todo," de acordo com ele.

Ele explicou que nas regiões de maioria sunita de Homs, Hama e Idlib, que circundam ao sul e ao leste a montanha de domínio alawi, "uma guerra civil está em andamento". As zonas sunitas, alawi e cristã estão interligadas entre si. "Os cristãos estão no local e sua enorme desvantagem se deve ao fato de que eles são perdedores em todos os campos de batalha."

“A maior parte da sociedade local, muçulmana, me ajudou”

Para ele, a frente das oposições muçulmanas contra o regime está em vias de se radicalizar. "Quanto mais ela se radicaliza, mais os cristãos vão ter que deixar o local", acrescentou. Ele também diz que as forças do governo estabeleceram pontos de controle para proteger a única igreja – greco-católica – e o bairro cristão, e que depois que membros das famílias cristãs locais participaram, conjuntamente com as milícias leais, da repressão contra as moradores sunitas da cidade, os rebeldes começaram a sequestrar cristãos.

O jesuíta disse, por telefone, que "nós estamos no ponto fraco de um sofrimento social que se expressa também assim, que é muito grave e que piora com o passar do tempo". "Haveria um grande trabalho pastoral a fazer, mas é difícil nesta situação", acrescentou. O sacerdote foi acolhido na casa de moradores locais, muçulmanos sunitas. “A maior parte da sociedade local, muçulmana, me ajudou e me apoiou para levar novamente para casa estas pessoas e tentar reconstruir a paz social. Mas não foi possível obter um diálogo mais intenso para acabar com a série de raptos praticados por milícias fora de controle”.

Os dias durante os quais permaneceu em Quseir, teve "conversas com os representantes das várias tendências da oposição armada". Na verdade, a oposição está dividida em várias facções com visões bem divergentes. Entre as facções encontram-se o exército sírio livre ou a brigada al-Farouq, próxima da Irmandade Muçulmana e dos grupos salafistas.

Para Paolo Dall'Oglio, a Cruz Vermelha deveria intervir, em virtude da situação preocupante, e calcula que os 300 observadores da ONU são muito insuficientes.

Ontem, dia 11-06-2012, em entrevista à Rádio Vaticana, Pe. Dall'Oglio anunciou que, depois de 30 anos, está deixando a Síria a pedido da autoridade eclesiástica.

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