Grupo retoma campanha contra agentes da ditadura

Revista ihu on-line

SUS por um fio. De sistema público e universal de saúde a simples negócio

Edição: 491

Leia mais

A volta do fascismo e a intolerância como fundamento político

Edição: 490

Leia mais

Maria de Magdala. Apóstola dos Apóstolos

Edição: 489

Leia mais

Mais Lidos

  • Francisco prepara seu terceiro consistório para o final de novembro

    LER MAIS
  • Planeta perde 33 mil hectares de terra fértil por dia

    LER MAIS
  • Em 2050, serão necessários quase 3 planetas para manter atual estilo de vida da humanidade

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

09 Maio 2012

Uma nova série de manifestações contra pessoas acusadas de terem participado de atos de violações de direitos humanos, no período da ditadura militar, está programada para a próxima semana. Segundo seus organizadores, os protestos vão se intensificar até que a presidente Dilma Rousseff instale oficialmente a Comissão da Verdade.

A reportagem é de Roldão Arruda e Tânia Monteiro e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 09-05-2012.

As manifestações serão realizadas mais uma vez diante da residência ou local de trabalho de agentes de Estado que supostamente teriam participado de atos de sequestro, tortura e ocultação de cadáveres de prisioneiros políticos. O objetivo é denunciá-los e expô-los publicamente perante a comunidade.

Esse tipo de protesto é copiado da Argentina, onde ganharam o nome de escracho. No Brasil tem sido chamado de esculacho.

Quem assume a responsabilidade pela sua organização é o movimento Levante Popular. Segundo um de seus porta-vozes, Edson Rocha Junior, o objetivo é pressionar a presidente da República a instalar a comissão, criada em novembro. Para que isso ocorra falta nomear as sete pessoas que farão parte dela.

Ainda segundo Rocha Junior, quando a comissão for instalada não haverá mais necessidade desse tipo de protesto.

Os primeiros esculachos foram realizados no fim de março. Em São Paulo, os manifestantes se reuniram com faixas e megafones diante da sede da empresa de segurança privada Dacala, controlada pelo policial civil aposentado David dos Santos Araújo. Usando o codinome Capitão Lisboa, ele teria participado de sessões de tortura, segundo denúncias de ex-presos políticos.

Atos semelhantes se repetiram em diversas partes do País. No dia 31 de março, no Rio, os manifestantes se reuniram diante da sede do Clube Militar para protestar contra a celebração do golpe militar de 31 de março de 1964. Mais recentemente, em São Paulo, eles estiveram diante da residência do médico Harry Shibata, que trabalhava no Instituto Médico Legal de São Paulo nos anos da ditadura.

O Levante da Juventude é ligado ao Consulta Popular, grupo que agrega diferentes movimentos, sem organização formal.

Tensão

Nas Forças Armadas, a proximidade do anúncio, pela presidente Dilma, dos nomes dos integrantes da comissão elevou a temperatura. Particularmente no Exército.

Os militares parecem convencidos de que a comissão terá por objetivo "reescrever a história" e não se conformam com isso. Estão preocupados também porque só se fala em nomes para a comissão que tenham ligações com os chamados grupos de direitos humanos, sem um representante que possa contar a versão deles. Entre os nomes cotados para assumir a comissão estão o do ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, titular da pasta no governo Fernando Henrique Cardoso, o ex-deputado e promotor de Justiça Antônio Carlos Biscaia e a amiga pessoal de Dilma, que foi sua advogada nos tempos de repressão, Rosa Maria Monteiro da Cunha.

A nomeação da comissão, assim como a manifestação de ministros do governo defendendo a revisão da Lei de Anistia, foi objeto de artigo assinado pelos presidentes dos três clubes militares, que acabou gerando uma crise nas Forças Armadas, com a interferência da presidente Dilma, incomodada com o texto e os ataques a ela proferidos.