Nomeação de Brizola Neto abre crise no PDT

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Por: Cesar Sanson | 02 Mai 2012

O secretário-geral do PDT, Manoel Dias, não esconde seu descontentamento com a presidente Dilma Rousseff após a escolha do deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) para assumir o Ministério do Trabalho. Segundo Dias, Dilma não consultou o PDT antes de apontar o novo ministro. "Ela fez uma escolha individual", reclama.

A reportagem é de Marina Dias e publicada pelo sítio Terra Magazine, 30-04-2012.

"O PDT apenas recebeu a comunicação da presidente de que o novo ministro do Trabalho seria Brizola Neto. Ela não discutiu com o partido", afirmou Manoel Dias em conversa com Terra Magazine. "Nós tínhamos uma posição e a presidente não discutiu com a gente, apenas comunicou o que quis. O partido ainda tem que avaliar tudo isso. Vamos nos reunir primeiro e, depois, expor uma posição coletiva", completou o secretário-geral do PDT.

Após conversa com o ex-ministro do Trabalho e presidente do PDT, Carlos Lupi, e com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, na manhã desta segunda-feira (30), em Brasília, Dilma Rousseff bateu o martelo para Brizola Neto, favorito para o cargo já há alguns meses. Dentro do PDT, porém, uma possível nomeação do deputado sofria forte resistência, inclusive de Carlos Lupi.

Dilma foi convencida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a não passar as comemorações do Dia do Trabalho, nesta terça-feira (1), sem um nome definitivo à frente da pasta que cuida das políticas para o setor.

Tanto Manoel Dias como o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) eram aventados como possibilidades para o Ministério do Trabalho. Cunha tinha apoio do partido, mas Dilma e diversos ministros não o viam com otimismo.

O secretário-geral do PDT afirma que tinha apoio dos colegas, mas, segundo ele, seu nome era vetado pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. "Eu tinha o apoio de 95% do meu partido, mas tinha o veto da ministra Ideli Salvatti… Ninguém sabe o porquê", disse Manoel Dias.

Novo ministro

Brizola Neto vai substituir Paulo Roberto Pinto, que ocupa o cargo há cinco meses como interino, desde que denúncias derrubaram Carlos Lupi do comando da pasta. Neto tem 33 anos e se torna o mais novo ministro da Esplanada dos Ministérios.

Filiado ao PDT desde 1997, é neto do ex-governador Leonel Brizola e foi vereador do Rio de Janeiro antes de ser eleito para seu primeiro mandato como deputado federal, em 2006.