Atrasos e conflitos viram regra em usinas

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09 Abril 2012

Vinte e duas das 27 hidrelétricas em construção estão atrasadas, revela relatório da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Quando prontas, o Brasil terá mais 24.379 MW (mega-watts) em nova capacidade.

A reportagem é de Agnaldo Brito e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 09-04-2012.

O problema é que 80,5% (ou 19.600 MW) dessa potência está fora do cronograma fixado em contrato entre a agência e os empreendedores, alguns estatais.

Das 27 hidrelétricas, 13 não tiveram as obras iniciadas. A principal razão, segundo a Aneel, é a falta de licenças ambientais. Acompanhar as obras das megausinas é fundamental: a base do sistema brasileiro é hidrelétrico.

A decisão do governo de leiloar usinas na Amazônia tem, como princípio estratégico, manter a participação da geração hidráulica de energia no país. Por ano, o Brasil precisa agregar de 3.000 a 4.000 MW de nova capacidade. O objetivo é que boa parte disso seja de hidrelétricas.

CONFLITOS

Também por isso, os conflitos como os que ocorrem na Hidrelétrica de Jirau, no Rio Madeira (RO), preocupam tanto. Curiosamente, apesar disso, Jirau ainda é um dos três projetos com obras "adiantadas", diz a Aneel.

Mas sucessivas greves e atos de vandalismo no canteiro podem, em breve, comprometer esse cronograma.

A usina de Santo Antônio, em construção no rio Madeira, está com as obras atrasadas, segundo a agência. Prevista para dezembro de 2011, a geração das primeiras turbinas só começou em março.

Apesar do ambiente mais calmo, o canteiro de Santo Antônio é afetado pela instabilidade em Jirau. A Santo Antônio Energia já parou a obra para evitar conflitos. Como tem um cronograma justo, a construção da usina entra nas estatísticas de atraso.

Como Santo Antônio foi o primeiro projeto do Madeira, os empreendedores tiveram condições de contratar a mão de obra disponível em Porto Velho (RO). Jirau não teve essa chance. Oitenta por cento dos trabalhadores de Santo Antônio são de Rondônia; em Jirau a situação é inversa.

O mesmo ocorre em Belo Monte, a megausina que a Norte Energia começou a erguer no rio Xingu (PA). Como Santo Antônio, Belo Monte também está atrasada.

E como Jirau, a maior parte da mão de obra é de migrantes. O consórcio construtor estima que 70% devem vir de fora do Pará, um problema para Altamira, cidade que mal é capaz de atender às carências locais.

O novo modelo do setor elétrico (de 2004) viabilizou obras, mas impôs às regiões carentes do país ônus que os poderes públicos não dão conta.

O apoio militar federal, com o envio da Força Nacional, parece paliativo frente aos graves problemas sociais.

Há mais do que atrasos nas obras. Há um ambiente fértil para novos conflitos.

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