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21 Abril 2012

Será que estamos tão viciados em combustíveis fósseis que iremos nos submeter cada vez mais à indústria de petróleo, colocando em perigo os nossos ecossistemas?

Publicamos aqui o editorial do jornal National Catholic Reporter, 18-04-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Este mês marca o segundo aniversário da explosão da plataforma de petróleo da Deepwater Horizon no Golfo do México, que matou 11 trabalhadores e derramou 4,9 milhões de barris de petróleo, causando grandes danos aos habitats marinhos e de vida selvagem, e à pesca e à indústria do turismo da região. O impacto local do derramamento ainda está se desenrolando.

Agora, o país está no meio de um debate sobre a energia em ano eleitoral – principalmente com um foco exclusivo sobre o aumento dos preços na bomba –, ou seja, à luz do desastre do Golfo, um debate lamentavelmente míope. Isso é enfatizado por um recente relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

A organização calcula que o consumo de energia mundial está a caminho de aumentar em 80% até meados do século, com 85% da energia proveniente de combustíveis fósseis. As emissões de carbono irão dobrar até 2050, o que provavelmente irá provocar um aumento das temperaturas globais acima da meta de dois graus Celsius, para além dos quais os cientistas dizem que as mudanças climáticas poderão ser extremamente perigosas. A poluição do ar também irá aumentar, juntamente com a incidência de doenças cardiovasculares, asma e outras consequências para a saúde.

A organização sugere que se coloque um custo sobre as emissões poluentes e de gases de efeito estufa, junto com os impostos de carbono e as práticas cap and trade [mecanismos que criam limites para as emissões de gases de um determinado setor]. Dados os perigos à nossa frente, esses mecanismos de comércio orientados ao mercado parecem ser uma opção melhor do que a microgestão federal – a atual política de ambos os partidos políticos [dos EUA].

Além de uma confissão honesta de que nós realmente não podemos "perfurar uma saída" para continuar tendo combustíveis mais baratos, o que está faltando no debate atual é um reconhecimento do aumento dos custos ocultos de cada litro de gasolina na bomba. O tipo de perfuração offshore de risco a quilômetros de profundidade que precipitou no vazamento do Golfo é um caso em questão.

Depois de uma moratória, a Casa Branca pôs em ação exigências de perfuração mais duras e depois abriu novas áreas para o desenvolvimento no Golfo e em partes remotas do Ártico, que estão a 1.000 milhas da base mais próxima da Guarda Costeira. Os republicanos têm pressionado através de uma legislação que acelera os planos de revisão das perfurações e abre ainda mais novas áreas.

"Os republicanos e a indústria do petróleo estão mantendo a mentalidade 'velocidade acima da segurança' que levou ao desastre da BP em primeiro lugar", disse o deputado Edward Markey, democrata de Massachusetts que tem sido um crítico à resposta do presidente ao derramamento da plataforma alugada da BP. Além disso, os republicanos estão pressionando até agora para que se abram as costas do Atlântico e do Pacífico para a perfuração, politicamente sem limites desde o derramamento de óleo em Santa Barbara em 1969.

Será que estamos tão desesperadamente viciados em combustíveis fósseis que iremos nos submeter cada vez mais à indústria de petróleo, colocando em perigo o frágil Ártico, as nossas outras duas costas e até mesmo arriscando o coração do país se os proponentes dos oleodutos de Keystone prevalecerem?

Um sucesso em outra frente da política energética demonstra como algumas gestões da poluição podem preparar o caminho para uma mudança construtiva.

No dia 27 de março, a Agência de Proteção Ambiental propôs os primeiros limites históricos de emissões de gases de efeito estufa para as novas usinas. A norma – chamada de Carbon Pollution Standard – não se aplicaria a cerca de 15 usinas que se esperada que iniciem seus trabalhos no próximo ano, mas, depois disso, as usinas movidas a carvão teriam que capturar e armazenar algumas de suas emissões de dióxido de carbono. Sendo uma medida onerosa, essa prática não está em uso em nenhum lugar atualmente.

"Esses primeiros padrões históricos de poluição de carbono para novas usinas significam que a 'mesmice' das maiores fontes de poluição de carbono e das empresas sujas de queima de carvão do país acabou", disse o diretor-executivo do Sierra Club Michael Brune.

A Ir. Karen Donahue, coordenadora de justiça das Irmãs da Misericórdia das Américas, de Michigan, disse: "Nós elogiamos a Agência de Proteção Ambiental por dar esse passo importante para reduzir as emissões que estão alimentando o aquecimento global e as catastróficas mudanças climáticas".

A medida da Agência de Proteção Ambiental estabelece bases para os esforços para encontrar formas mais limpas e sustentáveis para gerar energia.

Cada vez mais desses tipos de esforços irão resultar em uma nação de energia limpa. Fazer isso irá nos apresentar um desafio igual a outros grandes projetos da nossa história – a ferrovia transcontinental, o Canal do Panamá, o sistema de rodovias interestaduais, o projeto espacial Apollo. Esses empreendimentos exigiram que se expandissem os limites do desenvolvimento tecnológico e também estimularam uma oportunidade de negócios, criando muitos novos empregos e indústrias totalmente novas.

Ir rumo à independência energética das fontes limpas e para longe de um estilo de vida baseado na emissão de gases de efeito estufa, na queima de combustíveis fósseis, no nivelamento e terraplenagem de terrenos e na poluição do ar pode nos unir em um esforço comum e garantir que as zonas úmidas gravemente danificadas e o sofrimento econômico na nossa Costa do Golfo não foram em vão.

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