Os protestantes e o Encontro Mundial das Famílias

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01 Junho 2012

Por ocasião do VII Encontro Mundial das Famílias, que ocorre em Milão entre os dias 30 de maio a 3 de junho, as Igrejas evangélicas protestantes de Milão (batista, metodista e valdense) dirigiram uma saudação à comunidade católica, que se reúne na cidade italiana, manifestando os votos de que esses sejam dias positivos de reflexão, mas também de festa e de encontro fraterno.

Ao mesmo tempo, desejam dirigir aos cidadãos de Milão e à cidade que hospeda o evento alguns pensamentos que expliquem o ponto de vista dessas Igrejas sobre o tema das famílias.

O texto foi publicado na revista Riforma, semanário das Igrejas evangélicas batista, metodista e valdense da Itália, 01-06-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

1. A família é uma instituição humana e não divina. Ela sofreu, ao longo do tempo e dentro das sociedades humanas, transformações que hoje nos levam a reconhecer que devemos conjugar sempre no plural a sua definição e descrição: isto é, falar de famílias, de muitos tipos de famílias e não de uma só, a tradicional.

Em uma realidade feita de luzes e sombras, nas famílias – e, portanto, em todo tipo de agregação de tipo familiar –, além de relações e significados positivos, há também tensões, mas todas as formas de família são preciosas quando afirmam e vivem no amor responsável uma recíproca solidariedade e fidelidade entre os seus componentes.

As várias formas de famílias e de uniões podem encontrar um reconhecimento nas Igrejas. Mas elas devem ter esse reconhecimento sobretudo por parte das instituições e da sociedade civil: um reconhecimento jurídico que dê direitos e reconheça deveres às várias formas de união – também as do mesmo sexo – estendendo a elas o que já está contido na nossa Constituição [italiana] e reiterado também recentemente em sede europeia.

2. Nós, cristão protestantes (batistas, metodistas, valdenses) privilegiamos uma fé pessoal, que se expresse também publicamente, seja na comunidade dos fiéis, seja no testemunho na cidade e na sociedade, com todo o peso que cada escolha comporta em termos de responsabilidade individual, de deveres e direitos que devem ser reconhecidos a toda pessoa.

Mas também devemos dizer que a fé é "comunitária": justamente na dimensão da fé, nos são dados novos irmãos e novas irmãs. Jesus diz que essa é a sua família. E essa família compreende a todos e a todas, também as pessoas que, talvez, quereriam uma família e não conseguiram realizá-la, aquelas que fizeram experiências de vida tremendas precisamente na família biológica, e que, na família de Deus, encontraram relações que sustentam e orientam.

3. Embora respeitando as posições que a defendem, nós, cristãos protestantes, não compartilhamos a noção de "sacralidade do matrimônio e da família" e a exasperação que dela se faz no espaço midiático e público, muito menos tudo o que se deseja fazer descender dessa afirmação. Não há, hoje, necessidade particulares para fazer da família um lugar privilegiado do discurso e da práxis cristã.

Ao contrário, sublinhamos a possibilidade de viver de modo cristão o casal e a família: o casal é uma realidade da boa Criação de Deus, que se torna, com o casamento civil, uma instituição da sociedade, mas que os fiéis vivem como um dom e como um desafio abençoado. O matrimônio, para nós, protestantes, não é um sacramento, mas sim uma expressão particular do amor ao próximo e da aliança da graça que liga os fiéis ao seu Senhor. Mesmo no caso de casamentos interconfessionais e inter-religiosos.

4. Nesse quadro, consideramos também que não se pode penalizar aqueles que se encontram na condição de separados/as ou divorciados/as. Ou aqueles que, depois do divórcio, querem se casar novamente. Ou aqueles que não vivem em casal ou em uma família nuclear. Ou também aqueles que formaram um casal do mesmo sexo. Nesse campo, as comunidades cristãs podem ter um papel de acompanhamento, proximidade e solidariedade nos momentos difíceis ou na alegria, mas sempre respeitando as escolhas pessoais, deixando liberdade e, portanto, não penalizando ou condenando.

Todo âmbito da vida afetiva e relacional é um lugar importante para se viver a própria vocação no discipulado d'Aquele que não sacraliza os nossos projetos de vida, mas os relativiza e os abençoa, na perspectiva do reino de Deus que transforma e redime a nossa humanidade.

Igrejas evangélicas batista, metodista e valdense de Milão

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