Maduro desponta como herdeiro do chavismo

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23 Mai 2012

Quase um ano depois do início do tratamento contra o câncer que obrigou Hugo Chávez a afastar-se dos holofotes, um ex-motorista de ônibus, de sorriso amistoso e bigodes escuros, é a pessoa que aparece cada vez mais falando em nome do presidente venezuelano, alimentando conjecturas de que poderia ser seu sucessor.

A reportagem é de Fabiola Sanchez, da Associated Press e publicada pelo jornal Valor, 23-05-2012.

Nas últimas semanas, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, encabeçou entrevistas coletivas, promoveu uma nova lei trabalhista e criticou com satisfação os EUA. Até se juntou a uma multidão de partidários com roupas nas cores da bandeira venezuelana, amarelo, azul e vermelho, exatamente como Chávez faz de vez em quando.

O maior protagonismo de Maduro alimenta especulações de que poderia ser o candidato a suceder o presidente caso Chávez não possa candidatar-se às eleições de 7 de outubro ou, ao menos, a pessoa que o representará durante os extenuantes eventos da campanha.

"Para mim, o quadro político com melhor formação que Chávez pode contar é Nicolás Maduro", afirmou o jornalista e ex-diplomata Vladimir Villegas, que dirige um programa de rádio.

Villegas disse que Maduro parece eclipsar o vice-presidente Elías Jaua pela "grande conexão com os trabalhadores", o "perfil internacional" que alcançou e por sua "proximidade aos cubanos".

Chávez costuma referir-se com muita consideração a Maduro, um ex-sindicalista do metrô de Caracas, e sempre recorda que saiu-se um bom chanceler apesar das zombarias de alguns opositores por ter sido motorista de ônibus na juventude.

Os dois nutrem grande amizade, que começou na época em que Chávez, então oficial do Exército, formou na década de 80 o movimento subversivo MBR-200, que ficou conhecido logo depois do golpe militar fracassado que o, hoje, presidente encabeçou em 4 de fevereiro em 1992.

O chanceler, de 49 anos, nega estar sendo considerado para ser candidato em outubro. Em declarações à Associated Press, afirmou que a ideia é "uma ridiculez de uma direita derrotada, que vive apenas para a intriga".

De formação marxista-leninista, Maduro teve uma mostra espontânea de sua popularidade durante a marcha realizada pelos governistas em 1º de maio para comemorar o Dia do Trabalho na Venezuela. Choveram aplausos e aclamações quando chegou à concentração com a mulher, Cilia Flores, promotora-geral e importante dirigente governista, e o vice-presidente Jaua.

O recebimento caloroso recebido por Maduro ofuscou outros correligionários, como o deputado Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional; Tareck El Aissami, ministro das Relações Interiores, e a própria Flores, que não despertaram grande entusiasmo.

Pesquisa divulgada em março pela empresa local Datanálisis mostrou intenções de voto de 23% para Jaua e de 20% para Maduro. Entre analistas políticos, contudo, predomina a impressão de que Maduro é o nome com mais possibilidades de ser eleito caso Chávez não possa candidatar-se.

Vários analistas disseram que a popularidade de Jaua se deve mais ao cargo que ocupa do que à sua personalidade, já que é visto como uma pessoa de poucas palavras que passa uma imagem sem muito brilho.

Quando os problemas de saúde de Chávez começaram, houve a impressão de que Jaua assumia papel mais proeminente no governo, mas nos últimos tempos foi Maduro o principal porta-voz do governo, na esteira da ausência prolongada do presidente, deslocando Jaua abertamente.

Maduro é considerado o colaborador de Chávez mais próximo a Fidel e Raúl Castro e à revolução cubana, à qual é ligado desde a juventude, quando viajou à ilha para fortalecer sua formação política e sindical. O presidente costuma expressar grande admiração pela revolução da ilha caribenha.

Maduro e Jaua integram o setor mais radical do governismo e há estreita relação entre ambos, o que leva analistas a descartar possíveis rivalidades pelo controle do governo caso algum deles seja designado por Chávez como substituto político.

O chanceler é uma das poucas pessoas, além do entorno familiar de Chávez, que estiveram perto do presidente em momentos-chave, como suas três operações e os tratamentos realizados em Cuba, desde que o câncer foi detectado há quase um ano.

Assim como o restante do grupo mais próximo a Chávez, o ministro se caracteriza por lealdade incondicional ao governante, sem buscar brilho público e sem fazer muitos discursos.

Sua formação política começou cedo, quando integrou na juventude a Liga Socialista, que não existe mais. Dentro do movimento governista, Maduro começou sua carreira política como constituinte em 1999 e deputado no ano seguinte, até escalar à presidência da Assembleia Nacional em 2005.

Em 2006, assumiu o Ministério das Relações Exteriores e é chanceler com mais tempo no cargo nos 13 anos de governo Chávez.

O jornalista Villegas, dissidente do governismo, disse não estar claro se Maduro assumiria uma linha mais radical ou moderada, caso se tornasse herdeiro do movimento chavista.

"Seria preciso ver se o Maduro com Chávez será o mesmo que sem Chávez", afirmou. "Tudo depende das circunstâncias. Os homens sempre imprimem seu selo pessoal quando as circunstâncias permitem e, então, talvez aí possamos ver um Maduro que vá tentar manter o tom e a essência do processo".

Os analistas estimam que um dos maiores desafios a ser enfrentados por um possível sucessor de Chávez seria conciliar os diferentes grupos rivais, tanto civis como militares, existentes dentro do chavismo.

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