Em vez de forçar a mão no consumo, governo deve investir

Mais Lidos

  • Seja feliz no seu novo ano. Artigo de Frei Betto

    LER MAIS
  • A fome, o dragão e o Mercosul: o Brasil na encruzilhada da nova ordem mundial. Entrevista com Fernando Roberto de Freitas Almeida

    LER MAIS
  • Para além dos consensos, a possibilidade de uma vida plural em comum. Entrevista especial com Rita Grassi

    LER MAIS

Assine a Newsletter

Receba as notícias e atualizações do Instituto Humanitas Unisinos – IHU em primeira mão. Junte-se a nós!

Conheça nossa Política de Privacidade.

Revista ihu on-line

Natal. A poesia mística do Menino Deus no Brasil profundo

Edição: 558

Leia mais

O veneno automático e infinito do ódio e suas atualizações no século XXI

Edição: 557

Leia mais

Um caleidoscópio chamado Rio Grande do Sul

Edição: 556

Leia mais

02 Junho 2012

"Economia perdeu vigor por falta de investimento das empresas e do governo e medo do colapso europeu", analisa Vinicius Torres Freire, jornalista, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 02-06-2012.

Eis o artigo.

O pibinho ainda menor que o esperado, expectativa que já era miúda, não vai fazer lá muita diferença a não ser para a política e para as estatísticas do primeiro biênio de Dilma Rousseff.

Para o mundo real, não há novidade. Os problemas continuariam os mesmos ainda que o crescimento do primeiro trimestre tivesse sido de 0,5%, em vez de 0,2%.

O país não vai crescer 3% em 2012, mas 2,5%? Um pouco pior, decerto, mas esse meio ponto pode ser recuperado de modo razoável com um pouco mais de investimento e de sorte. Sim, sorte.

O nosso futuro depende da situação econômica mundial, a respeito do que nada podemos fazer.

O que significa recuperar o atraso de "modo razoável"? Primeiro, é preciso que o governo não entre em pânico politiqueiro e se entregue ao voluntarismo desesperado, à tentativa de tentar estimular ainda mais o consumo.

Dilma Rousseff
está obcecada pela meta de crescimento de curto prazo. Está assombrada pela possibilidade, quase fato, de que o país cresça em 2011-12 a uma taxa parecida com a da média dos anos FHC (2,3%).

Segundo, é preciso dar algum estímulo ao investimento (em máquinas, equipamentos, instalações produtivas). A economia está rateando porque o investimento cai faz três trimestres. Por quê?

1) Porque está relativamente caro investir. O retorno do investimento ("lucro") está menor, pois os custos no Brasil estão altos demais;

2) Por causa do "vai indo que eu não vou". Muita empresa tinha no início do ano planos razoáveis de aumentar a despesa de investimento, à espera da retomada mais forte, que não veio até agora. Como a retomada não veio, as empresas "não foram";

3) Porque a situação da economia mundial é assustadora. Além de andar devagar, quase parando, há o risco de novo colapso financeiro, talvez de dimensão semelhante ao de 2008, aquele que nos provocou a recessãozinha de 2009. Na dúvida, as empresas jogam na retranca;

4) Porque a indústria não cresce. Não cresce porque parte do consumo é capturada por importados e porque a procura de produtos brasileiros anda mal no exterior;

5) Porque falta crédito ou vontade de fazer crediário para a compra de bens mais caros (como carros);

6) Por fim, o investimento não cresce porque a despesa do governo em obras (investimento público) vai mal.

No curto prazo, no próximo ano e pouco, como é possível alterar esse quadro?

Aumentando o investimento público. O setor privado decerto pode investir mais se vir sinais de vida mais animadodores, os quais em alguma medida virão, dados a queda dos juros e os estímulos pontuais ao consumo disso ou daquilo, cortesia do governo.

Mas é difícil acreditar em aumento adicional relevante do consumo, que no conjunto vai bem e não tende a melhorar muito mais, dado o nível de endividamento das famílias. Enfim, o governo não pode se afobar e forçar a barra. Tem de pensar no longo prazo. O que não tem feito.