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Por: Cesar Sanson | 23 Abril 2012

“O que dizer do Brasil? Tudo o que construímos nos últimos 20 anos, que nos colocava na vanguarda da humanidade em busca de novos caminhos para o novo século, está sendo entregue como pagamento de uma fatura política ao setor mais atrasado do ruralismo, que trata a terra brasileira como se ainda fosse dividida em capitanias hereditárias”. O comentário é de Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e publicado em Terra Magazine, 22-04-2012.

Eis o artigo.

Dia do Índio, com a péssima notícia do avanço da PEC 215, pela qual os parlamentares pretendem controlar toda a demarcação de suas terras. Dia da Terra, com notícias não menos tristes: véspera da votação do Código Florestal na Câmara dos Deputados, de um projeto que pretende acabar coma proteção ambiental.  A Rio+20 sendo esvaziada de seu conteúdo ambiental, num momento em que o governo brasileiro cede ao retrocesso ruralista-desenvolvimentista. Revoltam-se quilombolas e sem-terras, uns desprezados, outros ameaçados. Protestam os cientistas, solenemente ignorados.

Surgem novos movimentos, ressurgem antigos: Fórum de ex-ministros do Meio Ambiente, Comitê Brasil em Defesa das Florestas, Movimento SOS Florestas, Movimento Gota D’água, manifesto das entidades socioambientais, SBPC, ABC e Fórum de Mudanças Climáticas. Todos em alerta, todos preocupados com a insensibilidade que domina a política.

Tornou-se lugar comum dizer que a causa da paralisia dos EUA nas negociações sobre o clima e o meio ambiente, assim como boa parte de suas dificuldades na política externa, é a sua acirrada disputa eleitoral interna e as pressões conservadoras sobre o governo do presidente Obama. Mas, o que dizer do Brasil? Tudo o que construímos nos últimos 20 anos, que nos colocava na vanguarda da humanidade em busca de novos caminhos para o novo século, está sendo entregue como pagamento de uma fatura política ao setor mais atrasado do ruralismo, que trata a terra brasileira como se ainda fosse dividida em capitanias hereditárias.

“Por mais distante o errante navegante, quem jamais te esqueceria?”, pergunta Caetano Veloso, em sua linda canção “Terra”. A estrela azulada no espaço e a província que o poeta canta com saudade, o rio que alimenta seus povos com peixes e mitos, os vastos sertões da alma brasileira, a alegria da diversidade étnica e cultural, as lembranças dos velhos e os sonhos dos jovens, todas as terras da Terra com todos os seus significados, tudo isso agora é reduzido pelo economicismo mais vulgar a um amontoado de números. Perde-se a Terra e, dela, a memória.

Mas há sempre a esperança de que possa ressurgir, pelas mãos e consciência de quem mais sofre com sua perda. A Cúpula dos Povos e o encontro paralelo da sociedade civil, o movimento socioambiental, as milhares de comunidades e inúmeras articulações de jovens que estarão na Rio+20, são bons exemplos que podem dar novo significado à Terra e à vida que nela temos.

Podem também criar o constrangimento ético sobre os governos, capaz de fazê-los assumir compromissos e responder à pergunta: o que foi feito, nesses 20 anos, para evitar o desastre que todos veem aproximar-se?

Com tantos esforços feitos pelo governo e seus apoiadores, para tirar o tema ambiental da Rio+20, tudo indica que a resposta a essa interpelação ética da humanidade dificilmente será dada.

E em mais esse dia de celebração e de lamentação pela terra que diariamente nos apela por cuidado e atenção, resta-nos atendê-la:

Terra longe, terra à vista

Frágil bolhinha no ar

Que nosso fazer errante

Não nos torne tão distantes

Desse teu febril pulsar

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