Transposição do São Francisco. Água custará dez vezes mais que a média do País

Revista ihu on-line

SUS por um fio. De sistema público e universal de saúde a simples negócio

Edição: 491

Leia mais

A volta do fascismo e a intolerância como fundamento político

Edição: 490

Leia mais

Maria de Magdala. Apóstola dos Apóstolos

Edição: 489

Leia mais

Mais Lidos

  • O que aconteceu com a classe operária depois de Marx

    LER MAIS
  • Reinstituição das diaconisas. Artigo de Felipe Arizmendi, bispo de San Cristóbal de Las Casas, M

    LER MAIS
  • Áreas sociais sofrem cortes, e Temer já indica perdas previdenciárias e trabalhistas

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

23 Março 2012

Não foi apenas o custo da construção dos canais de concreto da transposição do Rio São Francisco que aumentou. O custo da água a ser futuramente fornecida pelo projeto, após os cofres públicos desembolsarem R$ 8,2 bilhões com a obra, foi reestimado pelo governo em R$ 0,15 o metro cúbico, ou quase dez vezes o preço médio cobrado no País.

A reportagem é de Marta Salomon e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 23-03-2012.

Em dezembro do ano passado o Estado já havia divulgado que o custo da água poderia chegar a R$ 0,13 por metro cúbico apenas para o bombeamento no eixo leste, onde haverá cinco estações de bombeamento.

Por ora, o governo nega a possibilidade de subsidiar esse custo, considerado "compatível e de acordo com a capacidade de pagamento das cidades envolvidas", declarou ao Estado o Ministério da Integração. A água da transposição alcançará sobretudo centros urbanos de médio e grande porte em quatro Estados: Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

O ministério conta ainda com o fato de que parte da água será consumida por indústrias da região, ou que estão para abrir fábricas no semiárido nordestino. "Isso favorecerá a sustentabilidade financeira de operação e a manutenção do projeto", afirmou a assessoria do ministro Fernando Bezerra Coelho.

Desde antes do início da obra, já se sabia do custo elevado da água. A engenharia da transposição prevê que as águas desviadas do rio terão de ser bombeadas a uma altura de até 300 metros, o que consumirá muita energia, custo que será repassado à tarifa.

A operação do projeto deverá ser feita pelos quatro Estados beneficiados, segundo o Ministério da Integração, que abandonou a ideia de criar outra estatal para cuidar da transposição com intuito de não aumentar ainda mais os gastos públicos.

O modelo do órgão operador segue indefinido. No início das obras, o governo insistia que a água seria destinada só ao consumo humano e a animais de criação. Depois, o Ministério da Integração começou a considerar o uso para irrigação. É a primeira vez em que se fala em consumo industrial da água.