ONG usa navio contra crime ambiental

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29 Março 2012

Tão logo se embarca no Rainbow Warrior, a primeira orientação que se recebe é de segurança. Sete apitos seguidos de um longo, peguem o colete salva-vidas e corram para o convés; um apito longo significa incêndio, corram para o mesmo local. Quando a sinalização vier seguida do aviso de que há piratas, tranquem-se na sala de refeições.

A reportagem é de Giovana Girardi e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 29-03-2012.

Apesar de o recado soar dramático, a precaução tem lá seus motivos. Um dos objetivos do novo navio do Greenpeace, que iniciou sua navegação na segunda-feira pelo Rio Amazonas, a partir de Manaus, é denunciar crimes ambientais. E, historicamente, algumas vezes essas ações ocorreram em clima de confronto.

A primeira versão do Guerreiro do Arco-Íris, em uma ação contra testes nucleares na Nova Zelândia, foi bombardeada e afundada pelo serviço secreto francês em 1985, causando a morte de um fotógrafo. Em 2006, na mesma Santarém (PA) onde o navio chegou ontem, uma embarcação foi invadida após ação contra a expansão da soja.

Agora, a bordo de um novo navio, feito sob encomenda pela ONG seguindo padrões ambientalmente corretos (mais informações nesta página), a ideia, diz o diretor executivo da entidade, o sul-africano Kumi Naidoo, é "chegar a lugares na Amazônia onde não é possível estar de outra maneira para destacar crimes ambientais e mostrar soluções de usos sustentáveis da floresta" na Rio+20, em junho.

A viagem mira ainda a coleta de assinaturas para a criação de um projeto de lei de iniciativa popular que estabeleça o desmatamento zero no País. Durante o trajeto até o Rio, o Rainbow Warrior será aberto à visitação e a expectativa é atrair as pessoas pela curiosidade sobre o navio verde e colher a adesão.

Escritório flutuante

Segundo Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia da organização, o navio funciona como escritório e base de investigação, documentação e comunicação. "Vamos aproveitar essa oportunidade para interagir com as pessoas."

No navio, tripulantes e voluntários dividem suas tarefas para transformar a embarcação em uma casa. Há regras de convivência e segurança, horários rígidos de alimentação e esquema de limpeza - todas as 35 pessoas embarcadas devem ajudar.

O mais simbólico a bordo é o próprio capitão, o americano Peter Willcox. Ele era o líder do Rainbow Warrior 1, que afundou. De bermudão e camiseta, lembra que as coisas mudaram. "Se fosse há 30 anos, nossa campanha seria ir para o meio da floresta e tentar parar o corte de árvores. Mas hoje propomos uma nova lei para tentar afetar as políticas públicas."

Apesar da mudança que ele menciona, uma coisa é meio sagrada na organização: o vegetarianismo. Maleável, porém, o capitão pediu para que tenha carne em uma refeição do dia. A outra sempre é vegetariana.

Ele fala com empolgação sobre a possibilidade de navegar com velas. Mas, se no mar isso é bem mais fácil, porque é possível adaptar a rota para ficar sempre na direção do vento e assim economizar combustível, em rio esse tipo de navegação é mais complicada. No começo da viagem foi preciso navegar com o motor híbrido, que funciona com diesel e a energia elétrica de uma bateria alimentada pelo próprio movimento do motor.

As condições só ficaram favoráveis ao içamento das velas depois de o navio ter passado por Parintins e entrado no Pará, na altura da Serra de Santa Júlia, após quase 22 horas de viagem. O motor é silencioso. Sem ele, só há o vento e o barulho do Rio Amazonas.

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