“21 horas. Uma semana de trabalho mais curta para prosperar no século XXI”

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Por: André | 31 Março 2012

“O discurso dominante das elites políticas e econômicas não deixa lugar a dúvidas durante esta crise. Para alimentar o crescimento econômico contínuo e a promessa do pleno emprego, trabalhar mais (e consumir mais) é um dever patriótico dos cidadãos modernos”, escrevem Florent Marcellesi e Aniol Esteban no prólogo ao livro 21 horas: Una semana laboral más corta para prosperar en el siglo XXI. Icaria Asaco, 2012.

Florent Marcellesi é o coordenador da Ecopolítica e Aniol Esteban é o responsável pela área de economia ambiental da New Economics Foundation. O texto está publicado no blog de Florent Marcellesi, 26-03-2012. A tradução é do Cepat.

Eis o Prólogo.

“O verdadeiro produto do processo [econômico] é um fluxo imaterial: o prazer da vida”. Nicholas Georgescu-Roegen (1971)

O discurso dominante das elites políticas e econômicas não deixa lugar a dúvidas durante esta crise. Para alimentar o crescimento econômico contínuo e a promessa do pleno emprego, trabalhar mais (e consumir mais) é um dever patriótico dos cidadãos modernos. Após a conquista do poder presidencial francês em 2007, Nicolas Sarkozy proclamava que era prioritário “trabalhar mais para ganhar mais”. Enquanto isso, Mariano Rajoy não quis ficar para trás em sua corrida ao Palácio Moncloa e, em uma entrevista de março de 2011, inaugurou um descomplexado “trabalhar mais para ganhar menos”. Uma vez no poder, colocou em marcha seu plano e aumentou, por exemplo, a jornada de trabalho do funcionalismo para 37,5 horas sem aumento salarial. Ao mesmo tempo, a entidade patronal espanhola saiu em defesa de sua proposta de “mini-jobs”, porta aberta não para uma redução da jornada de trabalho para viver melhor com menos, mas para um aumento das pessoas trabalhadoras pobres. Não muito longe dali, Portugal decidiu também aumentar em meia hora por dia a jornada de trabalho em seu setor privado, e todos os países da Europa apostaram no aumento da idade da aposentadoria.

Diante destas medidas que aprofundam ainda mais a crise social e ecológica, é necessário revisar a nossa forma de entender o trabalho e as atividades humanas: existem outros fins diferentes do crescimento e o ser humano tem outros meios de se expressar além da produção ou do consumo. As atividades domésticas, voluntárias, artísticas, associativas, etc., apesar de nem sempre serem reconhecidas, são fontes de riqueza. Em segundo lugar, é preciso revisar as políticas de renda para apostar decididamente na justiça social e na liberação das novas forças produtivas. Para isso, é importante avançar rumo a uma redistribuição do tempo e, neste caminho, apostar de forma decidida na redução da jornada de trabalho. Nenhuma destas três propostas é suficiente por si só, mas cada uma representa um passo na direção de uma transformação sócio-ecológica da economia onde o bem viver conte mais que o poder aquisitivo.

Neste marco, a inovadora proposta da New Economics Foundation (NEF) e sua adaptação ao castelhano pela Ecopolítica é um exercício imprescindível para sair do pensamento único. Propor uma semana de trabalho de 21 horas é caminhar na contramão das propostas de reformas trabalhistas e de aposentadoria que nos empurram a trabalhar e consumir cada vez mais, como se o desemprego, a desigualdade ou o esgotamento dos recursos naturais não estivessem relacionados. Propor uma semana de 21 horas não é apenas um exercício de prospectiva: é também um exercício de realidade. Permite pensar em uma nova economia, baixa em carbono e na qual a nossa pegada ecológica se reduza de forma drástica. Este é o tipo de proposta que nos permite sonhar com uma sociedade mais justa, que favoreça a autonomia das pessoas e que preserve o meio ambiente; este é o tipo de proposta que implica mudanças ambiciosas, adaptadas ao contexto do século XXI.

A NEF e a Ecopolítica espera que com este opúsculo se estimule a reflexão e se possa aprofundar a necessária mudança sistemática que a justiça social e ambiental reclamam.

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