ONG denuncia desmatamento ilegal no Pará

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02 Abril 2012

Após mais de um mês e meio de investigações em uma região de assentamentos rurais conhecida como Corta Corda, 140 quilômetros a leste de Santarém (PA), o Greenpeace fez anteontem uma ação para expor casos de extração ilegal de madeira.

A reportagem é de Giovana Girardi e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 02-04-2012.

Um grupo de ativistas entrou em um pátio com centenas de toras para documentar o crime ambiental e fazer um protesto, deixando uma faixa verde com a mensagem "Crime!", para que fosse vista quando os proprietários retornassem.

Paulo Adario
, diretor da campanha Amazônia da ONG, diz ter certeza de que a madeira está sendo retirada ilegalmente ali na região do Rio Curuá-Una. O ativista afirma ter conferido a lista de concessões para manejo de madeira disponível na internet. Segundo ele, não havia nenhuma para aquela localidade.

O ponto visitado no sábado é um dos seis apontados na investigação como ilegais. Eles estarão identificados em uma carta-denúncia que será encaminhada hoje ao governo.

No local, foram encontradas cerca de 300 toras de madeira que aguardavam transporte para Santarém. Eram árvores como angelim-vermelho, usado para fazer móveis. "A Amazônia está sendo desmontada, como um quebra-cabeça, e vendida para o mercado internacional", declarou Adario.

O Corta Corda tem 52 mil hectares, mas menos de 11 mil estão ocupados por assentamentos. O resto, como aponta a denúncia do Greenpeace, está sendo invadido por madeireiros. Os ambientalistas descobriram isso num processo de investigação que envolveu a análise de imagens de satélite, sobrevoos e visitas aos locais.

Segundo Adario, nos últimos anos a ação madeireira voltou a crescer. Os próprios assentados têm feito denúncias sobre a invasão de madeireiros. De acordo com Raimundo de Lima Mesquita, presidente do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, houve uma "avalanche de assentamentos na região nos últimos anos, mas muitos não foram consolidados ainda", o que abre espaço para a ação dos madeireiros.

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