Estudo indica que aquecimento global pode se tornar extremo nas próximas décadas

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05 Maio 2012

Novas pesquisas sugerem que o aquecimento global está fazendo com que o ciclo de evaporação e chuva sobre os oceanos se intensifique mais do que os cientistas esperavam. Uma descoberta preocupante que pode indicar um potencial maior de manifestações climáticas extremas nas próximas décadas.

A reportagem é de Justin Gillis, publicada no The New York Times e reproduzida pelo Portal Uol, 29-04-2012.

Através de medições das mudanças de salinidade na superfície do oceano, os pesquisadores auferiram que o ciclo do clima acelerou em cerca de 4% ao longo do último meio século. Isso não parece ser muito, mas é um número duas vezes maior do que os gerados pelas análises computadorizadas do clima.

Se a estimativa for confirmada, isso implica que o ciclo da água pode se acelerar em até 20% no final deste século à medida que o planeta aquece, levando possivelmente a mais secas e enchentes.

“Isso fornece outra evidência independente de que precisamos começar a levar a sério o problema do aquecimento global”, disse Paul J. Durack, pesquisador do Laboratório Nacional Lawrence Livermore na Califórnia e principal autor de um artigo publicado na sexta-feira (27) na revista Science.

A análise dos pesquisadores revelou que durante os 50 anos a partir de 1950, áreas salgadas do oceano se tornaram mais salgadas, enquanto as áreas de água doce se tornaram mais doces. Essa mudança foi atribuída a padrões mais fortes de evaporação e precipitação sobre o oceano.

O novo artigo não é o primeiro a descobrir uma intensificação do ciclo da água, nem mesmo o primeiro a calcular que ela pode ser bem grande. Mas o artigo parece reunir mais provas científicas para sustentar a estimativa alta do que qualquer outro artigo publicado até agora.

“Estou entusiasmado com este artigo”, disse Raymond W. Schmitt, cientista sênior da Instituição Oceanográfica Woods Hole em Massachusetts, que fez uma crítica do trabalho antes da publicação, mas não esteve envolvido nele. “O padrão de amplificação que ele vê é realmente bastante dramático.”

O artigo é o mais recente de um longo esforço dos cientistas para resolverem um dos quebra-cabeças mais problemáticos do aquecimento global.

Embora a física básica sugira que o aquecimento deve acelerar o ciclo da evaporação e das chuvas, tem sido difícil descobrir quanta aceleração já aconteceu, e portanto projetar as mudanças que provavelmente resultarão do contínuo aquecimento planetário.

O problema fundamental é que as medidas de evaporação e precipitação sobre o oceano –que cobre 71% da superfície da terra, contém 97% da água do planeta e é o local onde acontece a maior parte da evaporação e precipitação– são na melhor das hipóteses incompletas. Para superar isso, os cientistas estão tentando usar a mudança de salinidade na superfície do oceano como uma espécie de medidor das chuvas.

Isso funciona porque, à medida que a chuva cai sobre um trecho do oceano, ela deixa a superfície da água mais doce. Da mesma forma, numa região onde a evaporação excede a precipitação, a superfície se torna mais salgada.

As variações de salinidade são grandes o suficiente para poderem ser detectadas do espaço, e a Nasa recentemente enviou um novo satélite, o Aquarius, para este objetivo. Mas levará anos para obter resultados, e cientistas como Durack estão tentando ganhar uma vantagem sobre o problema usando observações mais antigas, incluindo medições de salinidade feitas por navios e medições recentes de um exército de robôs flutuantes lançados num programa internacional chamado Argo.

Schmitt alerta que o trabalho de Durack e seus coautores, os pesquisadores australianos Susan E. Wijffels e Richard J. Matear, precisaria ser avaliado e reproduzido por outros cientistas.

Outro especialista que não esteve envolvido no trabalho, Kevin E. Trenberth do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica em Boulder, Colorado, disse que Durack produziu provas intrigantes de que o aquecimento global já estava criando mudanças no ciclo da água em uma escala regional. Mas Trenberth acrescentou que duvida que a intensificação global possa ser tão grande quanto revelou o grupo de Durack. “Acho que eles podem ter ido longe demais”, disse ele.

Assumindo que o artigo resista às avaliações, isso sugere que um aquecimento global de 1 grau Fahrenheit ao longo do último meio século foi suficiente para intensificar o ciclo da água em cerca de 4%. Isso levou Durack a projetar uma possível intensificação de cerca de 20% à medida que o planeja se aquece vários graus no próximo século.

Isso seria aproximadamente duas vezes a amplificação mostrada pelos programas de computador usados para projetar o clima, de acordo com os cálculos de Durack. Esses programas costumam ser criticados por céticos das mudanças climáticas que argum entam que eles superestimam as mudanças futuras, mas o artigo de Durack é a mais recente entre várias indicações de que as estimativas na verdade podem estar sendo conservadoras.

O novo artigo confirma um padrão há muito esperado para o oceano que também parece se aplicar sobre a terra: áreas com muitas chuvas no clima de hoje devem se tornar mais úmidas, enquanto áreas secas devem se tornar mais secas.

No clima do futuro, os cientistas temem que uma grande aceleração do ciclo da água possa aumentar ainda mais os extremos climáticos. Talvez o maior risco do aquecimento global, segundo eles, é que importantes áreas agrícolas possam secar, afetando o fornecimento de alimentos, enquanto outras regiões terão mais chuvas torrenciais e enchentes.

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