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17 Maio 2012

"Não dá para ficarmos parados e esperar a desgraça chegar para então espernear. O governo federal não quer saber de oitivas, nem de diálogo com os povos ameaçados pelos projetos do PAC", escreve Edilberto Sena, padre coordenador geral da Rádio Rural de Santarém, presidente da Rede Notícias da Amazônia – RNA e membro da Frente em Defesa da Amazônia – FDA, sobre encontro que ocorreu em Itaituba - PA nos dias 09 e 10 de maio.

Eis o relato.

Não dá para ficarmos parados e esperar a desgraça chegar para então espernear. O governo federal não quer saber de oitivas, nem de diálogo com os povos ameaçados pelos projetos do PAC. O que lhes interessa é o Crescimento Econômico goela abaixo. Preocupados com tal estratégia ditatorial do governo Dilma Roussef, vários movimentos sociais da bacia do rio Tapajós se reuniram em mais um encontro na cidade de Itaituba, nos dias 09 e 10 de maio. O objetivo do encontro era analisar a conjuntura das hidroelétricas em construção, no rio Madeira, no rio Teles Pires e no rio Xingu. A partir daí, analisar a promessa do presidente da Empresa de Energia Energética, EPE, sr. Tomasquin, de realizar leilão da primeira e maior barragem de São Luiz do Tapajós e em seguida, unir forças das diversas organizações que lutam em defesa dos povos e do rio Tapajós, para enfrentar e resistir ao absurdo das barragens na região.

Quarenta militantes de várias organizações, desde a cidade de Jacareacanga, Pimental, Mangabal, Itaituba, Campo Verde, Placas, Rurópolis, até Aveiro e Santarém, passaram um dia e meio debatendo, escutando especialistas e tomando decisões. Convidados especiais deram sua contribuição sobre a realidade conjuntural. Iremar Silva, líder da resistência em Rondônia e
Antonia Melo, líder do Movimento Xingu Vivo, deram depoimentos sobre acertos e falhas em suas estratégias de resistência de seus enfrentamentos. Isto serviu de espelho para os militantes do rio Tapajós. Juan Robles, geólogo que estuda os impactos de barragens na Amazônia apresentou uma projeção gráfica do que poderá ocorrer, se deixarem a Eletronorte executar seus planos de barramento do rio Tapajós. Dr. Felício  Pontes, procurador da República salientou a esperança de se unir a luta jurídica com a resistência popular para se impedir os crimes prometidos com os planos de barragens na região.

Com tais alertas feitos, o plenário escolheu uma coordenadora da resistência, a sra. Jesielita Roma e um conselho deliberativo, a ser composto por uma membro de cada comunidade que esteja engajada na resistência. Dois caminhos serão seguidos a partir do encontro, um, continuar com a sensibilização das comunidades do entorno do rio Tapajós e outro, organizar uma estratégia firme de enfrentamento dos passos da Eletronorte. A percepção dos presentes é que não se pode esperar que o governo imponha à força seu plano, sem que a sociedade local tome uma defesa concreta de respeito à dignidade dos povos ameaçados.

O governo brasileiro não tem direito de invadir a soberania cultural e territorial de milhares de brasileiros que vivem na Amazônia e têm direitos a serem respeitados. Ligado a essa invasão de direitos, a presidente Dilma acaba de emitir mais uma espúria medida provisória, que pretende violar a constituição brasileira, para atender seus planos de imensas barragens na bacia do rio tapajós. Ao final do encontro foi redigida uma nota de repúdio assinada por todos os presentes e tornada pública pelos meios de comunicação locais e nacionais.

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