“Bento XVI melhorou sensivelmente sua imagem”

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Por: André | 02 Maio 2012

De uma desconfiança inicial a um grande interesse. Bento XVI é um papa que melhorou sensivelmente sua imagem. De uma figura midiática inicial que o apresentava como o “panzer kardinal” [um cardeal tanque de guerra], um rottweiler da fé, para a realidade de hoje: um intelectual gentil e humilde que aprendeu a mover-se entre as pessoas, uma figura paterna que se fez querer. Um reformador que nunca perdeu de vista sua finalidade: a de anunciar Cristo ao mundo e aproximar a todos da Igreja. Um Papa que enfrentou na linha da frente e sem se esconder dos enormes problemas, como o dos abusos sexuais, ganhando-se assim muito inimigos.

A reportagem está publicada no sítio Zenit, 25-04-2012. A tradução é do Cepat.

Esta é a imagem que emerge a partir de algumas entrevistas que a Zenit fez com vários correspondentes e vaticanistas que acompanham o pontificado de Bento XVI, até mesmo se alguns deles consideram que a dificuldade de se comunicar ainda persiste. Na sequência, apresentamos alguns testemunhos recolhidos pela Zenit.

= Giovanna Chirri, vaticanista da agência italiana ANSA: “Este Papa é um teólogo que, embora tenha se tornado reformador, nunca perdeu de vista sua finalidade: anunciar Cristo ao mundo. Encontrou-se com uma série de problemas; basta pensar nos casos de pederastia e na reforma financeira. Interveio com decisão. Também no vazamento de notícias e aqui interveio dentro do que se podia fazer. Em sua pregação destes dias e na Semana Santa, me parece evidente que sua finalidade principal foi a de difundir a fé e que o mundo seja capaz de anunciar Cristo”.

= Frédéric Mounier, enviado permanente do jornal francês La Croix em Roma: “Descobri aqui em Roma uma realidade diversa sobre Bento do que é sua imagem na França. Este Papa não é um ‘panzer kardinal’, mas um intelectual humilde, muito atento para escutar as pessoas, mas temo que sua posição não seja devidamente escutada hoje porque está fora das regras habituais da comunicação midiática. Porque ele fala em profundidade, porque é um intelectual. Toma o tempo necessário para pensar e não se baseia nas emoções. Portanto, seu pensamento é muito interessante, mas distante da capacidade das pessoas. Creio que seja um grande desafio de seu pontificado”.

= Juan Lara, da agência Efe: “Pessoalmente, sempre tive mais ou menos a mesma percepção sobre Bento XVI, porque sempre acompanhei o Vaticano, mas certamente houve uma mudança. Ou seja, no início de seu pontificado era visto como uma pessoa muito séria, ortodoxa, conservadora. Mas com os fatos demonstrou que é uma pessoa amável com um pensamento social bastante avançado. Um fato significativo durante o seu pontificado veio à tona: os casos dos abusos sexuais e a pederastia. O Papa enfrentou o caso mesmo com a oposição de muitas pessoas, mas importando-lhe apenas a limpeza, e isto é significativo. Ele enfrentou o escândalo de frente”.

= Patricia K. Thomas, da APTN – Associate Press Television News: “Como jornalista o vejo de perto, creio que tenha mudado desde o início do pontificado porque é um homem humilde e disposto a escutar. Se me pedem como é visto nos Estados Unidos, nestes dias com o caso de um grupo de freiras americanas houve uma raiva que se desatou via internet contra ele e o Vaticano. Quem não frequenta a missa pensa que quer levar a Igreja para trás, que escuta mais os lefebvrianos que as religiosas americanas. Quando foi aos Estados Unidos, ao contrário, cresceu sua imagem, falou contra a pederastia, etc. Ao contrário, agora está crescendo um pouco a hostilidade”.

= Salvatore Izzo, vaticanista da agência italiana AGI: “Bento XVI está adquirindo uma figura paterna que antes não tinha. É como quando uma pessoa não tem filhos e vive em um condomínio: todos os barulhos o incomodam. Depois, com o passar do tempo chegam os filhos e as coisas mudam. Ele está fazendo um grande esforço para aproximar todos da Igreja, não somente os tradicionalistas, mas também os outros movimentos mais inovadores. Pode não parecer, mas é assim”.

= Maarten Lulof van Aalderen, correspondente do jornal holandês De Telegraaf: “A percepção que a gente tinha de Bento XVI no início de seu pontificado não mudou em nada. Do ponto de vista midiático era um papa professor; esta era a ideia e esta ficou. Um Papa que ainda encontra dificuldades para se comunicar com as pessoas. Não conseguiu resolver esse problema”.

= Elisabetta Piqué, correspondente na Itália do jornal argentino La Nación: “Bento XVI, sem ter o carisma de João Paulo II, conseguiu soltar-se um pouco em público, antes não ousava tocar ninguém, agora abraça os bebês e os acaricia. Creio que tenha aprendido a se relacionar com as massas. Aprendeu a fazer-se querer em qualquer parte para onde vai. Penso, por exemplo, em sua última viagem a Cuba, onde ninguém entra em uma igreja, ali se fez querer, para não falar do México. Quando foi eleito havia esta imagem midiática de rottweiler, de um inquisidor. Cada vez que houve um erro de comunicação, ele o reconheceu e demonstrou ser um Papa com uma personalidade muito amável, um intelectual, mas muito humilde”.

= Andrés Beltramo, vaticanista na Itália da agência mexicana Notimex: “Mudou a percepção que as pessoas tinham sobre ele, e suas viagens para vários países aceleraram isto. Na última viagem ao México, por exemplo, no início as pessoas não o conheciam, particularmente porque – por assim dizer – ficava sob a sombra de João Paulo II e havia uma grande interrogação sobre a sua pessoa. Ao contrário, quando o conheceram pessoalmente se registrou uma mudança de atitude. Aqui os meios de comunicação falaram sobre ele, às vezes o criticam ou refletem sobre o entusiasmo popular, mas é um fato temporal que passa. Em compensação, ele entra quando as pessoas podem vê-lo e, portanto, ficam com uma percepção diferente daquela da mídia”.

= Alessandro Speciale, correspondente vaticano da UCA News, Religion News e Vatican Insider: “Bento XVI encontrou-se diante de um desafio, uma crise, não seguramente sobre a qual teria imaginado construir seu pontificado. Falo da pederastia e dos abusos sexuais. E ele, diante desta crise, soube dar a resposta à altura das circunstâncias, o que talvez muitas pessoas dentro da Igreja não teriam sabido dar, mas teriam dado uma resposta instintiva: ‘o mundo ataca a Igreja’. Ao contrário, este Papa se deu conta de que era um mal que estava dentro da Igreja e, portanto, teria que extirpá-lo. Isto marcou seu pontificado. Um desafio que ele não esperava, mas ao qual respondeu estando à altura das circunstâncias”.

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